Reflexões sobre a economia para 2016

Por: Gustavo Chierighini, publisher da Plataforma Brasil Editorial e membro dos conselhos editoriais da DVS Editora e da Revista Criática.

Meus caros, passado o período de festas, e depois de um ano tão animado e feliz como foi o de 2015, pensei que seria salutar começar 2016 com algumas reflexões importantes.

Esteja você empolgado (vejam, períodos de crise podem sim representar a abertura de oportunidades, e isso não é um clichê chinês) ou aturdido com os acontecimentos, ventos e as decisões que emanam de Brasília, o fato é que teremos de sobreviver.

Mais do que isso, enquanto a sobrevivência vai se impondo, vale a pena repensar alguns tópicos atemporais, sempre válidos tanto para a bonança, quanto para a derrocada.

Contudo, para deixar bem claro, sim, tenho lado bem definido, e embora não me classifique como um liberal radical, defendo aqui assumidamente a doutrina a partir de uma narrativa liberalizante – com força para se perpetuar ao longo do tempo – que empodere o universo privado, que na minha concepção se estende do banqueiro e grande industrial, à Dona Silvia que é manicure e decidiu abrir o seu salãozinho em uma portinha na comunidade em que vive (e ela também massacrada pela burocracia, pelas chatices, burrices e incompetências sempre presentes na ação stalinista do autoritarismo de grande parte dos agentes públicos no Brasil – em todas as esferas e independentemente da legenda governante de plantão, para deixar bem claro).

Sim, sim, existem exceções, naturalmente. E elas são honradíssimas, e também raríssimas.

E para os politicamente corretos e bons mocinhos de plantão, deixo um tapa, afirmando que acredito piamente que neste arco extenso da sociedade civil, Dona Silvia, donos de bancos e de indústrias são igualmente importantes, necessários e merecedores de atenção, sem absolutamente nenhuma distinção).

(Aqui vale uma observação sobre 4º parágrafo, a expressão “empodere” é mesmo meio chatinha. Na verdade nem acredito que escrevi isso, até porque não gosto desse papo de empoderar forçosamente. Considero um mimo excessivo, e acredito que poder e voz ativa se conquistam em combate e ponto final. Mas dessa vez vou mantê-la lá em cima, já que a iniciativa privada no Brasil cada vez mais se identifica com uma minoria oprimida).

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E para encerrar (começando 2016), deixo abaixo algumas reflexões:

01. A empolgação econômica, descuidada, sem critério e desprovida de senso crítico sempre conduz ao caos;

02. O Estado brasileiro é “macunaímico” e incompetente na raiz (em outras grandes nações isso não é diferente), logo, qualquer processo de desenvolvimento que dependa de suas canetadas – dadas a passos de tartaruga, em meio a abonos, férias faltas recorrentes ao trabalho, e erros sem justificativa – provavelmente não dará em nada. No máximo ajudará a maquiar ou produzir fases curtas, e sem sustentação no longo prazo, de progresso e bonança aparente.

03. Empresários e empreendedores precisam parar com o cafonismo do bom mocismo politicamente correto de uma vez por todas e ser apenas bons e corretos cidadãos. Neste contexto, segue-se apenas a legislação em vigor (sempre atento e lutando para que as exigências excessivas sejam atenuadas), mas sem se exceder com outras questões sócio ambientais. Em resumo, que tal fazermos o dever de casa? Ou, que tal pararmos de nos preocupar com o “macaco prego”, e no lugar disso cuidar bem dos nossos próprios funcionários? Melhor que isso, que tal não focar em programas sócio ambientais além de nossas próprias e pesadas obrigações, e em substituição focar esforços cobrando que a principal empresa de controle estatal de distribuição de água e saneamento de determinada região, não permita o desperdício de água de mais de 30%?

04. A proteção a setores industriais pode muitas vezes contribuir para a degeneração destes mesmos setores, mimando-os e diluindo o gênio inventivo de empreendedores que muito provavelmente cresceriam em situações adversas, com mais potência e capacidade de competição, caso não estivessem vivendo em uma redoma estatal de reserva mercadológica.

05. O mundo privado precisa aprender a contar essencialmente com o investimento e com o financiamento estruturado de origem privada, com agentes privados e cobradores de resultados e eficiência, deixando o fomento público para os setores estratégicos nacionais, a partir de um criterioso planejamento de produção de efeitos colaterais positivos em cadeia setorial. E tudo sob rigorosa e estrita vigilância civil. (Ajuda muito para evitar desvios de dinheiro, roubos. Essas coisas raras de acontecer, com a grana originada nos cofres públicos);

06. O empresariado e a sociedade civil precisam berrar alto contra a elevação de tributos. As ineficiências estatais precisam ser resolvidas dentro do orçamento público já existente. Fica muito fácil produzir bobagens recorrentemente, inchando a máquina pública e depois descarregando o problema em cima do seu bolso. Que cortem na própria carne.

07. Um empresariado sem voz ativa e desorganizado será sempre refém do humor do Estado e suas eventuais maluquices;

08. Muitas vezes, quando a oposição não existe ou não funciona – lembrando que ela é parte essencial da engrenagem das boas e prósperas sociedades modernas democráticas -, o maior aliado rumo a um ponto de inflexão ou caminho de solução, pode ser a própria capacidade do governo de plantão de produzir besteiras (o que não nos protege de vivenciar períodos duros e sofridos até o “ponto de inflexão” chegar);

09. Sim, deixando os clichês de lado, crise é oportunidade (mas isso não afasta a dor);

10. Construiremos dias melhores, certamente. Não é hora de esmorecer.

Feliz 2016! Até o próximo.

Propostas para expansão do mercado de capitais no Brasil

Por: Rafael Gontijo de Andrade Brasil, especialista em tributação indireta, membro do grupo de trabalho do Programa Brasil + Competitivo e articulista da Plataforma Brasil Editorial

Diversos fatores são apontados como obstáculos ao pleno desenvolvimento de nossa atividade econômica. Tornou-se lugar-comum mencionar a tributação elevada e complexa, a ineficiência do setor de infraestrutura, as restrições à concessão de crédito ao setor privado, a ilógica e extensa burocracia estatal, a insuficiente formação educacional e técnica de parcela considerável de nossa mão de obra, a existência de uma legislação trabalhista arcaica e obsoleta (impeditiva à livre negociação entre empresas e funcionários), a insegurança jurídica, bem como, as constantes interferências de agentes políticos na fixação da taxa básica de juros, como algumas das razões para que o alvissareiro “país do futuro” não se torne mais competitivo no cenário econômico global. Tais elementos estão, inequivocamente, relacionados à imaturidade institucional do Brasil.

Os fenômenos arrolados nas linhas acima, como se sabe, exercem impacto negativo no ambiente de negócios no Brasil, abalando a confiança dos investidores e gerando significativas perdas de recursos fundamentais ao país. As vicissitudes sistêmicas descritas anteriormente, contudo, não são as únicas a inibir o tão sonhado crescimento econômico sustentável, como se analisará adiante.

Estudos realizados pelo Banco Mundial acerca do setor de mercado de capitais em todo o mundo evidenciam um fato relevante, que finalmente ganha o devido destaque em nossa agenda desenvolvimentista: o ínfimo número de pequenas e médias empresas de capital aberto constitui-se verdadeiro entrave à expansão econômica brasileira.

As supracitadas pesquisas abrangeram os anos de 2008 até 2012. Neste último, o Brasil contava com apenas 353 companhias abertas (redução de 13 empresas em relação ao ano anterior), figurando na 23ª posição entre os países com o maior número de empresas listadas em bolsa de valores, a despeito de possuir o sétimo PIB mais elevado da economia global.

Examinando os números referentes aos países constantes dos primeiros lugares na lista dos maiores detentores de companhias abertas no ano de 2012: Índia (5.191 empresas), Estados Unidos (4.102 empresas), Canadá (3.876 empresas) e Japão (3.470 empresas), somos levados a crer que o setor de mercado de capitais poderia ser bem mais expressivo no Brasil.

A posição de liderança alcançada pelos Estados Unidos na economia mundial deve-se, dentre outros fatores, à convicção altamente difundida entre a sociedade americana de que empresas de capital aberto têm maior capacidade de acesso a recursos para financiar projetos de investimento. A História se encarregou de demonstrar, em inúmeros momentos, que esta crença ampara-se na lógica de mercado.

Os EUA, diferentemente do Brasil, possuem milhares de pequenas e médias empresas de capital aberto, fato que confere significativo dinamismo e pujança à economia do país. Por aquelas paragens há um ambiente regulatório extremamente favorável ao ingresso de companhias de menor porte ao mercado de capitais, o que não encontramos por aqui. Pode-se facilmente entender os motivos que levaram a bolsa de Nova Iorque a se consolidar como um dos símbolos mais representativos do capitalismo americano.

Companhias multinacionais como Microsoft, Apple e Walmart representam, a propósito, casos de empresas que após exitosos processos de abertura de capital garantiram os recursos necessários aos investimentos ulteriores, tornando-se referências mundiais em suas áreas de atuação. Triste constatar que um empreendedor como Bill Gates dificilmente encontraria no Brasil as condições que o permitiram se tornar um empresário de sucesso e promover uma verdadeira revolução tecnológica.

As companhias listadas no Bovespa Mais, segmento da BM&F Bovespa destinado às pequenas e médias empresas, são isentas de taxa de registro e recebem desconto gradual na taxa de manutenção de listagem, sendo este total no ano de ingresso da companhia. No âmbito do Bovespa Mais são realizadas captações de valores inferiores às do Novo Mercado, porém capazes de financiar o crescimento dos projetos. Os investidores que aplicam recursos neste segmento possuem, em geral, perspectivas de retorno de médio e longo prazo. Cumpre aqui ressaltar que, até o presente momento, apenas quatro empresas estão listadas no segmento em análise.

Não encontro razoabilidade para o fato de termos menos empresas listadas em bolsa do que países que pertenceram à cortina de ferro soviética (conforme demonstram os estudos do Banco Mundial), como Bulgária e Polônia.

Neste momento de crescimento econômico inferior ao dos demais países emergentes, penso que as iniciativas de fomento ao ingresso de pequenas e médias companhias no mercado de capitais são absolutamente imprescindíveis à elevação dos padrões de inovação, competitividade e eficiência das empresas brasileiras no cenário econômico internacional.

Encerro este curto artigo manifestando, assim como anteriormente fizeram diversas federações empresariais, instituições financeiras, firmas de auditoria e os principais escritórios de advocacia do Brasil, meu apoio às propostas e ideias defendidas pelo Programa de Aceleração do Crescimento para as Pequenas e Médias Empresas (PAC-PME).

Maiores informações sobre as propostas do grupo de trabalho/apoio do PAC-PME: www.pacpme.com.br

A lista completa do referido estudo realizado pelo Banco Mundial encontra-se disponível pelo link: http://data.worldbank.org/indicator/CM.MKT.LDOM.NO

Os piores inimigos no cenário econômico

Por: Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial e membro do conselho editorial da DVS Editora.

Caros leitores, desde que me tornei economicamente ativo – no início com a posição privilegiada de quem estava apenas começando, mas depois vivenciando na pele as consequências da gangorra de expectativas do entorno do ambiente de negócios – apurei o gosto pela observação, mas com foco especial nas reações e prognósticos captados com aqueles que representam a infantaria nas trincheiras de nossa economia, a saber: o empresariado.

Durante todo esse tempo, convivendo com suas inquietações e angústias, fui aprendendo que o conjunto de problemas conjunturalmente constantes é tão vasto e abrangente que tentar dizimar a todos de uma só vez, ou durante o ciclo de poder de um grupo político (sim, não se iluda, a maior parte das soluções encontram-se em gabinetes governamentais) é tão impossível como contraproducente. Isso sem levar em consideração que diferentes setores apresentam distintas demandas – além daquelas com impacto majoritário. Com esse cenário, o que resta é a seleção de alvos, e em seguida encará-los, um a um, no compasso da viabilidade e da disposição política dos mandatários de ocasião.

O cardápio de alvos é extenso, vejamos: infraestrutura precária com impactos logísticos disfuncionais; baixa qualificação técnico-profissional; complicações nas questões relacionadas ao comércio internacional que dependem da política de atuação de nossa diplomacia; complexa e pesada carga tributária; legislação trabalhista desatualizada e inflexível; massacrante burocracia em praticamente todos os níveis das relações institucionais; insegurança jurídica por conta da confusa legislação e do sistema judiciário lento e oneroso.

Mas quando a conversa se aprofunda e da choradeira se tenta avançar em busca de soluções concretas, eis que surgem duas unanimidades: insegurança jurídica e a interminável burocracia. A opinião recorrente é a de que qualquer ambiente de negócios que esteja ancorado em uma democracia de verdade, traz consigo complicações e regulações a serem tratadas. Contudo, com regras claras que se somam a um eficiente sistema jurídico e sem complicações processuais desnecessárias (burocracia), todo o resto, pode ser enfrentado e aperfeiçoado.

Com a aproximação das eleições em 2014, entraremos em um período fértil para essas discussões, e é bom que isso ocorra, fartamente, pois nada será resolvido por meio da inércia e muito menos com omissão. Será preciso engajamento, e uma agenda comum, livre da prisão das ideologias, profunda, crível e focada.

Em breve não teremos mais opções. Ou enfrentamos de frente os problemas e obstáculos que teimam em se perpetuar, ou jamais conheceremos um Brasil resultante da alta competitividade.

Até o próximo

Palestra fala sobre como conquistar os mercados trilionários da China e da Índia

Nos próximos dez anos, haverá quase 1 bilhão de consumidores de classe média na China e na Índia. Na economia global, os dois países já representam os maiores compradores de automóveis, celulares, eletrodomésticos e outros artigos, e estão ávidos por adquirir novos produtos e serviços. A grande pergunta é: como se adaptar e lucrar junto com esses mercados emergentes?

Baseado no livro O Prêmio de 10 Trilhões de Dólares – que será lançado em breve no Brasil pela DVS Editora, o Prof. Victor Mirshawka, Diretor cultural da FAAP, conduz a palestra que traça um perfil abrangente dessas novas classes médias e explica quem são esses consumidores – o que eles compram e por quê; como eles pensam e fazem suas compras; e como suas necessidades e preferências estão mudando.

SOBRE O PALESTRANTE
Prof. Victor Mirshawka – Diretor cultural da FAAP e autor de diversos livros [veja aqui] nas áreas de gestão de qualidade, criatividade, estatística, pesquisa operacional, administração, administração pública, liderança e motivação.

INGRESSO SOLIDÁRIO:
Um pacote de lenço umedecido ou R$10 que serão doados ao Lar de Idosos Vivência Feliz, instituição que ampara idosos carentes oferecendo assistência médica, odontológica e psicológica com ajuda de profissionais voluntários.

SERVIÇO
Palestra “O prémio de 10 trilhões de dólares”
Palestrante: Prof. Victor Mirshawka
Onde: FAAP São Paulo
Quando: 26 de novembro, 19h30
Ingresso: Pacote de lenço umedecido ou R$10
Endereço: Rua Alagoas, 903 – Auditório 1
Higienópolis – São Paulo/SP

VAGAS LIMITADAS
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A muralha – uma análise econômica voltada ao empreendedorismo

Por: Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial e membro do conselho editorial da DVS Editora.

Caros leitores, este texto é fruto das percepções e conversas obtidas junto a alguns empreendedores – da velha e da nova guarda – e investidores nacionais e estrangeiros acerca do nosso panorama econômico, onde prognósticos, análises e tentativas de adivinhação se engalfinham na mente de quem quer, tenta e luta para apostar na nossa economia, mas que não pode dar ponto sem nó e muito menos desperdiçar dinheiro. De cara afirmo que não são conversas consensuais sob todos os aspectos, mas em um deles há convergência absoluta de opinião. Enfrentamos, todos, uma imensa e aparentemente intransponível muralha. E vencê-la e alcançar o outro lado não é tarefa para amadores.

Demanda meticuloso planejamento, alto nível de preparação, equipes eficientes e líderes competentes e corajosos. Aqui o destemor é a regra, e a saga reúne histórias de fracassos retumbantes, aparentes sucessos em franco declínio ainda não constatados (muitas vezes com chances de recuperação), glórias fugazes e uma leva animadora (porém ainda diminuta) de casos de inquestionável, sólido e sustentável êxito empresarial. Uma verdadeira trincheira cotidiana, onde conhecidos inimigos operam de forma integrada e beligerante. Batalhões e regimentos municiados com massacrante burocracia, legislações conflitantes com impacto direto em elevado grau de insegurança jurídica, baixo nível de capacitação técnica e infraestrutura deficiente acabam por aniquilar os menos preparados e descapitalizados, assim como amedrontar aqueles que intencionavam voluntariamente lutar e apostar para conhecer o outro lado do muro.

Em meio ao furor da batalha, as atenções focalizam aqueles que conseguiram vencer e prosperar e, então, surgem duas inevitáveis indagações. Quem são os culpados pela muralha? Qual o segredo dos vencedores? As respostas são relativamente simples.

Para a primeira, opino que se trata mais de um processo histórico do que da vertente de um ou outro governo, onde a soma das pedras da muralha resulta mais de um aspecto culturalmente atávico do que de uma iniciativa humana pragmaticamente operada. Afinal, governo, sociedade e empresariado compõe o quadro das vítimas.

A resposta para a segunda questão é facilmente observada em bons exemplos. Em resumo, senso crítico aguçado para identificar oportunidades e ameaças, capacidade para prever chuvas e trovoadas quando todos esperam pelo sol, agudo planejamento, forte organização, meritocracia, boa governança em prol da perpetuidade, uma gestão capaz de engajar, e muita, mas muita coragem.

Para finalizar, de nada adianta apontar culpados, mas é chegada a hora de desarmar definitivamente os dispositivos que travam a nossa competitividade e consequentemente diluem a nossa prosperidade como nação.

Até o próximo.

A crença cega no estado e seus malefícios

Por: Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial e membro do conselho editorial da DVS Editora.

Caros leitores, enquanto o panorama econômico insiste na pista de patinação, na espera da retomada de algum nível de confiança de investidores, consumidores e empresários, que ressabiados evitam previsões assim como também não se arriscam a engrossar coros mais otimistas, volto-me para a origem de algumas mazelas.

E saibam, ao observá-la de perto constatamos fetichismo em estado bruto e abundante. Mais do que isso, é dotada do dom da sobrevivência, resistindo aos séculos, aos líderes, e permeando praticamente todas as matizes partidário-ideológicas da nossa jovem história de intervencionismo estatal constante e ineficiência governamental (velhas irmãs de sangue), com breves surtos aqui e ali de reformas liberalizantes, mas que são apenas surtos, logo passam.

E quando passam, eis que surge ele, o poderoso, magnânimo, majoritário e esmagador Estado papai. Forte, manipulador, sedutor, preguiçoso e caro, muito caro como sabemos tão bem.

Alimentado pela progressão do seu próprio tamanho – quanto maior mais necessário -, (e mais caro) e pelo fetiche que alguns alimentam sobre os seus “poderes robóticos”, o Estado papai vai ficando cada vez mais melindroso e forte para perenizar a sua necessidade, por mais que muitos dos seus filhos desejem liberdade, emancipação e menos chateação.

O fato é que envolto em um fetiche de duplo vetor – o Estado papai exagera na concepção de sua missão, assim como parte dos seus filhos carece de imaginação para viver sem ele – acaba por originar uma resultante dotada de doentia interdependência, que atrasa o progresso, emperra o desenvolvimento tecnológico de ponta (e o mediano também) e desestimula o livre empreendedorismo.

Em resumo, esta acolhida nitidamente liberal pode até sugerir mais do mesmo aos espíritos mais críticos e avessos ao pensamento único, mas trago a tona a justiça de que o problema em questão não é privilégio de execução de um ou outro grupo político, antes, se encontra grudado, atavicamente no nosso DNA cultural.

Como solucionar esse enigma? Sugiro uma receita composta por baixíssimas doses de tolerância à ineficiência estatal, fortes doses de consciência tributária e fiscalização indagadora das políticas públicas, uma pitada de saudável irreverência civil e urgência por liberdade de ação, criação e pensamento crítico.

Até o próximo.

7 lições que podemos tirar da realidade brasileira dos últimos anos

Por: Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial e membro do conselho editorial da DVS Editora.

Caros leitores, determina um dos mais clássicos ditados populares, para que não fiquemos chorando pelo leite derramado. Quem pode discordar da sabedoria embarcada em uma sentença tão simples? É isso. O fato é que empenadas econômicas como esta que estamos vivendo não se resolvem com choramingos, (muito menos com a sustentação das mesmas políticas que as trouxeram, é verdade).

“Não custa lembrar que o futuro se faz agora, e este depende das lições assimiladas no presente.”

Podem sim, ser evitadas com uma boa, antecipada e articulada dose de senso crítico, ou ainda atenuadas durante o curso de sua construção, envolvendo a admissão de erros e a revisão de conceitos e valores equivocados. Mas quando o bom senso some, sendo substituído pela bruma das ilusões, quem sofre são os bolsos, a expansão que não chega, os sonhos econômicos que não se realizam – mas que poderiam muito bem ter se tornado realidade.

Sim meus caros, a fatura chega, pode tardar mas sempre chegará. Contudo, depois de apresentada, enquanto nos preparamos para a sua liquidação (para os que podem liquidar), não custa lembrar que o futuro se faz agora, e este depende das lições assimiladas no presente. E foi assim, com esse espírito, que reuni uma lista para estimular a nossa análise sobre o passado político-econômico dos últimos anos, período no qual edificamos a nossa mais recente (mas totalmente evitável e desnecessária) empenada econômica.

E caso você se espante com o tom de epílogo deste texto, julgando que nele há algum exagero, peço apenas que nos lembremos de algo que não é auditado, não surge listado nos relatórios oficiais, e quando muito aparece em leves linhas em análises independentes, mas mesmo assim com mínima ressonância. Tratam-se das oportunidades perdidas. Esta sim, a filha pródiga de todas as empenadas.

Vamos lá:

Lição I: O populismo governamental, empenhado por qualquer partido ou grupo político, raramente consegue trazer melhorias sociais concretas e sustentáveis ao longo do tempo, no lugar disso, via de regra, substitui os fracassos por mais populismo;

Lição II: A insistente não participação do empresariado diante do processo político sempre acaba sendo onerosa. Patriotas ou não, nacionalista ou não (que fique claro que são tipos distintos) ou indiferentes, em última análise, acabam sofrendo o impacto do seu não ativismo no próprio bolso;

Lição III: A unanimidade não é inteligente, (já nos alertava o escritor Nelson Rodrigues). Então, quando observar uma maioria majoritária exageradamente otimista e entusiasmada, mesmo diante da ausência dos fundamentos econômicos essenciais para a prosperidade, desconfie;

Lição IV: O Estado por mais necessário que seja, jamais apresentará a mesma eficiência de gestão que o universo privado. Isto é atávico de sua natureza e trata-se de uma máxima quase universal – não sendo privilégio de nenhuma nação. Então, que fique claro, que o intervencionismo estatal invariavelmente acaba sempre prejudicando;

Lição V: O capital é um bicho amoral, desprovido de sentimentos, imune a ideologias, mas com uma psique absolutamente sofisticada. O seu olfato fareja encrencas a quilómetros de distância e foge rapidamente quando identifica a instabilidade econômica, a não transparência, ou a atuação de um modelo governamental excessivamente atuante e que sutilmente o demonize;

Lição  VI: Não se brinca com o processo inflacionário e a responsabilidade fiscal;

Lição VII: Por último, é bom lembrar que exemplos aparentemente inspiradores de opulência empresarial, construídos por atos midiáticos e grandes promessas, muitas vezes realizam menos que a discrição, a disciplina e a silenciosa mão na massa.

Boa sorte e que venham novos tempos.

Brincando no precipício – uma análise do cenário brasileiro

Por: Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial e membro do conselho editorial da DVS Editora.

Caros leitores, já faz muito tempo que escutei de um renomado advogado especializado em falências que toda derrocada empresarial é precedida por planos mirabolantes, crenças inconsistentes e otimismo infundado. Na época escutei aquela que parecia ser a sentença de um comportamento empresarial padrão, e me coloquei a refletir. Os anos passaram, e o fato é que constatei a olho nu a verdade que aquelas palavras continham.

Com o tempo fui extrapolando a análise e concluí que o fenômeno é caracterizado por ampla abrangência, com ligação direta ao experimento humano, suas aventuras, projetos e empreendimentos. Em resumo, diante do sufoco, a alternativa mais improvável e por vezes inexequível, torna-se aquela na qual são depositadas toneladas de credibilidade, que junto uma dose imensa de energia, tempo e dedicação a transformam na “grande solução”.

Há relatos de que Hitler, acuado no seu bunker, com uma Berlim açoitada por bombardeios constantes e com as tropas aliadas já dominando bairros inteiros, arquitetava planos mirabolantes para reestabelecer a ofensiva e garantir a vitória, exigindo de seus generais que o êxito fosse alcançado em no máximo alguns meses. Pura loucura. Em poucos dias, ele e grande parte do seu board haviam se suicidado.

Em resumo, seres humanos acuados e sem saída, via de regra, se apegam a decisões radicais e definitivas. Alguns avançam em direção a soluções absolutamente fantasiosas e inexequíveis, outros de forma mais serena apostam nas correções necessárias, com calibragem constante, revendo valores e crenças impraticáveis, mas sobretudo dedicando energia a um processo construtivo de saneamento (destacando que evidentemente para este último caso, o fator tempo é indispensável).

Nos último dias tenho lido sobre a nova doutrina que cresce entre os escaninhos públicos de nossa equipe econômica, onde já se admite como encerrada a fase na qual o crescimento poderia se dar majoritariamente pelo estímulo ao consumo, e que a partir daqui um PIB de respeito (ou ao menos próximo das projeções governamentais) viria como resultante da elevação da taxa de investimento. Esta por sua vez seria gestada a partir do empenho de capital com os já lendários projetos de infraestrutura (Portos, terminais em aeroportos, aeroportos regionais, usinas, estradas de ferro, preparativos para os grandes eventos mundiais que se aproximam, etc. etc. etc.). Neste contexto um detalhe: o grosso dos leilões (praticamente todos) ocorrendo entre os meses de setembro e outubro deste ano.

A propósito, como todos sabemos, para este cenário o fator tempo não corre a favor. Até porque o grande evento mesmo acontecerá ao final de 2014.

Acho que posso encerrar o texto por aqui.

Até o próximo.

6 cuidados para explorar a crescente indústria do capital de risco

Por: Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial e membro do conselho editorial da DVS Editora.

Caros leitores, desde o início da era da internet, independentemente dos solavancos econômicos que vieram em seguida, observamos um crescimento robusto da indústria de fundos de investimentos em participação, orientados a investir em bons negócios e projetos com sólidas expectativas. Um movimento que aparentemente veio para ficar, trazendo no seu rastro um sopro forte de profissionalização empresarial e modernização do mercado.

Um cenário onde empresários competentes a frente de empresas economicamente eficientes, passaram a ter acesso a fontes alternativas de capital para o seu crescimento, disponibilizando recursos que seriam proibitivos para serem captados em instituições financeiras via operações de financiamento, além do agregado de valor inerente a uma excelente influência cultural de boa gestão.

Na esteira deste contexto, um universo de oportunidades que vão dos primeiros ciclos de investimentos por meio de fundos de venture capital ou private equity (dependendo do porte da transação e dos objetivos subsequentes), até a venda total (imediata ou programada em um cronograma) para um player consolidador ou estratégico do setor, que por sua vez, em muitos casos, atua capitalizado pelos próprios fundos de investimento em participação.

Em resumo, um universo de oportunidades para as quais um bom empreendedor jamais poderá deixar de estar preparado.

Conscientes desta realidade, destacamos abaixo algumas dicas para quem não quer e não pode ficar na janela vendo a banda passar. Vamos lá:

1. Exerça uma gestão economicamente eficiente, o que significa boa administração de custos e despesas frente a geração de receita. Trabalhe com afinco para que esta prática transforme-se em um valor cultural, defendido e operacionalizado tanto por você, como por seus sócios e colaboradores de todos os níveis.

2. Crie uma cultura interna meritocrática, onde os competentes, com melhores resultados e com maior dedicação e comprometimento crescem, e pouco a pouco, com sua atitude comprovada passam a partilhar partes de bolo. O resto cai fora. Simples assim.

3. Sendo a sua empresa familiar, o que é absolutamente natural para empreendimentos nos primeiros estágios, e eventualmente em fase mais maduras, tenha o cuidado de manter na empresa (independentemente da posição ou cargo) apenas os essencialmente necessários. Não permita que o seu negócio se transforme aos poucos em um cabide de emprego, resolvendo os problemas econômicos de parentes e entes queridos, em detrimento da eficiência de gestão e dos resultados.

4. Expulse para sempre o otimismo exagerado e o entusiasmo emocional de suas análises e considerações em cima das perspectivas potenciais, e no lugar disso assuma uma atitude positiva e construtiva, mas consciente dos riscos e das dificuldades, cultivando um otimismo ponderado que deve se mesclar com um certo ceticismo saudável. Tenha certeza, isso vai lhe trazer muito mais resultados, e com isso poderá até se surpreender atingindo resultados não previstos pelas mais alucinadas expectativas.

5. Mantenha a sua documentação em ordem, com tanto esmero quanto o seu alinhamento estratégico de mercado.

6. No momento que julgar oportuno para atrair o capital, seja de um fundo de investimentos ou de um investidor estratégico/ consolidador, contrate especialistas para a devida preparação técnica e negocial. Não tente fazer isso sozinho em casa.

Boa sorte e até o próximo.

Mercado em estado de alerta

Por: Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial e membro do conselho editorial da DVS Editora.

Caros leitores, desta vez trago uma ponderação a respeito das tensões trazidas por conta do conjunto de más notícias sobre nossa conjuntura econômica que por resultante mexem com o humor tanto da plateia como da turma que atua no palco dos acontecimentos. Pretendo aqui, ponderar posicionamentos e declarações que se explicam no resumo dessa ópera aflitiva com inflação pressionada, resultados empresariais prejudicados e críticas de agências de rating.

Ainda que na minha modesta opinião este cenário conturbado seja positivo no médio e longo prazo, por conta dos benefícios que a aterrissagem dos pés trazem para a economia de um país dinâmico como o Brasil, o quadro de stress e tensão será sempre inevitável.

Neste contexto, os últimos dias não estão sendo fáceis para a nossa mandatária. Não deve estar sendo fácil presenciar a transformação de estrela à lanterninha do país que se representa. Somos lamentavelmente o Bric que menos cresceu nos últimos anos, e a nossa outrora crescente força estratégica no mapa geopolítico, vem pouco a pouco sendo esvaziada por competidores diretos de nossa categoria econômica. É fato que Rússia, China e Índia não estão – e nunca estiveram – nem um pouco dispostas a brincar, e muito menos a ceder espaço.

No último encontro da categoria na África do Sul, um conjunto de desencontros mexeu com o humor presidencial, e não foi à toa.

Não deve ter sido agradável levar um desrespeitoso chá de cadeira do anfitrião Jacob Zuma, presidente da África do Sul, naquele momento ocupado recebendo o presidente da Rússia Vladimir Putin (o ex-KGB não está para brincadeirinhas e menos ainda para bravatas internacionais). Como se não bastasse, foi equivocadamente interpretada quando emitiu um sincero comentário de que não concorda com políticas que reduzam o crescimento para combater a inflação. Na esteira do equívoco, mercado em polvorosa, impactos nos contratos futuros, prognósticos temerosos, rumores.

Exagero? Sim, certamente. Ser contra políticas que reduzam o crescimento para combater a inflação não significa ser contra ajustes nas taxas de juros, e nem mesmo atesta leniência com o combate inflacionário.

A reação veio a galope. Em declaração a imprensa, a presidente Dilma Rousseff em tom indignado com a interpretação de seus comentários ratificou seu compromisso e disposição para combater a inflação que teima em colocar a cabeça para fora. Não deixou margem para dúvidas é verdade, mas convenhamos, de uma forma ou outra tudo se explica.

O mesmo “mercado” que se assustou e eventualmente não soube interpretar o contexto das falas presidenciais, sofre com a ansiedade das constantes intervenções governamentais que desde 2011 trazem novidades quase que quinzenalmente. Neste baião de solavancos periódicos, não há serenidade que não seja de alguma forma influenciada pela crescente tensão.

A resultante desta dinâmica não poderia ser outra: irritação, hipersensibilidade, e mal humor.

Até o próximo.

Sociedade civil desorganizada, economia frágil

Por: Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial e membro do conselho editorial da DVS Editora.

Caros leitores, é bem possível e plausível que estejam se questionando ao ler estas primeiras linhas, sobre se devem prosseguir, afinal de contas o título pode, aparentemente, sugerir uma certa confusão, mas tenham certeza ela não existe. Então, convido a me acompanharem por estas linhas, onde abordarei os reflexos econômicos originados a partir dos arrepiantes sinais de um estado cada vez mais arbitrário e, para fazer justiça, entoado por diversas siglas políticas, de esquerda, de direita e de centro (salvo honrosas exceções, de centro, esquerda e direita). Vamos lá.

Imagine uma situação ficcional onde você ao estacionar o carro em uma rua qualquer, seja interpelado pelo flanelinha de que ali o “preço” é de R$50,00, sendo que o habitual seria uma gorjeta de valores que variam entre R$2,00 e R$5,00 dependendo de sua generosidade para esta prática já absorvida pelos motoristas de grandes centros urbanos. Você então questiona se ao menos ele, o flanelinha, se responsabilizaria pela integridade física do seu carro, ficando ali até o seu retorno. Em resposta, ele deixa claro que sairá dali em questão de poucos minutos, e que é bom tomar cuidado no retorno pois a região é perigosa. Diante do cenário, em uma fração de segundos diante de um olhar inquisidor, você precisa tomar uma decisão e então pensa em diferentes alternativas. Pensa em chamar a polícia, afinal trata-se de um logradouro público onde não cabe este tipo de exploração. Ela não está por perto. Pensa em argumentar com o flanelinha sobre os seus direitos de cidadão, destacando os impostos pagos regularmente e tantas e tantas obrigações com as quais honra pontualmente. Inútil, o olhar inquisidor “e ai, vai ou não vai?” permanece. Sem saída, com o tempo escasso para mais argumentações e necessitando deixar o carro ali, pois tem algo urgente a resolver, você se resigna, paga antecipadamente os R$50,00, e reza para nada acontecer ao seu carro e muito menos a você no momento do retorno.

Sim, uma história absurda, pouco provável de acontecer, mas que lamentavelmente ilustra algo muito mais recorrente e possível, que é justamente a relação de nossa sociedade civil com o aparelho do estado, que em princípio existe para nos prover serviços e uma existência razoável no que diz respeito a sua alçada de atuação, em troca dos impostos que pagamos, com especial atenção aos cidadãos que apresentam condições econômico-sociais mais debilitadas.

Uma realidade pautada por massacrantes pagamentos e obrigações civis (impostos, regras, proibições e restrições), que no entanto não retornam em serviços como segurança, saúde e transporte público de qualidade, nem mesmo em infraestrutura à altura dos desafios que continuamente se apresentam cada vez mais robustos e complexos.

Neste ano de 2013, o Brasil estará bem próximo de vencer a disputa pelo ranking internacional de arrecadação tributária, mas solenemente ocupa sem arredar o pé, o último lugar no retorno que oferece aos seus cidadão pelos impostos pagos, em uma pesquisa realizada com os trinta países que mais arrecadam no mundo. Mas a opressão e o arbítrio sempre estão compostos por várias facetas, e estas se multiplicam fertilmente diante de uma sociedade civil desorganizada e desatenta que não sabe impor seus direitos.

A consequência econômica disso? A escala envolvida. Impactando em desembolsos duplicados pois além de pagar os impostos,  precisamos adquirir privadamente os serviços que o estado deveria ter disponibilizado em troca; a competitividade das empresas, a falta de infraestrutura para o crescimento.

Mas como cidadão não posso parar por aqui e constato que agora, além de ser reconhecidamente caro e ineficiente (é claro que existem exceções! “Sim, eu tenho medo do estado no Brasil”), o aparelho estatal resolveu ser chato também.

A alteração na legislação de trânsito que borda a chamada “lei seca” com tolerância zero ao consumo de álcool para motoristas (a lei anterior já era bem rigorosa e um pouco exagerada na minha modesta opinião) ao ponto de um bombom de licor ou o uso de um enxaguante bucal colocarem a sua liberdade em risco, em caso de falta absoluta de bom senso do agente do estado de plantão, comprovam uma chatice arbitrária sem fim.

De forma alguma advogo uma vida civil sem regras, leis e regulamentações. Seria simplesmente impossível de se viver e absolutamente anticivilizatório. Contudo, o que me chama a atenção neste tipo de iniciativa, e que compartilho aqui com o leitor, é a existência de um rolo compressor estatal pesado e interventor, que importuna o cidadão sem oferecer uma troca compatível, avançando na sua sanha de chateações sem encontrar pela frente um bloqueio cidadão, que traria calibragem e bom senso para as suas ações.

Qual será a próxima restrição?

Até o próximo.

Economia Brasileira: o gato no telhado

Por: Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial e membro do conselho editorial da DVS Editora.

Caros leitores, por favor, não me massacrem. Não se sintam ofendidos por mais uma vez abaixar o som da festa (e que festa não é mesmo?) para despejar nestas linhas os meus presságios, extraídos diretamente da bola de cristal do óbvio ululante, mas que de tão criativo e diverso merece nota, algumas indagações e análises. Sim meus amigos, o futuro pede reflexão.

Não, não abordarei a morfologia técnica do Pibinho de 2012 (e quanto ao de 2011, ainda tento esquecer) pois isto é conhecido e amplamente divulgado. Até aqui ao menos, nossos institutos preservam sua dignidade publicando dados reais, com componentes completos. Trata-se antes de pensarmos nas relações de causa e efeito. Mas neste caso proponho uma viagem que ultrapasse o óbvio. Quero ir além das críticas (acertadas) sobre a crescente intervenção governamental que vivemos na economia, sem chamar a atenção para os evidentes efeitos que o baixo investimento traz, e nem mesmo destacarei os impactos do Custo Brasil, envolvendo a questão educacional, o déficit de infraestrutura, a burocracia massacrante, a insegurança jurídica que teima em perseverar ou o rolo compressor tributário que nos esmaga com sua carga e complicações.

Economia Brasileira - novas notas do Real

Desta vez quero falar de alternativas, mas se enganará quem imaginar uma receita de bolo, pois esta é simples e conhecida. Trata-se antes da importância da existência de uma luz ao final da estrada (acho túnel muito dramático), sempre necessária, sempre útil, para qualquer economia, qualquer nação, em qualquer nível de desempenho.

Explico:

A ausência de um modelo alternativo de condução econômica, que enfoque a origem dos problemas e atenue seus efeitos, elimina o contraditório do debate nacional. Sem o contraditório ficamos reféns de um carnaval de uma banda só. Para bom entendedor, que fique claro, sim, estou me queixando da falta de uma oposição estruturada, que saiba mais do que berrar e denunciar, mas conceber, edificar e empenhar esforços em torno de novas propostas e modelos.

Aos alarmados com o tom do texto esclareço que não proponho uma oposição competente apenas para este ou aquele governo, defendo, sobretudo, que sempre exista uma oposição, seja a situação conduzida por quem quer que seja. Não é só a democracia que se fragiliza com sua ausência, a economia também chora, e muito.

Dizem que o cenário econômico em que vivemos vem espantando os investidores e colocando em questão o outrora radiante futuro que até pouco tempo embalou as trombetas dos otimistas mais radicais (e muitos bastante sensatos), pautados por um oceano de expectativas e promessas. Mas leitores, há uma variável ainda mais complexa sobre a qual pouco se comenta. Imaginemos que as medidas atuais não resultem em efeitos consistentes, suponhamos que aos poucos o arsenal governamental indutor da economia comece a se esgotar, com o agravante de um grupo político dominante fragilizado e sem tração. Neste caso, restará ao investimento produtivo, que opera sempre no longo horizonte, a perspectiva de uma troca de condução que implemente as correções necessárias. Em resumo, suas esperanças serão depositadas no triunfo de uma oposição consistente. Não foi diferente na campanha presidencial de 2008 nos EUA, quando proeminentes investidores arregaçaram as mangas pela vitória de Barack Obama, (clamando por uma alternativa ao modelo republicano que Bush representava) que no início da corrida eleitoral não passava de um azarão, mas que aos poucos tornou-se favorito.

Encerro o texto com uma indagação. Neste cenário, teremos o nosso azarão?

Quem viver verá. Até o próximo.