Empreendedorismo muda área de destino de migrante

Raimundo Soares, dono da Galinhada do Bahia

Raimundo Soares, dono da Galinhada do Bahia

O empreendedorismo de migrantes move a economia -mas, em áreas de metrópoles brasileiras que receberam pessoas de outros Estados até os anos 1980, o crescimento começa a ser visto agora.

Matéria de FELIPE GUTIERREZ publicada originalmente na Folha Online

Quem faz a avaliação é o jornalista canadense Doug Saunders, autor de “Arrival City” (cidade de chegada, em tradução livre, obra que será lançada em breve pela DVS Editora), lançado neste ano nos EUA. O termo cunhado por ele refere-se a regiões, como bairros, que migrantes vindos do interior rural adotaram para viver.

Devido à instabilidade econômica até meados dos anos 1990, pequenos negócios de pessoas que deixaram a cidade natal não nasceram e cresceram na velocidade com que poderiam. Hoje, diz ele, que dedicou dois capítulos do livro ao Brasil, inicia-se nova fase -com novos empreendimentos e formalização. Continue lendo

Douglas Saunders: “A periferia é o novo centro do mundo”

Autor de um livro sobre as favelas, o jornalista canadense diz que elas são celeiros de empreendedorismo e dinamismo. 

por DANILO THOMAZ, da Revista Época

Ao desembarcar no Brasil, o jornalista canadense Douglas Saunders, colunista do diário Globe and Mail, esperava encontrar em nossas favelas um ambiente de extrema violência e depravação. “Eu esperava ver todos aqueles clichês. E realmente vi garotos de 14 anos armados com rifles e pessoas usando drogas no meio da rua”, diz. “Mas também encontrei comunidades preocupadas em melhorar a vida de suas crianças, migrantes que continuam a enviar dinheiro a seus familiares 50 anos depois de saírem da terra natal e dinâmicos microempreendedores.” Explicar as causas e os desdobramentos dessa contradição das periferias é a missão a que Saunders se lança em seu recém-publicado Arrival city: the final migration and our next world(Periferia: a migração final e nosso novo mundo, numa tradução livre, sem previsão de lançamento no Brasil). Fruto de um trabalho de três anos, realizado nas periferias de quatro países – Brasil, China, Turquia e Egito –, o livro afirma que esses espaços e a classe média que emerge deles são o novo centro do mundo. Continue lendo