6 clichês do empreendedorismo que são tão vazios quanto uma bolha de sabão

Por: Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial e membro do conselho editorial da DVS Editora.

Meus caros, com um ano novinho pela frente, nada seria mais natural para gestores e empreendedor, do que um exame cuidadoso das táticas e métodos a serem adotados na jornada que se inicia.

Em meio a modinhas e inovações requentadas de última hora, ninguém quer experimentar o fracasso (muito embora, este seja de um valor didático inestimável), evidentemente que 10 entre 10 profissionais buscam o êxito nos seus empreendimentos e projetos, e neste caso fazer melhor, ou fazer diferente, pode ser justamente a peça do quebra-cabeça a faltava para uma execução brilhante e singular.

Clichês do Empreendedorismo

Contudo, para o que o tiro não saia pela culatra, vale a pena atentar para algumas realidades. A regra geral é a de que não há regra, a não ser o valioso e atemporal “bom senso” que é primo irmão do “senso crítico” e primo de segundo grau da saudável desconfiança.

Desta vez faremos a nossa abordagem a partir de alguns clichês muito propalados, mas que merecem um olhar de lupa. Vejamos:

1. “Líderes induzem, mas jamais dizem o que deve ser feito”
Sim, estamos na era onde as habilidades de liderança pouco a pouco diluem as antigas capacidades dos antigos chefes. Tudo bem, mas um líder que não consegue exercer nenhum comando nos momentos críticos, ou nos pontos de inflexão (muitas vezes cotidianos ou semanais, dependendo da atividade) pouco vai servir para levar a cabo um projeto ou empreendimento ambicioso. Além do mais, convenhamos, se todos são líderes, quem vai dizer o que deve ser feito? Ou melhor, se ninguém disser o que deve ser feito, teremos que contar com uma organização onde as pessoas se movimentam e atuam de forma automática e em absoluta sintonia de adivinhação?

2. “Toda inovação é bem vinda”
A afirmação é linda, e muitas vezes bate com a realidade, principalmente naqueles casos de aplicação tecnológica imediata na vida cotidiana (muito comum no universo das tecnologias da informação, das telecomunicações, de saúde, da construção civil, ou de transporte). No entanto, quando a inovação ocorre no mundo dos conceitos e práticas de conduta, de novo, um olhar de microscópio, pode proteger você do desperdício de tempo e de dinheiro. Por um simples motivo: aquilo que pode ser excepcionalmente aplicável em uma empresa, pode ser destrutivo em outra. Práticas que tornam o trabalho mais produtivo em um organização, podem travar completamente outros ambientes. A singularidade produtiva de cada caso, negócio ou projeto, deve sempre nos impor a necessidade e a coragem de criticar padrões empacotados. Sem isso nos transformamos em micos corporativos a inspirar as tirinhas de Dilbert. (em tempo, o nazismo foi na sua época entendido como uma inovação do pensamento político)

3. “A disciplina mata a criatividade”
Esta afirmação é tão vazia e sem nexo que vou resumir o comentário sugerindo para aqueles que acreditam nela um pouco de leitura sobre a vida e a obra de Leonardo DaVinci;

4. “Agora que a crise está passando, enfrentaremos anos de bonança”
De todos os clichês mais comuns, esse é um dos mais perigosos. Ele esconde a realidade de que é justamente a bonança, construída com disciplina econômica, planejamento criteriosos e muito, mas muito dever de casa bem feito. Quando esses elementos são deixados de lado em função de uma crença exageradamente otimista no futuro, o que se colhe recebe o nome de “crise econômica”;

5. “Larguei a vida corporativa para tocar meu próprio negócio e com isso levar uma vida mais equilibrada” 
Poucas afirmações são tão desconectadas da realidade do que essa, a não ser que o empreendedor em questão seja de mentirinha. Empresários de verdade invariavelmente sacrificam, e muito, a vida pessoal e seu equilíbrio em prol dos seus sonhos e projetos, colhendo no dia a dia algumas aflições, uma boa dose de ansiedade, medo controlado dos perigos inerentes à aventura – e saiba que quem não tem medo, ou é louco ou é infantil – ou não sabe com o que está lidando. E mesmo assim, com tudo isso, ainda preferem viver nesse redemoinho. Sim, não se pode ter tudo na vida;

6. “Investidores gostam de risco”
Pode ser, talvez o investidor ficcional retratado em alguma obra cinematográfica ou da dramaturgia. Investidores de verdade fogem dos riscos e das incertezas. Porém como é impossível evitá-los, aprendem a aplicar seus recursos em cenários compostos pela melhor composição de riscos/ incertezas. Não é por outro motivo que governos muito interventores da economia e que a todo momento mudam as regras do jogo acabam por afugentá-los. O resultado? Como sempre, “crises econômicas”.

Até o próximo.

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