Gestores, chega de tiros no pé

Por: Gustavo Chierighini, publisher da Plataforma Brasil Editorial e membro dos conselhos editoriais da  DVS Editora e da Revista Criática.

Meus caros, não é novidade o fato de que vivenciamos mais uma crise, mais uma queda do voo da galinha. É a história dos ciclos econômicos, que no caso brasileiro por razões conhecidas são bem curtos – o que vale para a prosperidade e também para a derrocada (frutos de uma economia de baixa produtividade, mas que opera de forma diversificada).

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Por outro lado não vou cair na armadilha dos clichês ou da autoajuda de botequim e afirmar o ululante, de que nas fases de crise residem inúmeras oportunidade. É tão óbvio que não merece muita consideração.

Portanto serei hoje mais ácido, afirmando que em fases de crise uma grande sacada é não perder a oportunidade de não fazer bobagens, e evitar atirar no próprio pé de preferência. E se isso também lhe parece óbvio, convido a uma observação cuidadosa ao redor, e aposto que verá muitas armas apontadas para o próprio pé.

Então, na dúvida, vale a pena destacar:

01. Modinhas de gestão. Em épocas de crise, as modinhas de gestão ganham corpo como tábuas de salvação. Por favor, deixe-as de lado e foque em fazer o dever de casa, e bem feito. É aquela coisa…boa refeição preparada com cuidado, servida por um garçom minimamente atencioso (sem ser afetado), numa mesa bem posta com peças limpas e local arejado: pronto a receita elementar, e sem precisar arcar com despesas dispensáveis para “encantar o cliente”;

02. Caixa negligenciado. Cuide do caixa como uma leoa protege a sua cria. Pode parecer óbvio demais, mas é espantoso como muitas empresas não conseguem calcular com precisão a sua Geração Livre de Caixa. Se necessário procure um especialista, e de preferência construa uma modelagem que lhe permita construir cenários para enxergar o futuro refletindo as ações que você está tomando no presente;

03. Temor em demitir. Efetive uma revisão do seu quadro de colaboradores. Observe se não existem gorduras (sim, não estou me importando com a “bota” do pensamento politicamente correto). Mas seja cuidadoso, gente talentosa não se encontra na esquina, então avalie se alguns recursos estratégicos, mesmo que por hora pouco demandados, não poderiam ser mantidos. Afinal a crise vai passar e você vai precisar deles novamente. Vale aqui um redesenho de funções e processos, se ao final existirem excedentes realmente desnecessários, e cuja dispensa não acarretará perdas sensíveis para a empresa, corte-os. Isso mesmo mande embora;

04. Gerenciamento emocional e desorganizado. O momento suplica por objetividade. A empresa agradecerá se puder ser tocada com um plano de trabalho objetivo e detalhado, contendo cronograma e distribuição clara de responsabilidades, com ancoragem em metas atingíveis;

05. Conduzir o processo comercial apenas sob pressão. Trata-se de equívoco muito comum, acredita-se que sob pressão absoluta profissionais de orientação comercial trazem melhores resultados. Nem sempre é assim. A pressão deve ser algo natural, por conta de uma ótica meritocrática e da distribuição de metas e premiações, mas a gestão da dinâmica comercial precisa de racionalidade e combate a perda de tempo.

Por último vale a máxima de que “menos é mais”, não exagere na sofisticação gerencial, não troque o sistema em meio a turbulência. O momento exige o básico eficiente.

Até o próximo.

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Redes sociais: quando a simplicidade racional fala alto

Por: Rafael Tanaka, blogueiro, roteirista, especialista em redes sociais e articulista da Plataforma Brasil Editorial.

As redes sociais não param de crescer, mas algumas empresas ainda desconhecem a real necessidade para seus negócios, ou até mesmo quando as utilizam, acabam com alguma frequência, trabalhando da maneira incorreta, mas porque será?

Lucro com aplicativos

Vejamos:

01. Qual rede social devo usar? A grande maioria das pessoas ou pequenas empresas que possuem seus negócios e querem estar nas redes sociais, começam abrindo várias contas e nem sabem o que procuram atingir. Não conhecem com clareza o público que atingirão e nem mesmo o conteúdo a ser disponibilizado. Faça uma pesquisa nas atuais redes e tente enquadrar objetivos de comunicação, mensagem e público alvo. Muito provavelmente você terá de atuar em mais de uma rede.

02. Exercite o conhecimento sobre a rede social escolhida. Não apenas descubra qual é a melhor e a mais necessária para seu momento nos negócios, mas estude-a em profundidade, e constantemente. Sempre há algo novo para aprender. Um bom caminho de aprendizado e ajuste é descobrir como seus concorrentes ou empresas no mesmo ramo de negócio lidam com elas. Identifique seus erros e acertos e implante as melhorias a seu favor.

03. Possua o perfil completo – Um grande problema é não disponibilizar informações completas sobre o seu perfil. Não esqueça o básico: e-mail, tel. e endereço. Pode parecer óbvio, mas vai se assustar se pesquisar sobre a quantidade de empresas que cometem esse erro. Oportunidades podem ser facilmente perdidas por conta desse equívoco.

04. Atualize. Quando eu digo atualize, não necessariamente você precise postar conteúdo todos os dias, pense e pesquise no que é melhor postar e na hora certa. Descubra os melhores horários (aqui é importante pensar sobre o momento do dia onde seu público alvo está mais ativo).

05. O que se devo postar? Essa é uma das questões mais importantes para a sua efetividade nas redes sociais. Será necessário que o conteúdo seja um vetor de diálogo com o seu público alto, transmitindo a mensagem de forma adequada e engajadora. Seja objetivo, sem ser frio.

06. Converse, participe, conheça. Falar em nome da sua empresa é uma coisa, mas não seja um robô. Uma das piores coisas que existem é receber respostas automáticas definidas pelo sistema. Responda ao seu público de forma humanizada e com clareza. Faça seu melhor e os usuários irão reconhecer a qualidade.

07. Tempo é Dinheiro. Preserve seu tempo e mantenha a qualidade da sua ação em redes sociais, trazendo para o trabalho um profissional especializado. Você pode até ter as ideias, mas operacionalizar isso cotidianamente, de forma consistente e livres de erros básicos pode consumir muito do seu tempo (e você vai precisar do seu tempo para atender a deliciosa burocracia da vida empresarial brasileira).

08. O que dizem sobre mim. Você já possui as redes sociais certas e ativas e seu conteúdo é relevante e está atualizado da melhor maneira possível, bem, agora é necessário se preocupar com o que as pessoas estão falando sobre você. Pesquise menções, comentários, e até mesmo pesquisas no Google. Essas informações são preciosas e seu conhecimento pode contribuir gerando não apenas novos negócios, mas também a oportunidade de se posicionar positivamente diante de críticas e posições hostis.

Por fim, não se prenda a paradigmas, opere o básico bem feito e explore novas rotas.

Boa sorte e até o próximo.

Monitoramento e métricas de mídias sociais - Diego Monteiro e Ricardo AzariteSUGESTÃO DE LEITURA:
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6 dicas certeiras para engajar uma equipe e potencializar resultados

Por: Gustavo Chierighini, publisher da Plataforma Brasil Editorial e membro dos conselhos editoriais da DVS Editora e da Revista Criática.

Meus caros, não deixa de ser um clichê a afirmativa de que sem engajamento não há produtividade. É óbvio e recorrente. Será mesmo?

O fato é que você pode reunir os melhores, mais comprometidos e inventivos profissionais, contudo, caso não se sintam engajados (de verdade, e sem blá-blá-blá corporativo) a sua produtividade e, consequentemente, a performance do seu negócio sofrerão.

Teamwork and team spirit - Hands piled on top of one another .

Pode ser possível que você não perceba esse movimento, caso a sua empresa esteja apresentando bons resultados, mas o questionamento deveria ser: até onde eu poderia ter isso com um engajamento profundo e duradouro?

E é a partir dessa abordagem que elaborei as dicas a seguir:

01. Estabeleça objetivos claros, dimensionáveis e com parâmetros de desempenho bem especificados. Isso fornece o “norte”, a direção para a qual a equipe deve rumar. Preocupe-se em desenvolver isso com cuidado e precisão, afinal, algo tão importante não pode mudar a todo tempo. É preciso que seja algo mais permanente e bem comunicado;

02. Abra um leque de metas e submetas envolvendo toda a equipe, criando assim uma rede de colaboração, em que a contribuição de cada um é essencial para o êxito do conjunto. Isso cria a sensação de interdependência necessária para o engajamento, além de permitir a implantação de um coerente sistema de bonificação. É também a base operacional para um modelo meritocrático;

03. Ainda sobre meritocracia, vale dizer que valorizar o mérito confere peso ao esforço individual em benefício do coletivo e evita injustiças como a possibilidade de um camarada acomodado e descompromissado com a operação acessar os mesmos benefícios remuneratórios daqueles engajados e comprometidos. Sem meritocracia, não haverá engajamento que perdure;

04. Entenda que por mais compromissadas que estejam as pessoas da sua equipe com o projeto e seus objetivos principais, antes e em primeiro lugar sempre estarão os objetivos pessoais e o legado individual que se constrói. Não caia na tentação do bobajal corporativo, em que candidatos afirmam nas entrevistas – mesmo que com mensagens subliminares – que se anularão em prol da empresa onde querem trabalhar. Isso simplesmente não existe. Sendo assim, facilite ao máximo para interconectar a necessidade de construção de um legado individual com a construção do legado do seu negócio. Não é fácil, mas caso obtenha esse estado, poderá chamá-lo de estado da arte do engajamento. Um bom caminho é o reconhecimento moral (mesmo sem remuneração e, “pelamordedeus”, sem quadrinhos na parede) pelos feitos e realizações;

05. Construa um ambiente de respeito entre as distintas gerações, onde a diversidade possa coexistir para além da retórica do politicamente correto (essa chatice), mas onde o indivíduo é realmente respeitado.

06. Abandone o blá-blá-blá motivacional e trate os seus colaboradores como adultos preparados e fortes como de fato devem ser, ou deveriam estar tentando ser (a fortaleza interior é uma luta permanente, nunca se está absolutamente pronto).

Até o próximo.

10 Características de uma geração iludida – seja ela qual for

Por: Gustavo Chierighini, publisher da Plataforma Brasil Editorial e membro dos conselhos editoriais da  DVS Editora e da Revista Criática.

Meus caros, já é antiga, e cansativa, a retórica que envolve os conflitos de gerações na condução dos negócios e da vida empreendedora. Repleta de chavões e clichês, ela embala uma ruptura de diálogo perigosa, potencializando preconceitos, desconhecimento e fatalmente emitindo uma mensagem subliminar (por vezes explícita) desmerecendo gerações compostas por profissionais mais maduros.

Desconectada da realidade e míope na mínima observação cotidiana, pois desconhece exemplos de prodígios sempre presentes em todas as gerações, com muitos remanescentes ainda bem ativos com mais de sete décadas bem vividas.

Geracoes
Foto de Carissa Rogers | Flickr

E pior, sua prática é recorrente e cíclica, sempre promovendo a geração mais recente como a mais preparada e melhor talhada para o presente e o “futuro”. Mas isso não é de hoje, sempre foi assim, questionemos nossos avós, por favor. O resultado disto é o equívoco onde a geração do ‘momento” em breve será a geração “ultrapassada” e “velha”, cuja contribuição “obsoleta” deve ser esquecida.

Recentemente visitei um fundo de venture capital focado em startups, que entoava logo na recepção a seguinte inscrição “aqui não valorizamos a experiência”. Li aquilo e achei tão pueril que acabei rindo sozinho, e me segurei muito para não continuar rindo quando a reunião começou.

Durante a reunião… o mesmo do mesmo….. a eterna repetição de frases feitas e bobajais corporativos, que foram o suficiente para me convencer de que não seriam investidores talhados para o desafio que representava. E eu estava em busca de parceiros investidores a altura dos meus clientes, uma gente na faixa dos 23 anos, mas decidida, capaz e com as mãos enfiadas na massa, reunindo características boas de várias gerações. (Como? É simples, eles eram inteligentes para saber que a geração aplaudida de hoje será a renegada de amanhã, e por isso mesmo sempre filtraram este tipo de bobagem).

Contudo, já que nem todas as pessoas são providas da astúcia suficiente para identificar essas armadilhas, destaco abaixo algumas características típicas do iludido geracional, (seja a sua geração a A, X, Y, Z, ou W) esse enganado.

01. Ele acredita na excepcionalidade da sua geração porque presenciou caras na faixa dos trinta anos fazerem um bom dinheiro vendendo seus empreendimentos (Sempre foi assim, a excepcionalidade não é exclusividade de nenhuma geração. Thomas Edison o inventor da lâmpada elétrica já era mundialmente reconhecido aos 29 anos de idade, e isso foi em 1876);

02. Acredita que o fato de dominar uma prática ou tecnologia recente, o capacita para “conquistar o mundo”. (“Conquistar o mundo” demanda coragem, energia além do comum, astúcia, resistência ao sofrimento inerente ao percurso das grandes ambições, e capacidade de reunir uma “orquestra” de gente com distintos talentos, e que invariavelmente envolverá profissionais de diferentes gerações – Portugal sucumbiu a séculos de atraso depois das grandes navegações e o Império Britânico naufragou perdendo sua posição de proeminência internacional poucas décadas após a sua valorosa revolução industrial;

03. Ele acredita que toda startup necessariamente é uma empresa de tecnologia, ou de games;

04. Ele renega a experiência, no lugar de tentar acumulá-la e ser capaz de absorve-la a partir de profissionais com mais anos de estrada;

05. Ele possui o senso crítico atrofiado, e não consegue observar nas entrelinhas da sua geração as mesmas características que deplora nas gerações anteriores. (Por exemplo: na geração anterior os funcionários eram orientados a transitar pelos corredores e elevadores da empresa trajando paletó e gravata, e ele deplora isso. Mas na sua empresa quem não usar bermuda em um dia quente e ainda assim insistir em não socializar brincando com bolas coloridas em uma sala envidraçada, será sutilmente advertido de que não está correspondendo ao perfil “esperado”, ele não consegue identificar nisso a visceral semelhança entre as duas gerações.

06. É desprovido do conhecimento da história como ciência, (afinal ele deplora a experiência), e observa nisso uma vantagem;

07. Não gosta de enfrentar a realidade. Quando sua empresa sucumbi ao endividamento, ou aos conflitos de sociedade, ele não quebrou ou faliu, apenas passará para uma nova “hipótese” de negócio;

08. Ele renega as gerações mais jovens, então, preso ao passado com uma bola de ferro no calcanhar, não consegue admitir suas virtudes e prodígios, e talvez por isso mesmo crie uma barreira que acaba por barrar a disponibilização das suas próprias virtudes e capacidades;

09. Esquece que a história é cíclica e que os negócios são sempre submetidos aos ciclos econômicos, e por isso mesmo fica eufórico com períodos de bonança, esquecendo-se de que o abismo sempre nos espreita. (Após a primeira guerra mundial, muitos europeus e importantes empresários no mundo afirmavam com convicção de que a “era” das guerras e das destruições em grande escala tinham finalmente acabado e que dali em diante viveriam apenas paz, bonança econômica e êxitos tecnológicos. Esqueceram –se apenas de combinar com os alemães, mas tudo bem);

10. Ele não aceita o próprio envelhecimento e não abre espaço para as gerações mais novas, bloqueando a sua própria capacidade de reciclagem. (O fim político do homem que brilhantemente liderou a Inglaterra no seu momento mais difícil, Winston Churchill, foi melancólico).

Até o próximo.

8 situações que profissionais talentosos de verdade não suportam

Por: Gustavo Chierighini, publisher da Plataforma Brasil Editorial e membro dos conselhos editoriais da  DVS Editora e da Revista Criática.

Caros leitores, sejam vocês empreendedores, executivos corporativos que empreendem dentro das empresas onde estejam lotados, ou mesmo profissionais de qualquer outro setor, e independentemente de qualquer rótulo, precisam concordar com este escriba que não há projeto, negócio, trabalho ou qualquer operação digna de ser qualificada de “competente”, “confiável” ou “eficiente” sem o decisivo impacto do “dedo” de gente competente e talentosa.

Profissionais talentosos

Nada que possa gerar algum valor econômico com o mínimo de relevância pode prescindir disso, e muito já se escreveu sobre como atrair, reter e formar gente talentosa, atividade que por si só também demanda grande capacidade (contrate um selecionador fraco e veja os resultados ao longo de alguns meses, caso queira questionar essa afirmativa). Contudo, pouco se fala das reações a determinadas circunstancias que podem no seu contexto denunciar os falsos talentos. Em resumo, vale a sentença “se está aguentando é porque há algo de errado”.

Então desta vez, listamos algumas situações que gente talentosa (de verdade) não tolera e não suporta por muito tempo. Podem aguentar por um período, alimentados na esperança de tentar provocar alguma mudança, mesmo que em um processo desgastante, mas jamais tolerariam por muito mais do que isso.

Assim, deixemos bem claro que profissionais de primeira linha não aceitam:

01. Remuneração abaixo da sua realidade de mercado, sem perspectivas concretíssimas – além de promessas vagas e jogadas ao vento – de participar de algo maior (exceção justa para aqueles que estão recomeçando depois de um tombo feio);

02. Assédios de qualquer ordem, que tragam agressão à dignidade;

03. Humilhações, desrespeito e destemperos por parte de superiores, sócios ou parceiros descontrolados e de dificílimo trato;

04. A ausência de perspectivas reais de crescimento econômico ou, no mínimo, de relevante aprendizado que por sua vez trará ganhos econômicos no futuro;

05. Se contentar apenas com o reconhecimento;

06. Incompetentes ou mesmo quem coloque “panos quentes” na incompetência alheia;

07. Sacrifícios recorrentes em troca de nada, apenas por lealdade, sem observar a justa recompensa no horizonte (desde que não seja apenas uma miragem, é óbvio);

08. Metas totalmente fora da realidade, e cujo (óbvio) não atingimento represente um atestado formal de incapacidade.

A lista poderia até ser mais extensa, mas se considerarmos isso, desrespeitaremos o universo das exceções que sempre precisam ser levadas a sério.

Até o próximo.

A autossabotagem empresarial em cinco atos

Por: Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial e membro dos conselhos editoriais da  DVS Editora e da Revista Criática.

Caros leitores, desta vez vou mirar as baterias para o cotidiano empresarial, com especial atenção aos erros e equívocos, que de tão comuns e recorrentes, trazem o risco de não provocar a indignação e o incômodo necessários aos empreendedores iniciantes, que pouco a pouco e corajosamente, vão transformando a cara do nosso universo empresarial.

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Tratam-se de situações muito comuns, mas uma vez que sua ocorrência é tolerada e digerida, podem afetar o desempenho e o futuro de iniciativas fantásticas e inovadoras, mas assassinadas no berço pela falta de cuidado e atenção.

Vamos lá:

Ato de auto sabotagem 1 – Um ambiente com comunicação inacessível ou ineficaz. Jamais permita que o toque do telefone ocorra por mais de três vezes sem atendimento. Dou outro lado da linha pode estar um potencial cliente irritado, que depois de escutar o toque por quatro vezes, poderá concluir que foi melhor não ter sido atendido.

Ato de auto sabotagem 1 – O estabelecimento de metas impossíveis. Pode acreditar, eu, você, a sua e a minha equipe possuem limitações. Para evitar que as metas e objetivos traçados não se transformem em peça de folclore, por conta do mais absoluto descrédito, estabeleça apenas aquilo que de fato possa ser realizado. Depois disso cobre com rigor.

Ato de auto sabotagem 3 – A contratação de analfabetos funcionais. Sim eles existem. O analfabetismo funcional pode ser identificado quando profissionais formados em boas escolas e eventualmente dotados de alguma experiência, apresentam desconhecimentos impensáveis para as suas áreas de atuação. Algo como, um gestor financeiro não dominar as práticas da matemática financeira, desconhecer princípios contábeis ou ferramentas e modelos de gestão financeira. Fuja disto.

Ato de auto sabotagem 4 –  A institucionalização da desorganização. Não há nenhum problema em se criar um ambiente de trabalho informal, arejado e livre dos rigores corporativos tradicionais. Muito pelo contrário, estes ambientes podem (vejam bem, podem, mas não garantem nada) propiciar um ambiente de trabalho mais produtivo, agradável e dotado de alta dosagem de criatividade. Outra coisa é a informalidade ocasionar a perda de documentos e informações importantes ou a dificuldade para se localizar contratos.

Ato de auto sabotagem 5 – Um escritório de contabilidade confuso. No caso empresarial, equivale às doenças silenciosas e aparentemente indolores que atacam os seres humanos. É algo que vai corroendo, pouco a pouco e dia após dia, a situação fiscal e os controles internos, fragilizando o aparato administrativo financeiro até se transformar em uma bata quente onde ninguém terá coragem de por a mão.

Diante de uma primeira leitura, pode ser que tudo lhe pareça muito óbvio, mas o problema dos equívocos “óbvios” é que eles passam desapercebidos e camuflados, e com o tempo ganham forma, vida própria, e grande potencial destruidor.

Boa sorte e cuidado.

10 motivos para valorizarmos o fracasso ao longo da carreira

Por: Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial e membro dos conselhos editoriais da  DVS Editora e da Revista Criática.

Meus caros, começo esse texto com uma constatação inevitável: ninguém quer o fracasso. Trata-se de uma verdade! Passamos toda a nossa existência tapeando ou fugindo dele. Eventualmente o sobrepujamos, mas, às vezes, ele nos vence – e detestamos quando isso acontece.

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Contudo, tem sido muito cansativo a forma como a nossa cultura o destrata. O que observo é que sua existência vem sendo recorrentemente esquecida, ou talvez seja a sua importância que é constantemente relegada ao segundo plano. É fato que ou por medo de sua existência ou – e mais provavelmente – pela própria histeria que a busca pelo sucesso provoca, costumeiramente passamos a tratar o fracasso como um doente cuja enfermidade contagiante deve ser tratada em regime de quarentena.

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+ Livros que ajudam você a se desenvolver profissionalmente.

Observem que quase ninguém no universo corporativo ou empreendedor consegue admitir grandes erros, que é o sinônimo de fracasso. Os pequenos e costumeiros são tratados até com certo humor. Mas a derrocada, a grande derrapada, quase sempre é deixada para debaixo do tapete. Ninguém a admite, e é convenientemente esquecida para a manutenção da imagem perfeita e irretocável (mas evidentemente inverossímil).

E desta forma surge um mundo imaginário, com expressões bonitinhas para não assustar criancinhas e mimadinhos de plantão, e onde a experiência não conta e, obviamente, nada é o que parece ser. Uma demissão não é uma demissão, mas uma troca de perspectivas profissionais. A quebra ou falência não é uma quebra ou falência, mas uma hipótese no empreendimento que não deu muito certo (por causa do momento é claro, afinal estamos muito à frente dele, naturalmente). Uma sociedade que se desfaz, na verdade não se desfez, transformou-se em “algo maior” “mais inovador”, blá-blá-blá.

E de espuma em espuma, originadas na grande prateleira da perfumaria do embromation corporativo, pratica-se a grande injustiça de minimizar o valor do fracasso, que ajudaria a formar gente forte de verdade, e que é parte indissolúvel da história real de empreendimentos e carreiras sólidas.

Sendo assim, hoje resgatamos aqui o seu peso, mostrando com clareza a sua contribuição.

01. Com o fracasso, você aprende de uma vez por todas a lidar com as suas fraquezas e ineficiências. Sim, você não é perfeito;

02. Uma vez experimentado, podemos farejar com grande chance de acerto a sua aproximação. Quem já caiu sempre fica mais esperto e ágil;

03. Aprendemos que a experiência dos nossos pares, superiores e subalternos, sejam eles mais velhos ou mais jovens – e independentemente da geração da qual tenham saído (analógicos, x, y, z, w, 2.0 ou 3.0) -, sempre vale muito e precisa ser absorvida;

04. Que trabalhar com quem nunca levou um tombo na vida é um grande risco;

05. Passamos a distinguir prepotência de autoconfiança;

06. Que grande parte da autoconfiança, tão necessária para o sucesso e a tomada de riscos, nasce muitas vezes do enfrentamento do medo, que por sua vez nasce com algumas derrapadas;

07. Aprendemos a não levar muito a sério as pessoas que não têm medo de nada;

08. Que coragem não é não ter medo, mas reconhecê-lo, senti-lo e ainda assim enfrentá-lo;

09. Que podemos nos levantar da maioria dos tombos;

10. Que gente que caiu e depois foi capaz de se levantar vale o dobro, e que não se vivencia o sucesso sem antes fracassarmos de alguma forma.

Até o próximo.

Empreendedorismo: fatos, verdades e equívocos

Por: Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial e membro dos conselhos editoriais da  DVS Editora e da Revista Criática.

Caro leitor, já se foi o tempo em que abrir mão de uma carreira sólida (em areia movediça, é claro) em uma grande empresa para abrir o próprio negócio causava espanto e estranheza. Quando eu mesmo comecei, vivenciei um pouco desse estado.

Estava lá bem instalado em um banco de investimentos, quando decidi seguir a estrada solo do empreendedorismo. Eu me recordo ainda, como se fosse hoje, dos olhares espantados dos meus colegas de MBA ao escutarem o relato da minha decisão. Valeu a pena.

Naquela época (e calma, não faz tanto tempo assim), a expressão “empreendedorismo” pouco era pronunciada, os cursos de gestão e negócios não abordavam o assunto e pouquíssima literatura dedicada existia à disposição.

Contudo, em meio a tanta carência, existia também a falta de algo que nunca é demais faltar no mundo real: os clichês e conceitos, quase sempre desconectados da realidade, empacotados e anunciados com frases pré-fabricadas, pronunciadas por mestres que muitas vezes jamais empreenderam na vida (ou se empreenderam, invariavelmente colecionaram uma leva de quebradeiras travestidas e explicadas por afirmações do tipo “ah, matamos a primeira hipótese e estamos seguindo a segunda”, como se o ambiente de negócios e o universo legal/fiscal vivenciado pelo empresário brasileiro – esteja instalado em São Paulo, no Rio Grande do Sul ou em Manaus – fosse idêntico ao enfrentado na Califórnia, ou em outros polos e regiões no mundo, que para turbinar a livre iniciativa coloca à disposição ambientes extremamente desburocratizados em uma dinâmica pouco punitiva ao fracasso e irrigada com um sistema de crédito amigável).

Sugiro a conversa com um empresário de verdade (que tenha enfrentado crises, consequências pessoais difíceis por conta do caminho que decidiu escolher e perseverado construindo e colocando cada tijolo para erguer algo sólido), independentemente do porte ou setor de atuação, para questionar se este mundo colorido, leve e engraçadinho existe. Ele vai rir de você.

Então, para encurtar esse assunto e provocar um mergulho na realidade, compartilho abaixo alguns fatos bem reais sobre o mundo empreendedor, que vale a pena sim e pode trazer muita realização e bons lucros, desde que saibamos sonhar e ambicionar sem tirarmos os pés do chão.

Vamos lá:

01. Você não enfrentará menos pressão e uma carga de trabalho mais suave ao se tornar dono da sua própria empresa. Ao contrário, a pressão se multiplicará e sua carga de trabalho será exaustiva;

02. Você terá contato íntimo com a loucura burocrática do Brasil. Isso é chatíssimo e tomará um tempo precioso do seu processo criativo. Para compensar, você terá de contar com os finais de semana ou feriados e eventualmente se acostumará a acordar muito mais cedo do que acordava e encerrar seu dia tarde da noite;

03. Nem sempre seus familiares apoiarão da forma que você necessita, a dedicação que terá de dirigir para o seu projeto/negócio;

04. Você de fato vai ganhar liberdade e autonomia, que pode ser muito prazeroso para alguns, mas muitos sofrem com isso. Junto com esses benefícios vem a solidão. O empreendedorismo é sim uma atividade bastante solitária. Ao final do dia, você e seus sócios precisam tomar decisões difíceis, pagar as contas e arcar com as responsabilidades, enquanto seus funcionários vão descansar tranquilamente;

05. Você terá que ser duro muitas vezes e encarar isso com naturalidade para não sucumbir. Nem sempre você vai conseguir manter a máscara do “líder legal” e parecerá muito mais com o “chefe chato”. Não há como escapar dessa dualidade.

06. Caso seja você um empreendedor precavido e com a cabeça no lugar, sua dinâmica de aquisição de bens materiais, conforto e supérfluos vai se reduzir drasticamente, mesmo que já esteja na fase onde ganha mais dinheiro do que ganhava como empregado. O motivo é simples: o seu contato com a realidade econômica e suas consequências em caso de estresse e insucesso passa a ser tão real, que cada gasto é observado com cautela. E, acredite, isso é muito bom.

07. Não se prenda a padrões e clichês estruturais ou de comportamento na construção do seu negócio. Você não precisa ser nem o “líder legal”, nem “o chefe rabugento”, nem o “oráculo visionário do futuro” ou mesmo ambicionar ter uma sala de convivência com jogos e almofadas colorias e bolas de basquete misturadas com raquetes e mesas de pingue-pongue. Tudo isso pode ser muito legal e realmente divertido, mas não pode se transformar em um propósito em si. No lugar disso, seja você mesmo, desde que muito eficiente, e preocupe-se em contar com uma estrutura funcional e organizada de trabalho. Não perca tempo.

08. Muito do que se lê sobre empreendedorismo passa a impressão a um observador com pouca astúcia de que, “no mundo de hoje”, empreender necessariamente relaciona-se com inovação ou inovação tecnológica. Isso é falso, e você não precisa lidar com tecnologia, com a web ou com a inovação necessariamente dita para se tornar um empreendedor bem sucedido. O mundo não pode prosseguir sem agronegócio, fertilizantes, açougues, hotéis, serviços para pets, serviços domésticos, segurança privada, supermercados, lojas de rua (quase nenhuma ou pouquíssimas operações de e-commerce são rentáveis), restaurantes, bares, casas noturnas, serviços de limpeza e lavanderias, estruturas de escritórios compartilhados, iniciativas culturais, produção de conteúdo, cinema, teatro, consultorias presenciais com empenho de cérebros humanos realmente preparados e privilegiados, etc., etc., etc., etc. E naturalmente tudo aquilo que é intrinsecamente ligado à tecnologia da informação e do processamento. Não se enquadre em modelos. Procure trabalhar com o que você gosta de fazer e diferencie-se seja pela exploração de um nicho de mercado, de uma forma nova ou significativamente melhor de atender e trabalhar, pelo atendimento de necessidades reais, ou simplesmente fazendo melhor aquilo que muitos já fazem há séculos.

09. Dependendo do negócio que pretende montar, você não precisará necessariamente de um investidor, seja um “anjo” ou um venture. Necessitará, sim, de alguma reserva para eventualidades e coberturas. Trate o processo de atração de um investidor de risco com o máximo de maturidade e apenas se for mesmo imprescindível.

10. Acostume-se com o fato de que por mais que adore atuar no setor onde decidiu empreender, muitas vezes (cotidianamente) terá de se dedicar a atividades chatas e desagradáveis. Isso faz parte e talvez seja o antídoto para que não se transforme em um compulsivo pelo trabalho e deseje sustentar uma vida pessoal e afetiva satisfatória e totalmente dissociada da sua empresa. Não abra mão desse equilíbrio.

11. Por último, é importante que se entenda que empreender está mais para um estilo de vida que decidiu viver do que para um passeio no bosque. Exigirá paciência, resiliência, sangue frio e força. Não é para qualquer um e não é nada fácil, mas vale muito a pena.

Até o próximo.

Vida empreendedora: as vantagens da ética com sustentabilidade

Por: Cláudia Martinelli, especialista em economia sustentável, e articulista da Plataforma Brasil Editorial

Em tempos em que a falta de ética de diversas instituições públicas e privadas está na pauta dos jornais e nas conversas, é importante lembrar que esse conceito é uma das bases da sustentabilidade. De acordo com Flávia Moraes, consultora de sustentabilidade e professora do Curso de Sustentabilidade e Responsabilidade Social Corporativa da FGV, a “ética é um conjunto de valores morais e princípios que norteiam a conduta humana na sociedade. A ética, embora não possa ser confundida com as leis, está relacionado com o sentimento de justiça social”.

É importante lembrar que a ética está ligada à relação com o outro e este não precisa ser necessariamente um indivíduo próximo ou que viva na mesma época que você. Ao pensarmos eticamente nossa relação com o outro, é importante considerar aqueles que serão afetados direta e indiretamente pelas suas decisões e também como estas afetarão as gerações futuras.

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Quando a empresa tem processos produtivos questionáveis, mantém um relacionamento desigual com seus fornecedores, age de forma desrespeitosa com a comunidade do entorno e/ou não se preocupa com o bem estar de seus funcionários, essa empresa está sendo antiética.

No entanto, nessa análise, precisamos ir um pouco além. Muitas vezes consideramos a empresa como uma entidade independente das pessoas que nela trabalham. Isso faz com que, quando a empresa possui práticas antiéticas, esqueçamos as responsabilidades dos indivíduos envolvidos nas decisões tomadas. Dessa forma, uma empresa é o resultado do conjunto de decisões e ações das pessoas que trabalham nela.

Nos tempos atuais, é importante lembrarmos da nossa responsabilidade com o outro no nosso dia a dia. Como é minha conduta no trabalho, na minha empresa? Como lido com os meus funcionários ou subordinados? Eu tenho práticas que considero antiéticas, mas faço “porque todos os meus concorrentes também fazem” ou “porque é a cultura da empresa”?

A reflexão sobre as decisões éticas individuais, que também se refletirão na empresa, não é apenas uma questão moral. Ela pode ser vista também como uma questão de competitividade. O Relatório Global de Corrupção da Transparency International 2009 aponta diversas vantagens que uma empresa ética pode obter:

• Quando a empresa possui forte governança interna e integridade empresarial, esta gera “dividendos de integridade”, o que contesta a alegação que as instituições não poderiam deixar as práticas antiéticas sem comprometer as possibilidades de negócios.

 Empresas que possuem mecanismos de combate à corrupção e normas éticas sofrem até 50% menos corrupção. Essas empresas também possuem menor probabilidade de perder oportunidades de negócios do que as empresas sem esses programas.

 Muitas empresas com boas práticas de cidadania corporativa muitas vezes superam suas concorrentes.

 Companhias com governança empresarial robusta, localizadas em economias emergentes, estão associadas ao melhor desempenho e à valorização no mercado.

Para finalizar, proponho a você, caro leitor, que examine suas atitudes e decisões dentro da sua empresa, especialmente se você for um empreendedor, e questione se elas estão dentro do que a sociedade e você consideram éticos. O que poderia ser feito para a sua empresa ter práticas mais próximas do seu ideal ético? Esse questionamento periódico ajudará você a ajustar suas ações e terão um reflexo grande no seu entorno.

Até o próximo.

12 pontos que você deve evitar para não destruir o seu plano de negócios

Empreendedorismo

Por: Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial e membro do conselho editorial da DVS Editora.

Caro leitor, caso seja você um empreendedor que está desprovido de capital próprio para tocar a sua ideia e necessita do capital de terceiros, seja ele originado em um venture capital ou em um conjunto de investidores anjo, um Plano de Negócios será peça fundamental para o êxito da captação.

Neste contexto é redundante explorar sobre o quanto de efetividade e clareza devem estar expressos no documento que será elaborado, e é óbvio que ninguém deseja projetar o seu negócio a partir de um Plano de Negócio ineficaz e sem sentido, mas por mais elementar que isso possa parecer, algumas armadilhas no momento de sua concepção, podem resultar justamente no efeito contrário ao desejado.

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Então, já que existem inúmeras publicações que abordam como concebê-los, mas quase nenhuma ou pouquíssimas deixam claro o que não se deve fazer na hora de montar o seu business plan, decidimos caminhar na contramão e exibir justamente o que deve ser evitado a todo custo.

Vamos lá:

01. Ocupe um imenso espaço do conteúdo com informações subjetivas, retóricas e de entendimento abstrato do negócio;

02. Não apresente uma tese clara de investimentos, explicitando objetivos e destinos claros, e nem se preocupe em detalhar o empenho deste capital pretendido;

03. Preocupe-se em conceber um material extenso, com muitas e muitas folhas de papel, sem nem mesmo reservar um breve espaço a um resumo conciso e executivo do negócio. Sim analistas dispõe de todo o tempo do mundo para avaliar uma incógnita;

04. Não esclareça com bom detalhamento as memórias de cálculo;

05. Não apresente um claro estudo de viabilidade econômico-financeiro;

06. Projete apenas por um único ano, no lugar de 5, 6 ou mais anos;

07. Não se preocupe em abordar sobre as possíveis estratégias de saída de um potencial investidor;

08. Não apresente as taxas internas de retorno;

09. Não posicione o negócio no contexto que envolva concorrentes, mercados e segmentações;

10. Conceba uma modelagem financeira engessada que não permita a formatação de novos e adversos cenários;

11. Dedique um bom espaço para a retórica politicamente correta nas empresas. Investidores adoram isso.

12. Carregue no otimismo com as informações que apresentar. Neste caso não se importe em expor fundamentações.

Boa sorte e até o próximo.

Você não precisa falir para ser tornar um empreendedor

Por: Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial e membro do conselho editorial da DVS Editora.

Como se tornar um empreendedor de sucesso

Meus caros, a vida empreendedora pode atrair muito. A lista de motivos é extensa: liberdade profissional, controle da própria agenda, o comando na condução dos rumos do próprio trabalho, a garantia de não ser descartado do mercado quando atingir mais de cinquenta primaveras, a possibilidade de ganhos substanciais, etc, etc, etc.

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Contudo, o senso de sobrevivência financeira vai falar alto (caso seja você um empresário de potencial e dotado de bom senso) e poderá fazer surgir algumas nuvens no seu planejamento. Mas na maioria dos casos não há motivo para desanimo e é bom você saber que é perfeitamente possível iniciar a sua estrada no empreendedorismo sem com isso liquidar suas reservas.

Vejamos:

1. Tente iniciar sua vida de empresário com negócios que demandem o mínimo de investimentos em equipamentos, estoques e estruturas comerciais ou de processamento onerosos;

2. Olhe com carinho para as atividades que podem nascer da sua própria qualificação profissional;

3. Ao montar seu modelo de negócios pense nas estruturas de soluções que sua capacitação pode desenvolver e oferecer;

4. Não se importe em começar com estrutura mínima. Admita a possibilidade de trabalhar em um “home office”, desde de que tenha disciplina para tanto e não seja seduzido pela proximidade da geladeira ou da cama do seu quarto;

5. Analise os serviços de escritórios virtuais disponíveis. Em alguns deles, você poderá contratar a recepção personalizada de uma telefonista que lhe encaminhará os recados e locar, sempre que necessário, uma sala para reuniões;

6. Desenvolva parcerias estratégicas com empresas mais consolidadas e bem instaladas, a partir de uma relação de complementariedade. Isso permitirá o compartilhamento de ambientes corporativos estruturados, além de possibilitar o intercâmbio técnico entre equipes;

7. Tome cuidado com os custos mensais constantes – ou “custeio”, para os mais clássicos. São eles que podem fragilizar a sua sustentação financeira caso não conte com entradas mensais também recorrentes;

8. Esteja pronto para uma jornada de longo prazo;

9. Mas desenvolva fontes de receita para o curtíssimo, o curto, e o médio ou longo prazo;

10. Reúna parceiros de confiança e que compartilhem ideias parecidas. Juntos serão mais fortes e institucionalmente mais respeitados;

11. Seja disciplinado e cuidadoso com a sua disponibilidade de tempo, uma vez que terá que se multiplicar por muitos, a não ser que deseje bancar o custo fixo de dois ou três colaboradores. Nunca a máxima “tempo é dinheiro” fará tanto sentido.
Boa sorte e até o próximo. [Via Revista Criática]

Empresariado em cima do muro: prejuízo na certa

Por: Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial e membro do conselho editorial da DVS Editora.

Caros leitores, relutei muito em retomar a abordagem político-econômica para este texto que agora escrevo, olhando pela janela do meu escritório na região da Avenida Paulista o caldeirão em fogo constante e ameaçando ferver a qualquer momento, por conta do atual panorama. Foi então que concluí ser impossível no momento escapar a essa pulsão, e decidi me render.

Indecisão

E não é com lamento que vejo a sociedade civil acordar da apatia na qual se enfiou em anos recentes, alimentada em seus sonhos (e em muitos devaneios brazuca-megalômanos é verdade) e em suas geladeiras e contas bancárias, por conta de um ciclo econômico e político sem sustentação e que agora se extinguiu, nos mandando a fatura com juros, correção monetária e elevação das taxas tributárias. A vida é assim –  e a história está aí para comprovar-  maluquices ideológicas de esquerda e de direita sempre terminam em frustração, pesar e arrependimento. Contudo, o aprendizado fica, e aprender com isso é uma obrigação.

Porém dessa nossa sociedade tão multifacetada, que os ideólogos de plantão tentam a todo custo rotular como “a elite”, ‘a burguesia”, “os trabalhadores”, “a elite branca”, “a voz das ruas”, “o povo” etc. etc pinça-se um grupo (como tantos outros) que caracterizam o ambiente empreendedor.

Eles estão presentes em todas as classes sociais, mas de uma maneira geral compram riscos, e assumiram um modo de vida onde são os próprios geradores dos meios que resultam no seu sustento ou acúmulo de capital. Mais do que isso, enfrentam o holocausto burocrático no qual o nosso ambiente de negócios se transformou, dão como quase certo a derrota em quase qualquer ação trabalhista que contra eles seja movida, e ainda precisam conviver bem humorados com os estigmas ideológicos (ah me esqueci, precisam participar também de iniciativas sócio-ambientais voluntárias, mesmo que o negócio ocupe uma sala de apenas vinte metros quadrados). Em resumo, essa gente rala –  e sem reconhecimento – mas talvez estejam atuando sem perceber, fortalecendo as iniciativas dos seus próprios algozes, ao não se organizarem.

Sabemos que uma democracia moderna, sólida, próspera e madura depende da atuação equilibrada de todas as forças que politicamente podem se expressar, e se uma destas forças se cala, o conjunto todo se subtrai com o benefício do contraditório desaparecendo. Assim, um empresariado desarticulado tende a permanecer em cima do muro (sim existe uma legião de insatisfeitos e indignados), e sem coesão sofre a diluição dos seus pleitos, que de maneira geral, podem apostar, converge totalmente com a linha da razoabilidade desejada pela esmagadora maioria da população (aqui sem rótulos), ou seja, viver em paz, com liberdade, credores dos serviços públicos que devem se obrigar a ser bons diante da carga tributária exorbitante que pagamos, com instituições fortes que nos protejam de absurdos, maluquices e experimentos ideológicos dogmáticos, e com isso prosperar e fazer prosperar.

Trata-se portanto de uma força política adormecida, ainda em apatia, com setores importantes caindo nas garras da cooptação do poder estatal (esse último acaba sempre dando em cadeia ou em noites mal dormidas regadas a tarjas pretas), tendo que suportar a bota regulatória cada vez mais hostil, impostos opressivos e uma economia por vezes tocada por ineptos condutores de experimentos.

O contrário, resultaria em normalidade, estabilidade, mantendo lubrificadas as engrenagens do pendulo democrático, maior bolo de riqueza a se distribuir pelo trabalho e certamente dias mais amenos.

Até o próximo.

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