Presidente da República Tcheca lança livro no Brasil questionando o aquecimento global

Autoridade alerta para pânico em torno do assunto e afirma que as medidas propostas e aquelas que já foram implementadas irão afetar de maneira radical as vidas das pessoas

“O que está em perigo: o clima ou a nossa liberdade?”. É com esse questionamento que o atual presidente da República Tcheca, Václav Klaus, abre o seu livro Planeta Azul em Algemas Verdes (DVS Editora), no qual discute o aquecimento global colocando em questão a postura imposta ao ser humano e que lhe talha a liberdade. “O ambientalismo é uma ideologia semelhante à religião”, diz ele.

O líder Tcheco não questiona a existência de um processo de alteração do clima, mas discorda da amplitude dada ao problema.

“O problema do aquecimento global tem bem mais a ver com as ciências sociais do que com as naturais, mais com economia do que com climatologia, mais a ver com o ser humano e sua liberdade do que com um aumento na temperatura média global em alguns décimos de grau Fahrenheit”, afirma.

Para Václav Klaus, o aquecimento global tornou-se um tópico extremamente contro­verso. Dos dois lados do Atlântico, o debate transformou-se numa guerra cultural contra a liberdade econômica. Por isso é necessário que pessoas defendam a liber­dade de se renovar tal debate, e assim demonstrar como indivíduos livres podem lidar melhor os desafios que enfrenta a civilização.

“A coerção do politicamente correto, mais severa do que nunca, está ficando cada vez mais forte, e só há espaço para uma verdade, a qual é, mais uma vez, imposta a todos nós”, conclui.

Em Planeta Azul em Algemas Verdes, o presidente Tcheco recorre a estudos de cientistas renomados para afirmar que – ao contrário do que se está querendo fazer entender – diversas atividades econômicas não são causadoras das mudanças climáticas.

Aquecimento global

Sobre Vaclav Klaus

Desde 2003, Václav Klaus ocupa o cargo de pre­sidente da República Tcheca. Deu início a sua carreira política em 1989, como ministro da Fazenda. Em 1991, foi nomeado vice-presidente do governo da República Federal Tcheca. No fim de 1990, tor­nou-se presidente do Fórum Civil que, à época, era a entidade política de maior força no país. Com o fim da instituição, em abril de 1991, foi co-fundador do Partido Democrata Cívico, e ocupou o cargo de pre­sidente do partido até dezembro de 2002.

Václav Klaus ganhou a eleição parlamentar em junho de 1992 e tornou-se Primeiro Ministro da República Tcheca, administrando o “Divórcio de Veludo” da Federação Tcheco-eslovaca. Em 1996, ele conseguiu continuar no cargo de Primeiro Ministro com as eleições para a Câmara dos De­putados. Depois do colapso da coalizão do governo, ele se despediu do cargo em novembro de 1997. Depois de uma eleição geral compulsória, em 1998, ele se tornou presidente da Câmara dos Deputados durante quatro anos. Václav Klaus formou-se pela Universidade de Economia de Praga e recebeu seu título de dou­tor em Economia do Instituto de Economia da Academia Tcheca de Ciências.

Ricardo Felício afirma que o aquecimento global é uma mentira

Segundo Ricardo Felício, que dá aulas de climatologia na USP, o aquecimento global é uma mentira já que não existem provas científicas sobre o fenômeno. Desde que Felício apareceu no Programa do Jô, da TV Globo, no dia 02 de maio de 2012, o vídeo com a entrevista do professor tem sido amplamente compartilhado nas mídias sociais. Assista abaixo.

Aquecimento globalO assunto também já havia interessado Václav Klaus, presidente da República Tcheca, que publicou o livro Planeta Azul em Algemas Verdes (DVS Editora). Klaus, assim como Ricardo Felício, duvida da teoria de que nós estamos influenciando na temperatura do Planeta. O presidente ainda leva o debate ao campo político questionando a privação que o discurso ambientalista propõe – frear a indústria que poluentes na atmosfera, por exemplo.

O tema é realmente controverso e tem sido abordado nas mais variadas esferas da sociedade, no campo acadêmico e na mídia. Provavelmente você já esteve envolvido em discussões em que nasceu a pergunta: o aquecimento global é verdade ou mentira? Continue se aprofundando neste ponto de vista, o compartilhado por Ricardo Felício e Václav Klaus, com a leitura do livro, acesse.

E se tudo o que te disseram sobre mudanças no clima for mentira?

Mudanças climáticas

Harbin International Ice and Snow Sculpture Festival - Festival do gelo em Harbin, China. (Foto: Lukas Hlavac)

Por Václav Klaus, presidente da Rep. Tcheca

Vale a pena começar este capítulo com alguns dados ilustrativos. Entrei em contato com o Instituto Hidrometeorológico da República Tcheca, que havia recentemente publicado um “Atlas Climático da República Tcheca” (Tolasz, 2007) bastante convincente, e pedi a seus pesquisadores que me fornecessem uma série temporal aleatória de uma estação meteorológica com dados de longo prazo sobre temperatura. Recomendaram-me que não escolhesse Praga, e sugeriram, em vez disso, a estação meteorológica de Opava.

Aquecimento-global

À primeira vista, não há nenhuma tendência evidente relativa ao tempo. A temperatura média de Opava durante os últimos 86 anos foi de 8,3°C. Se fizermos uma simples análise de regressão, obtemos um componente tendencial de 0,0028°C por ano. Para os leigos, isto representa um aumento de temperatura de 0,028°C por década e 0,28°C por século. É evidente que a estimativa deste parâmetro não é estatisticamente significativa, e eu gostaria de ressaltar que meu objetivo certamente não era encontrar uma linha ou uma curva que expressasse de maneira representativa os 86 valores desta série temporal. Também estou plenamente consciente de que, quando consideramos um período de tempo relativamente curto, muito do resultado depende da escolha de um começo e de um fim – datas, neste caso, que foram determinadas não por mim, mas pelo Instituto Meteorológico Tcheco. Obviamente, a escolha de um ponto de partida diferente poderia ter levado a resultados diferentes.

É possível “brincar” com o começo – assim como com o final – desta série temporal. Tais mudanças são bastante significativas. É possível obter várias médias móveis. Os meteorologistas usaram a média móvel padrão de 11 anos, pois seu cálculo corresponde ao período da atividade solar. Eu mesmo calculei várias outras, mesmo médias móveis de 30 anos, sem observar mudanças fundamentais nos resultados. A média móvel de 30 anos demonstra temperaturas elevadas a princípio, uma diminuição posterior da temperatura (até os anos 1970), e um pequeno aumento no período final. Para o leitor leigo, provavelmente será mais fácil observar as médias de cada década. Com uma média geral de 8,3°C, a média das décadas 1921-1930 e 1931-1940 é de 8.5°C, nível que foi alcançado novamente em 1991-2000. O único período mais quente que os 20 anos entre 1921 e 1940 é a década incompleta de 2001-2006. Não é minha intenção extrair conclusões gerais destes dados e nem superestimar de modo algum sua importância; eu os apresento apenas como um ponto de partida para ilustrar o problema.

“Quanto mais ‘imprevisível’ parece ser o desastre, mais dinheiro estará à disposição dos cientistas.”

Os resultados de uma análise empírica de mudanças climáticas levada a sério (e também do aquecimento global), a credibilidade dessas análises e – para adicionar mais uma dimensão – a credibilidade da apresentação dessas análises pelos meios de comunicação são completamente diferentes das considerações econômicas ou sociológicas aqui apresentadas. Embora possa ser difícil de acreditar, essas considerações são duas coisas mais ou menos diferentes.

Patrick J. Michaels, ex-presidente da American Association of State Climatologists (Associação Americana de Climatologistas), desafia – em minha opinião, de forma bastante convincente – o fenômeno do aquecimento global em seu livro Meltdown: The Predictable Distortion of Global Warming by Scientists, Politicians, and the Media – 2004 (Colapso: A Previsível Distorção do Aquecimento Global por Cientistas, Políticos, e a Mídia, na tradução livre). Ele apresenta três perguntas elementares que dão uma estrutura racional a todo o problema:

• Há um aquecimento global?
• Em caso afirmativo, ele foi causado por seres humanos?
• Em caso afirmativo, podemos fazer algo a respeito?
Poderíamos acrescentar uma quarta pergunta: um aumento moderado de temperatura no futuro faria diferença?

Um renomado cientista americano, S. Fred Singer (2006), levanta questões bastante semelhantes em seu ensaio The ‘Climate Change’ Debate (O Debate sobre a Mudança Climática, na tradução livre):

• Há indícios – pró ou contra – de significativa contribuição humana para o aquecimento global atual?
• Um clima mais quente seria melhor ou pior que o clima atual?
• Podemos de fato fazer algo quanto ao clima?

Esse e muitos outros autores chegam a conclusões diametralmente opostas às que são politicamente corretas ou estão na moda hoje. Tais autores também tentam apurar o que está por trás das diferenças existentes. Eles não acreditam que grande parte da disputa tenha a ver com a ciência propriamente dita. Em seu último estudo, Michaels (2006, 1) examina cuidadosamente “tanto os recentes relatórios científicos sobre mudanças climáticas quanto a comunicação desses relatórios” ao público. Acrescento que este artigo foi publicado antes do relatório Stern (2006) completo, mas entre a publicação de seu resumo político e a publicação do resumo político do quarto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (Intergovernmental Panel for Climate Change, ou IPCC) (IPCC, 2007).

O problema fundamental, segundo Michaels, reside na grande discrepância entre os relatórios científicos originais e a apresentação pública destes resultados pelos meios de comunicação. O resultado é a disseminação em massa, aparentemente deliberada, de meias-verdades (ou mesmo mera desinformação) por parte dos meios de comunicação, muitas vezes com o propósito primordial de aumentar ao máximo o generoso financiamento público para pesquisas sobre desastres em potencial. Quanto mais “imprevisível” parece ser o desastre, mais dinheiro estará à disposição dos cientistas.

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Aquecimento global

Václav Klaus: “A mudança do clima não depende dos humanos ”


O presidente da República Tcheca diz que os cientistas sofrem pressão política para defender o aquecimento global e que os céticos são boicotados.

Por MARGARIDA TELLES, matéria originalmente publicada na revista Época.

Václav Klaus

Quem é

Presidente da República Tcheca desde 2003, reeleito em 2008. É formado em economia pela Universidade de Praga e pós-graduado pela Universidade Cornell, EUA

O que fez
Foi primeiro-ministro do país entre 1992 e 1997 e cofundador do Partido Cívico Democrático, de centro-direita

O que publicou
Lançou o livro Planeta azul em algemas verdes, da DVS Editora

Václav Klaus é uma das figuras políticas mais controversas da União Europeia. Presidente da República Tcheca, é um ferrenho defensor do liberalismo. Ele atribui a crise europeia ao excesso – e não à escassez – de regulação da economia. Klaus também acredita que o aquecimento global não é causado pelos humanos. E que o fenômeno não deve ser considerado nas políticas de governo. No livro Planeta azul em algemas verdes, lançado no Brasil em 2010, o economista afirma que seria mais conveniente priorizar o enriquecimento dos países antes de destinar fundos à questão climática. Segundo ele, no futuro, possivelmente teremos mais recursos tecnológicos para enfrentar o desafio. Diz também que há um boicote aos pequisadores céticos. Ele acusa os ambientalistas de colocarem em risco a liberdade, a democracia e a economia dos países. Compara o boicote aos cientistas céticos às práticas do antigo regime comunista. Klaus concedeu a entrevista por e-mail.

ÉPOCA – Por que o senhor afirma que o debate sobre o aquecimento global dá importância a apenas um dos lados?

Václav Klaus – Entrei no debate do aquecimento global no meio da década passada, quando percebi que a voz dos economistas era quase nula. Bem antes disso, porém, a ideologia do ambientalismo já era um problema. Um exemplo foram os prognósticos do infame Clube de Roma (grupo de intelectuais que fez projeções sobre desenvolvimento sustentável nos anos 70). Minha primeira discussão na TV com Al Gore (ex-vice-presidente americano) sobre a incoerência do aquecimento global produzido pelo homem ocorreu em Nova York, em fevereiro de 1992, alguns meses antes da Eco 92, no Rio de Janeiro.

ÉPOCA – As maiores organizações científicas, como a Associação Mundial de Meteorologia, a Sociedade Real Britânica para a Ciência, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e o IPCC, painel da ONU para o clima, afirmam que o aquecimento global é causado pelo homem e coloca a civilização em perigo. Estão todas erradas?

Klaus – A ciência é feita por cientistas, e não por centros de pesquisas, muitos deles politicamente engajados. O IPCC não é um centro de pesquisas, mas uma organização altamente politizada sob os auspícios da ONU. O Hadley Center (principal instituto de meteorologia e clima britânico) não é uma organização neutra, mas um grupo de ativistas pró-aquecimento global. No MIT há cientistas do lado do alarmismo do aquecimento global. Mas há também os que estão contra. O físico da atmosfera Richard Lindzen, professor de meteorologia no MIT, é um deles. (Lindzen diz que os cientistas fazem declarações ambíguas, a imprensa as torna alarmistas e os políticos sustentam a mentira.) A Sociedade Real também não é um centro de pesquisas. É um agregador de diversas organizações científicas.

“Como ex-cientista, acredito na ciência, mas estou em alerta quanto ao mau uso desses dados pelos políticos “
ÉPOCA – Se os maiores centros de pesquisas do mundo não são confiáveis em relação ao aquecimento global, devemos pressupor que estão errados em outros assuntos?

Klaus – Não é preciso olhar desse modo. Nenhuma pessoa racional questionaria a ciência em si. Pessoas como eu não têm problemas com a ciência, mas com a ciência politizada. Como ex-cientista, acredito na ciência, mas estou em alerta quanto ao mau uso da ciência na política e pelos políticos.

ÉPOCA – Os cidadãos de seu país compartilham sua opinião sobre o aquecimento global?

Klaus – Os tchecos são bem racionais. Nas pesquisas de opinião, a porcentagem dos que acreditam na doutrina do aquecimento global está abaixo dos 50%.

ÉPOCA – O senhor afirma que a natureza sempre conseguiu se adaptar às mudanças climáticas que ocorreram na história da Terra. Mas, agora, segundo as previsões, as mudanças no clima serão mais rápidas. Segundo alguns estudos, as florestas de 70% das regiões teriam de migrar 1.500 metros por ano para acompanhar as alterações nas zonas climáticas. Como elas conseguiriam isso?

Klaus – Nunca vi evidência de que há uma aceleração das mudanças no clima. Isso é um argumento apenas dos ideólogos do ambientalismo. Os dados não provam isso. A média global da temperatura na Terra subiu 0,74 grau no último século. É totalmente irresponsável espalhar dados falsos e enganosos (o relatório do IPCC afirma que a temperatura pode subir até 4 graus ao fim deste século).

ÉPOCA – Nicholas Stern, ex-economista-chefe do Banco Mundial e ex-secretário do Tesouro britânico, fez o mais completo levantamento dos custos das mudanças climáticas. Segundo ele, se não fizermos nada, o impacto do clima nos faria perder, ao menos, 5% do PIB mundial todos os anos. Ele está errado?

Klaus – O senhor Stern está, para minha tristeza, errado. Seu “relatório” não é um texto científico, mas sim um panfleto tendencioso sobre o aquecimento global. Ele argumenta que, se a humanidade não fizer nada, o PIB mundial em 2100 será 5% mais baixo do que seria sem nenhum aquecimento global. Nicholas Stern assume que o PIB mundial estará oito vezes mais alto que agora em países em desenvolvimento. E que a riqueza em países em desenvolvimento será aproximadamente cinco vezes maior do que a riqueza dos países desenvolvidos hoje.

ÉPOCA – O senhor diz que há uma campanha para silenciar as vozes que se elevam contra os ambientalistas. O senhor já foi censurado?

Klaus – Como presidente de um país tenho privilégios a esse respeito. É mais fácil para quem censura complicar a vida de outras pessoas que estão a meu redor. É também uma ironia da história ser mais fácil para os cientistas publicarem críticas à doutrina do aquecimento global quando eles estão aposentados, porque assim eles não correm o risco de ter problemas com seu emprego, promoções, publicações etc.

ÉPOCA – Se há cientistas que dão palestras e escrevem livros contra as políticas para combater as mudanças climáticas, como afirmar que há censura?

Klaus – Não uso o termo “censura”. Estou me referindo à não publicação ou à publicação tardia de artigos sérios, trabalhos de cientistas promissores que são simplesmente dispensados. Isso me lembra os procedimentos usados no regime comunista de meu país.

ÉPOCA – O senhor não acredita que é necessário limitar as emissões de gases responsáveis pelo aquecimento global, como o gás carbônico?

Klaus – Certamente não. Promover essa ideia é um engano trágico em muitos aspectos. Primeiro, porque o gás carbônico não é um poluente. (O gás está presente naturalmente na atmosfera, mas o excesso, segundo cientistas, está relacionado às mudanças climáticas.) Em segundo lugar, eu não acredito – e não estou sozinho – que as emissões de gás carbônico geradas pelo homem sejam responsáveis pelo aquecimento global. As restrições não vão acabar com as flutuações climáticas.

ÉPOCA – Como o senhor vê acordos internacionais, como o Protocolo de Kyoto, que limitam a emissão dos países e permitem a troca de créditos entre eles?

Klaus – A troca de emissões é um mero jogo com o mercado. É o Estado jogando com o mercado. A experiência da República Tcheca com o comunismo mostrou que não se deve brincar com o mercado.

ÉPOCA – O senhor pretende escrever um novo livro?

Klaus – Eu escrevo artigos e dou palestras sobre o aquecimento global praticamente o tempo todo. Há teorias e argumentos novos sobre o aquecimento global. Estou ciente de todos eles, mas não vejo nenhum novo argumento para me motivar a escrever um novo livro dedicado ao mesmo assunto. Estou convencido de que os “bons e velhos” argumentos ainda são suficientes.

 

 

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O que está em perigo: o clima ou a nossa liberdade?

O que está em jogo é a liberdade do ser humano/ O ambientalismo é uma ideologia semelhante à religião/ Ele também tem várias semelhanças com o marxismo/ O debate do autor com Al Gore e a crítica às obras de Al Gore/ A importância da economia para o debate

Por Václav Klaus

Há algum tempo venho falando e escrevendo a respeito do meio ambiente, mas de maneira não muito organizada. E há tempos desejo apresentar ao público em geral as opiniões bastante complexas que tenho a respeito do atual debate sobre o meio ambiente em geral (o qual se dá de maneira bastante injusta e irracional) e sobre o aquecimento global, em particular. Esse é um debate cada vez mais se parece com uma disputa ideológica e política, mas somente quando serve de substituto para outras questões — e este problema é algo que pretendo salientar nesta obra.

Os temas comuns dessa disputa (ou talvez confronto) estão claramente relacionados à liberdade do ser humano, e não ao meio ambiente. Tais temas são mais relevantes para os países desenvolvidos e comparativamente ricos do que para os menos desenvolvidos e mais pobres, onde as pessoas costumam enfrentar problemas mais imediatos. Mas é certo que esses países mais pobres enfrentam um perigo ainda maior: o de saírem lesados nesta briga, a qual eles nem mesmo começaram. Tais países são agora reféns dos ambientalistas, que sugerem pôr fim ao progresso humano, pagando por isso um custo muito elevado. As vítimas finais serão os mais pobres. Além disso, já existem propostas de leis e medidas que, até o momento, não surtem nenhum efeito significativo. Como muito bem salientou Bjørn Lomborg (2007), implementar todas as recomendações propostas por Al Gore (à custa de grandes gastos) acarretará resultados pífios: graças ao suposto aumento do nível do mar, os habitantes da parte litorânea de Bangladesh irão se afogar não em 2100, mas em 2105, caso as catastróficas estimativas atuais de fato venham a ocorrer! É por isso que Lomborg está, como eu, convencido de que devemos agir de modo completamente diferente, fazer algo que possa trazer resultados concretos.

 

 

Não seria a única esperança para o nosso planeta que as civilizações do mundo industrializado entrassem em colapso? E não seria nosso dever levar isso a cabo?

 

Maurice Strong

Presidente do Conselho das Nações Unidas para a Universidade da Paz e criador do Protocolo de Kyoto

(citado em Horner, 2007)

 

 

Antes de continuar, gostaria de deixar claro que estou de pleno acordo com as opiniões dos liberais clássicos, um grupo de seres humanos que está, ele mesmo, à beira da extinção. Os liberais clássicos estão certos em insistir que a maior ameaça para a liberdade, a democracia, a economia de mercado e a prosperidade, ao fim do século XX e no começo do século XXI, não é mais o socialismo (e certamente também não a sua versão mais radical, a qual nós, tchecos, viemos a conhecer de perto na era comunista). A maior ameaça, na verdade, é a ambiciosa, inescrupulosa e bastante arrogante ideologia do ambientalismo. O ambientalismo é um movimento político que originalmente teve início com a ideia de proteção do meio ambiente — uma meta pouco pretensiosa e talvez até mesmo genuína —, mas que gradualmente transformou-se numa ideologia quase sem nenhum vínculo com a natureza.

Em tempos recentes, essa corrente ideológica tornou-se a principal alternativa a ideologias que basicamente estão em busca da liberdade. O ambientalismo é um movimento que pretende mudar radicalmente o mundo, independentemente das consequências (ao custo de vidas humanas e de restrições severas sobre a liberdade individual). Pretende mudar a humanidade, o comportamento humano, a estrutura da sociedade, o sistema de valores — tudo, em suma.

 

Toda vez que alguém morrer por causa de uma enchente em Bangladesh, deveríamos pegar um desses executivos das empresas áreas, arrastá-lo para fora de seu escritório e afogá-lo.

 

George Monbiot (2006)

Jornalista britânico do jornal The Guardian

 

 

Para evitar mal-entendidos, gostaria de esclarecer que meu objetivo não é dar opiniões pessoais sobre as ciências naturais ou a Ecologia como ciência. O ambientalismo, na verdade, nada tem a ver com as ciências naturais. E, o que é pior, infelizmente ele nada tem em comum com as ciências sociais, muito embora opere na mesma área que elas. Neste aspecto, o ambientalismo demonstra a total inocência de (alguns) cientistas naturais que aplicam princípios científicos à sua própria disciplina, mas que descartam completamente tais princípios sempre que passam a outra área de estudo.

 

Sobre Václav Klaus

Desde 2003, Václav Klaus ocupa o cargo de presidente da República Tcheca. Deu início a sua carreira política em 1989, como ministro da Fazenda. Em 1991, foi nomeado vice-presidente do governo da República Federal Tcheca. No fim de 1990, tornou-se presidente do Fórum Civil que, à época, era a entidade política de maior força no país. Com o fim da instituição, em abril de 1991, foi co-fundador do Partido Democrata Cívico, e ocupou o cargo de presidente do partido até dezembro de 2002.

Václav Klaus ganhou a eleição parlamentar em junho de 1992 e tornou-se primeiro-ministro da República Tcheca, administrando o “Divórcio de Veludo” da Federação Tcheco-eslovaca. Em 1996, ele conseguiu continuar no cargo de primeiro-ministro com as eleições para a Câmara dos Deputados. Depois do colapso da coalizão do governo, ele se despediu do cargo em novembro de 1997. Depois de uma eleição geral compulsória, em 1998, ele se tornou presidente da Câmara dos Deputados durante quatro anos. Václav Klaus formou-se pela Universidade de Economia de Praga e recebeu seu título de doutor em Economia do Instituto de Economia da Academia Tcheca de Ciências.

 

 

Aumenta polêmica sobre aquecimento do planeta

Aquescimento Global, Planeta Azul em Algemas Verdes

A preocupação ambiental é movimento justo, em defesa da natureza e do ser humano, ou uma ação política contra a industrialização de países emergentes?

artigo publicado originalmente por S. Barreto Motta em Momento Mercantil.

O tema se torna cada vez mais polêmico. O presidente da República Tcheca, Václav Klaus, aborda o problema, sem papas na língua, no livro Planeta Azul em Algemas Verdes, que está sendo lançado no Brasil. Afirma que o ambientalismo é “ideologia semelhante à religião”. “O problema do aquecimento global tem bem mais a ver com as ciências sociais do que com as naturais, mais com economia do que com climatologia, mais a ver com o ser humano e sua liberdade do que com um aumento na temperatura média global em alguns décimos de grau Fahrenheit”, afirma.

Para ele, o aquecimento global tornou-se um tópico extremamente controverso. Dos dois lados do Atlântico, o debate transformou-se numa guerra cultural contra a liberdade econômica. Por isso é necessário que pessoas defendam a liberdade de se renovar tal debate, e assim demonstrar como pessoas livres podem lidar melhor os desafios que enfrenta a civilização. Acrescenta: “A coerção do politicamente correto, mais severa do que nunca, está ficando cada vez mais forte, e só há espaço para uma verdade, a qual é, mais uma vez, imposta a todos nós”. Em Planeta Azul em Algemas Verdes, o presidente tcheco recorre a estudos de cientistas para afirmar que diversas atividades econômicas não são causadoras das mudanças climáticas.

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Uma voz destoante sobre a questão climática

Vaclav_Klaus

Sim caros leitores, surge no horizonte uma liderança que tenta marchar na contra corrente dos conhecidos “lugares comuns” sobre a questão climática e seus efeitos.

Por Gustavo Chierighini, postado originalmente em baguete.

Evidentemente não se trata da única voz dissidente, mas dessa vez é a de um chefe de estado. O Sr. Václav Klaus, presidente da República Tcheca.

Sua abordagem virá em forma de livro, a ser lançado no Brasil nos próximo dias pela DVS Editora, com o título Planeta Azul em Algemas Verdes.

“O que está em perigo: o clima ou a nossa liberdade?” é com esse questionamento que o autor abre o seu livro, no qual discute o aquecimento global colocando em questão a postura imposta ao ser humano e que lhe talha a liberdade. “O ambientalismo é uma ideologia semelhante à religião”, diz ele.

No seu livro, o líder Tcheco não questiona a existência de um processo de alteração do clima, mas discorda da amplitude dada ao problema.

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Campanha “10:10 – Sem Pressão” radicaliza discurso ambientalista

* Obs. Esse vídeo é dotado de um humor britânico, muitas vezes considerado ácido demais se comparado aos padrões brasileiros e de outras culturas em geral.

Uma campanha intitulada 10:10 – Sem Pressão para o incentivo ao corte nas emissões de carbono na Inglaterra tem provocado certa polêmica. Os ingleses vêm sendo instigados pelo Governo, para cortar 10% das emissões de CO2 esse ano ainda, mas muitos não aderiram ao projeto. Para chocar de vez a população, foi lançada essa campanha, com muitas estrelas britânicas como: Gillian Anderson, Peter Crouch, Ledley King e David Ginola.

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