Consumo colaborativo

No nosso vocabulário a palavra “colaboração” vem sempre associada a ações de boa vontade ou princípios morais de várias origens. Só que, independentemente das possíveis relações ou referências, uma nova tendência promete alterar de modo significativo nossas práticas de consumo, e que chamo de Co-Labor Consume, algo que precisa ser observado pelos especialistas de mercado, mas também por aqueles que querem estar adiante do seu tempo e encontrar novas oportunidades de inovação.

Por Maristela Guimarães

Já sabemos que a internacionalização dos mercados, a evolução tecnológica das mídias digitais e a integração just in time dos canais de venda, associados às reflexões sobre sustentabilidade, responsabilidade social e consumo consciente, entre outros fatores, alinharam novos termômetros para a produção, gestão, distribuição e venda de bens e serviços. No entanto, a rede de pessoas que sustentam, com suas necessidades, desejos, gostos, vontades, a dinâmica do sucesso de um negócio, caminha para uma direção para além do que já sabemos.

Os efeitos benéficos das redes sociais, ou desastrosos, por exemplo, como do Wikileaks, apenas anunciam o potencial interesse das pessoas por uma maior conexão, no entanto, também revelam sinais da fragilidade do buzzmarketing diante da falta de foco e de direcionamento para os anseios e as necessidades desenhadas pelos vários perfis de usuários, pois não há ferramentas, e principalmente, não há métodos apropriados e éticos para interpretar, reunir e projetar um novo comportamento do consumidor que hoje tem suas escolhas amplamente franqueadas pelas possibilidades de acesso a informações e condições de consumo em conformidade com suas características pessoais.

Ao mesmo tempo, esse estoque infinito de possibilidades carece de uma visão verdadeiramente colaborativa no sentido de conduzir as pessoas a um consumo responsável até mesmo das próprias informações disponibilizadas, pois cada idéia é fruto de uma origem e se estende através da comunicação seguindo um processo de colaboração para ser reconhecida e valorizada, nesse sentido, tornando-se efetiva quer como iniciativa ou como um produto.

A WikiPedia, o Google e a Yahoo, cresceram e se expandiram graças a colaboração de inúmeros anônimos consumidores de suas páginas e serviços, por que não expandir essa experiência para desenvolver a consciência humana sobre novos modos de consumir não só bens e serviços, mas também idéias?

O potencial da Internet como instrumento de mobilização já é fato, resta agora o desafio de orientar e conduzir escolhas não apenas pautadas pelas estratégicas de marketing, mas por uma análise do comportamento humano com base em novos paradigmas.

 

Sobre a autora

Maristela Guimarães André é mestre em Filosofia e Ciencias Humanas e doutora em Ciências Sociais. Atua como consultora do Instituto KVT – Desenvolvimento da Consciência Empresarial, e professora de Ética, Compliance e Governança Corporativa do MBA Executivo e Pos-Graduação da FAAP. É autora dos livros: Consumo e Identidade – itinerários cotidianos da subjetividade (DVS Editora) e Ética Natural – um caminho para a construção da consciência ética (Editora KVT).