7 Mitos do desenvolvimento profissional

Por: Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial e membro do conselho editorial da DVS Editora.

Caros leitores, hoje navego pela seara corporativa, mas fiquem tranquilos, não trarei para este ambiente nenhum novo cosmético empresarial. Então, inicio com uma constatação: por maior que seja a disponibilidade de informação nos dias de hoje, e por mais facilitado que seja o seu acesso, aparentemente, nada contém a multiplicação dos mitos relacionados ao universo profissional e do desenvolvimento de carreiras.

Ninguém escapa a sua força. Empreendedores iniciantes ou veteranos, executivos em início de carreira ou calejados profissionais lotados no topo das hierarquias. Todos, praticamente ao mesmo tempo, são assediados pela fábrica de “verdades” absolutas.

Enquanto alguns as absorvem cegamente sem contestar (mesmo quando a “verdade” de hoje, contradiz a de ontem), outros mantém o senso crítico, e optam pela sempre inexpugnável lógica em suas avaliações.

Sendo assim, e cientes de que seguir a manada nunca foi diferencial para ninguém, destacamos abaixo alguns mitos (e expressões que comumente antecipam o anúncio dos mitos) que deveriam ser colocados contra a parede sempre que surgirem no nosso universo profissional.

1. “Agora a nova onda é”. Entenda, a nova onda de hoje, é a velha onda de amanhã. Portanto, aqui, recomenda-se cautela e caldo de galinha. Antes de embarcar na nova modinha pense se existe nela algum sentido, ou melhor, se as várias “ondas” na verdade não vão acabar convivendo harmoniosamente (ou se algumas simplesmente não fazem qualquer sentido).

2.  “O Trabalho em equipe resolve tudo, e portanto não precisamos mais de chefes”. Isso não é verdade. O trabalho em equipe é importante e saudável, mas não resolve tudo. Em muitas situações (mas muitas mesmo) o exercício de um poder vertical que decide de cima para baixo, mesmo que ponderado com alguma consulta, é mais efetivo, eficiente e custoso do que outros métodos de decisão.

3. “A disciplina corporativa mata a criatividade”. Mentira. Leonardo da Vinci, um dos maiores inventores de todos os tempos era um homem disciplinadíssimo. É lógico que o excesso de regulação interna pode mesmo abafar as forças de inovação, mas indisciplina em excesso pode simplesmente resultar em pura bagunça e desorganização (e nenhuma criação).

4. “Toda inovação é bem vinda”. Esta afirmação jamais pode ser encarada como verdade absoluta. O Nazismo já foi considerado por muitos como uma inovação política libertadora, e deu no que deu. Tudo sempre dependerá do referencial. Sem senso crítico, a inovação (que muitas vezes é realmente bem vinda) pode ficar desprovida das devidas calibragens e ajustes de aplicabilidade, e com isso se tornar apenas em mais uma novidade pela novidade, sem efetividade real e desacompanhada dos resultados que a justifiquem.

5. “Habilidade de liderança é essencial para crescer profissionalmente”. Outra mentira. Existem inúmeros (e necessários) caminhos de desenvolvimento de carreira não verticais. Muitos profissionais são absolutamente inabilitados para a liderança, mas possuem conhecimento técnico essencial às empresas.

6. “O bom executivo é generalista”. Atualmente é impossível ser totalmente bem sucedido formado apenas em platitudes. Sim ,é essencial dominar uma ou duas áreas do conhecimento de gestão.

7. “Quem penas muito realiza pouco”. Outra inverdade. Muitas vezes quem pensa bastante usufrui das conclusões alterando projetos, calibrando conceitos e ajustando implantações em um processo que inicialmente podem consumir algum tempo adicional, mas que a final protegem o conjunto da obra em uma resultante mais conclusiva resoluta.

Existem muitos outros mitos, e muitos outros podemos criar com facilidade, mas o que conta no frigir dos ovos é compreendermos que verdades absolutas não existem, assim como não existe o monopólio do conhecimento sobre os caminhos a seguir. No fim das contas o que vale é aquilo que funciona.

Até o próximo

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8 dicas para sua empresa chegar sã e salva a 2016

Por: Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial e membro do conselho editorial da DVS Editora.

Caro leitor, por favor não me jogue pedras, é evidente que não quero atrasar a sua vida em dois anos, mas a realidade precisa ser encarada. E de frente.

Contudo, caso não esteja acompanhando as análises econômicas (praticamente unânimes) e os prognósticos de alguns destacados representantes da classe empreendedora brasileira, eu mesmo afirmo com segurança: provavelmente não enfrentaremos nenhum vendaval, mas certamente atravessaremos uma boa ventania antes de nos depararmos com um ano novinho em folha, onde poderemos avançar com segurança.

Sim meu amigo, considerando o ano atual, estagnado diante do marasmo econômico e em ponto morto por causa das eleições e da expectativa do impacto (político e econômico) da copa, o próximo (2015) será o ano dos ajustes difíceis.

Nada mais natural, depois da euforia dos últimos anos, e das bobagens governamentais que desestabilizaram o processo econômico, o dever de casa grita para ser feito. E então, caso sejamos bem sucedidos nos ajustes e sortudos diante das políticas do novo governo que virá (seja ele encabeçado por quem quer que seja), teremos um 2016 mais interessante. Convenhamos já era hora.

Sendo assim, e conscientes de que dois anos passam muito rápido, e é claro, sem deixar de lado as oportunidades que todas as fases difíceis também nos trazem – principalmente para empresas pequenas com grande participação  de mercado para se conquistar – listamos abaixo alguns cuidados e precauções para enfrentarmos a ventania que se aproxima.

1. Não deixe de investir, é nessa hora, em que os ativos se depreciam em valor que se aproveita para apostar no futuro (isso sem dúvida funciona melhor, caso você tenha tomado o cuidado em manter alguma liquidez de recursos);

2. Separe claramente o que é investimento do que é custeio (gastos correntes). Isso é fundamental para uma gestão financeira eficiente – que por si só é essencial em qualquer época, mas nas fases difíceis torna-se vital;

3. Controle os custos com rigor. Em épocas de trovoadas, não se gasta com o que não é necessário (por isso você separou o custeio do investimento, lembra?). Um bom caminho é combater hábitos de consumo desnecessários. A velha e rasgada pergunta sempre será útil: “Nós precisamos mesmo disso?”;

4. Fuja das soluções cosméticas e das modinhas de gestão. A hora é de assertividade, objetividade, eficiência e boas métricas;

5. Deixe um pouquinho de lado essa chatice da ditadura do politicamente correto e endureça o seu coração. Sim, descarte colaboradores incompetentes. Simples assim. É duro? Sim, mas quem disse que não seria em algum momento?

6. Ajuste o seu planejamento. Observe se ele não está muito distante do cotidiano operacional (a frente de batalha), e corte as costumeiras gorduras retóricas. E a propósito, aproveite para nunca mais permitir que retornem ao documento. Este precisa ser levado a sério e operado como um instrumento de gestão constante.

7. Se sentir necessidade, calibre o posicionamento do seu negócio. Ajuste linhas de produtos e serviços e avalie criticamente a política de preços. Caso conclua que existe a necessidade de mudanças muitos fortes, implemente-as. Essa é a hora. Lembre-se, você precisa sobreviver ao desembarque para atingir a praia em 2016.

8. Mantenha o ânimo e não desista dos seus sonhos. Esta não será a última crise que enfrentará. Siga em frente, sem esquecer do aprendizado que ela vai gerar.

Até o próximo.