Aquecimento global: um problema para você, mas carregado de oportunidades

Por: Cláudia Martinelli, especialista em economia sustentável e articulista da Plataforma Brasil Editorial

Em tempos de vórtex polar, muitas pessoas aparecem questionando o aquecimento global. Este polêmico assunto, que parece tão distante do nosso cotidiano, especialmente dos nossos negócios, é o tema do artigo de hoje. A ideia é que você entenda porque as mudanças climáticas podem ter um efeito direto na economia e, consequentemente, na sua empresa.

Devido à emissão dos gases do efeito estufa, a Terra está sofrendo um aumento em sua temperatura média. Esse aumento tem efeito direto no comportamento das massas de ar que são as principais “orquestradoras” do tempo em todas as regiões do planeta. A medida que a temperatura aumenta, as massas de ar começam a se comportar de forma diferente de como normalmente faziam, causando mudanças climáticas temporárias. Caso essa tendência se mantenha, essas mudanças deixarão de ser temporárias e se tornarão permanentes. E qual é o problema disso?

ROTOR INSTALADO EM BOIA GERA ENERGIA A PARTIR DA CORRENTEZA DOS RIOS.
Projeto participante do “empowering people” da Siemens.

Nossa agricultura, é derivada de uma construção de conhecimentos que iniciou-se há mais de 11.000 anos e é baseada na previsibilidade das condições climáticas, ou seja, sabe-se que em determinado local e em determinada época é possível plantar e colher certos tipos de alimentos. A partir do momento que você torna as condições climáticas imprevisíveis e, muitas vezes, extremas, você coloca em risco uma atividade que é a base da sobrevivência humana e do funcionamento da sociedade e da economia. A crise dos alimentos de 2008 está aí para nos mostrar o impacto que a alta dessas commodities pode ter no mercado e na política global.

Além de afetar as plantações e, consequentemente, a pecuária, estima-se que os eventos climáticos extremos, causarão grandes migrações de “exilados do clima”, pessoas que sairão dos locais mais afetados pelas mudanças climáticas (seja por secas, inundações ou falta de alimento) em busca de abrigo em outros países, trazendo um fardo social imenso para essas nações.

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Nós estamos usando as redes sociais para produção de conhecimento útil?

O principal causador do efeito estufa é o CO2 proveniente da queima de combustível fóssil. Por isso, uma da principais frentes de combate ao aquecimento global é a mudança da matriz energética dos países para que as atividades econômicas tenham um impacto menor no clima. Para que isso ocorra, é importante que haja muita inovação para que possamos não apenas atender os consumidores atuais, mas também incluir aqueles que vem ascendendo economicamente.

Essa necessidade de inovação traz consigo muitas oportunidades para empreendedores e empresários. Pesquisando rapidamente na internet, é possível encontrar algumas iniciativas de financiamento e aceleração de negócios sustentáveis, como as linhas da Finep em sustentabilidade e energia, a iniciativa New Ventures e o prêmio “empowering people” da Siemens. Esse último, buscou tecnologias inovadoras e acessíveis com prêmios de cinquenta mil euros.

O Brasil caminha de forma lenta, mas podemos enxergar alguns avanços nas áreas de políticas públicas. Além dos financiamentos, o governo brasileiro liberou a geração doméstica de energia a partir de fontes renováveis, com a possibilidade de integrar o excedente na rede comum. Com isso, o consumidor recebe um crédito na conta de luz que pode ser usado dentro de 36 meses. Apesar da ótima ideia, um dos maiores gargalos aqui é conseguir fornecer a tecnologia que permite isso para as diversas regiões do país.

Para finalizar, gostaria de deixar alguns links para matérias sobre as tecnologias e empresas mais inovadoras de 2013 na área de energia escolhidas pelo site Fast Company e pelo site Business Insider. Aproveito também para colocar o link para as ideias que ganharam o “empowering people awards“, pois, em um mundo em que a base da pirâmide se tornou um segmento de interesse, é importante pensar em produtos que os atinjam. Espero que elas possam servir de inspiração para os empreendedores da área.

Para se aprofundar no assunto:

Factors Affecting Global Climate – Scitable

Plan B 4.0 – mobilizing to save civilization – Lester Brown

A Era do Calor que se aproxima – Jornal Valor Econômico

Entenda a crise dos alimentos – Folha de São Paulo

Inova Sustentabilidade – Finep

Inova Energia – Finep

New Ventures

Empowering People Awards – Siemens

Brasileiro pode ter desconto na conta de luz se gera energia renovável – G1

 

A apoteose da retórica

Por: Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial e membro do conselho editorial da DVS Editora.

Caro leitor, se o objetivo da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio +20) era o de servir como um encontro que garantisse espaço e eco para a melhor expressão da diversidade terrestre, tanto no campo cultural, como no ideológico, ou mesmo para a revisão de antigos ou novos posicionamentos do universo politicamente correto, então, seguramente podemos afirmar que foi mesmo um sucesso.

Rio +20 logotipo

Um grande workshop multicultural, multiideológico. Uma verdadeira festa das multicausas. (O discurso do líder iraniano – o mesmo que pregou a necessidade da extinção do estado de Israel – sobre paz, harmonia, e renovação espiritual dos povos foi imperdível). A todo o tempo, e para qualquer circunstância as respostas parafraseavam a campanha de Obama em 2008: “Sim nós podemos”.

Em meio a um ou outro protesto paralelo, ou a uma ou outra manifestação mais ácida sobre posições não integralmente respeitadas nos textos oficiais, a reação dos organizadores era a contemporização empática, tolerante, e em muitos casos o recuo em atendimento. (Dizem as boas e as más línguas que a melhor maneira de se esquivar de uma “saia justa” é sempre dizer a palavra mágica, Sim). E desta forma se desenvolveu o evento, em banho maria.

Sem decisões, sem uma agenda futura com o mínimo de concretude, mas com muitos, muitos discursos, e muitas, muitas encenações.

O leitor me perdoe pelo tom ácido e um tanto irônico. Mas saiba que não faço isso por desdenhar da causa ambiental ou da importância da sustentabilidade, muito pelo contrário. Acho o tema relevante, sério e merecedor sim de atenção e preocupação. Mas é importante também entendermos que o fraco engajamento da sociedade não existe por acaso. Ele é fruto dos exageros da narrativa que envolvem o assunto, da patrulha ideológica que não admite uma discussão séria e crítica, e nem sequer qualquer questionamento, operando na verdade como uma norma comportamental. (Experimente dizer em uma entrevista de emprego que você não perde o sono quando pensa na questão ambiental).

Alguns críticos afirmam que a reunião do G20 prejudicou a efetividade do evento carioca, por conta da urgência da problemática econômica que ali seria tratada, absorvendo a atenção total dos chefes de estado. De fato em algum aspecto isso pode ter acontecido, mas na minha modesta opinião a questão é mais profunda.
A sociedade de forma geral, seus cidadãos comuns assim como muitos de seus líderes, simplesmente não suportam mais o festival retórico no qual foram mergulhados (pulando de cabeça). Ao mesmo tempo sentem-se massacrados pela Patrulha Politicamente Correta que lhes cobra posições estáticas comumente aceitáveis, sem espaço para o contraditório e nem para críticas mais estruturadas.

O fato é que nesse ritmo, sem uma abordagem clara, científica, econômica, direta e focada, em pouco ou nada avançaremos além de performances.
Um cenário onde as respostas serão sempre superficiais, pasteurizadas e encenadas para mascarar ceticismo e cansaço, quando não para o palco político e sua frenética busca por popularidade e votos. E no meio do caos, brincando na corda bamba, um joguinho divertido (mas perigoso) de empurrar a batata quente, pelo único, óbvio e simples motivo: Ninguém quer pagar a conta da sustentabilidade, sem compensações efetivas.

Até o próximo,

Um guia pioneiro sobre o Pensamento Produtivo

O modelo de pensamento produtivo é uma estrutura comprovada. Podemos de fato pensar melhor, mais eficazmente e mais solidamente se aplicarmos essa ferramenta genial, empregada por várias empresas e indivíduos para criar soluções originais para problemas empresariais de grande complexidade e solucionar problemas pessoais prementes. Tanto no âmbito pessoal quanto no empresarial, o pensamento produtivo pode mudar significativamente a vida das pessoas.

Concebido para lhe ensinar a pensar produtivamente, este livro se concentra e se fundamenta em princípios objetivos e consistentes, mostrando como é possível e essencial separarmos o pensamento criativo e crítico, estendermo-nos no problema, batalharmos pelo “terceiro terço”, isto é, pelas idéias mais criativas e inovadoras, como verdadeiros garimpeiros de ouro, e buscarmos analogias inesperadas, como bem nos recomenda o filósofo Heráclito, para quem “A analogia inesperada é mais pungente do que a óbvia”. A analogia inesperada é o cerne do pensamento produtivo.  Continue lendo

Autores da Praxis Education comentam a NRF 2012

Começou nesta semana, em Nova York (EUA), a NRF 2012 (National Retail Federation), maior evento anual focado no universo do Varejo. Entre as 30 mil pessoas presentes no encontro estão muitos brasileiros, empreendedores de todos os tipos, que integram a maior e mais qualificada delegação internacional.

A NRF 2012 conta como a presença de palestrantes de destaque, como Bill Clinton, ex-presidente dos EUA, Peter Sheaham (ChangeLabs), Ira Kalish  (Deloitte Research), entre outros.

A Praxis Education consultoria especializada no universo de Franquias tem na NRF a presença dos sócios Adir Ribeiro, Mauricio Galhardo, Luis Gustavo Imperatore, autores do livro Gestão Estratégica do Franchising, lançado pela DVS Editora. Continue lendo

Devemos evitar a política?

Sempre observei um persistente desinteresse de empresários e dirigentes empresariais sobre os assuntos políticos. Refiro-me a política tradicional. Aquela mesma, a de Brasília, dos Estados e municípios. Os argumentos para o distanciamento são sempre os mesmos, que em sua maioria remetem à insistente corrupção, ao rocambolesco repertório, à eterna lenga lenga sem resultados concretos.

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Por Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial e membro do conselho editorial da DVS Editora. Continue lendo

Insights Dov Seidman

Dov Seidman, considerado pela revista Fortune “o consultor de maior sucesso no circuito da virtude corporativa”, é pioneiro na ideia de que empresas com mais princípios são mais lucrativas e sustentáveis. Durante a palestra, Seidman propôs diversas reflexões ao público, sobre como as empresas podem inspirar funcionários a criar uma cultura de inovação e resultados. Ele explicou a importância do comportamento e da transparência das companhias em um mundo interconectado e interdependente.

Via HSM

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Entrevista – Especialista pede profissionalização da adm. pública brasileira

Ouça a entrevista com Mario Pascarelli Filho para a rádio 96 fm de Bauru. O autor do livro A Nova Administração Pública dá insights para que os administradores públicos  aproveitem ao máximo as potencialidades dos seus municípios;  fala de Copa, Olimpíadas e da preocupante e ainda aparente falta de preparo do Brasil em conduzir as mudanças necessárias para realização desses eventos. Continue lendo

Os limites da administração profissional

Não há profissional formado nas escolas de negócios, que não tenha estudado sobre os inquestionáveis benefícios que uma empresa obtém ao implementar um modelo de gestão profissional, afastando para o conselho de administração os fundadores do negócio e seus familiares que antes ocupavam cargos executivos.

Por Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial e membro do conselho editorial da DVS Editora. Continue lendo

O Fracasso Também Agrega Valor

Antes de tudo, vamos deixar uma coisa bem clara. Existem fracassos e FRACASSOS. Os FRACASSOS são gravíssimos, podem ser fatais e desestruturantes. Mas os outros, os fracassos, são inevitáveis, incompreendidos e desvalorizados. O fato, leitor, é que vivemos sob o culto cego ao sucesso. Só se fala sobre ele, e ninguém parece ser capaz de admitir o contrário.

É impressionante, ninguém comete erros!

No contexto de alguns ambientes corporativos, nem se fala (calma, reconheço que existem muitas exceções), o fracasso virou palavrão e até mesmo as maiores bobagens podem ser mascaradas e comunicadas com ares de êxito e superação. Nada mais natural, afinal de contas, nesses lugares, qualquer besteirinha leva ao desprestígio, e ali, esse é o maior erro que se pode cometer.

Mas qual é o resultado para uma empresa que não consegue admitir que fracassos e erros são saudáveis e inevitáveis? A resposta é uma equipe insegura, infantilizada e emocionalmente despreparada para lidar com adversidades. Então, para compensar, criam um ambiente pasteurizado, de onde os competentes tentam fugir, e os acomodados permanecem performando (ou seria embromando) para parecer que estão realizando. Sim, porque realizar, de fato, envolve riscos, erros, fracassos e capacidade para lidar com tombos.

Mas isso é impossível se a punição está à espreita para quem erra tentando de fato inovar e fazer algo de concreto.

Nesse contexto, considerando que você é um empreendedor de verdade e deseja criar um ambiente de trabalho fértil para colher inovação e realizações da sua equipe, a chave pode estar em como lidar com algumas questões e crenças frequentemente presentes no palavrório corporativo.

 

Francos e Corajosos no Lugar de Medrosos e Bajuladores

Fuja daqueles que respondem na entrevista que estão lá para “vestir a camisa da empresa”. Não se iluda com essas frases feitas, ninguém está em lugar nenhum para vestir a camisa dos outros. Pessoas competentes querem crescer profissionalmente, fazer coisas bacanas e bem feitas, ganhar dinheiro. Simples assim, e nada mais legítimo. Portando contrate quem tem coragem de dizer a verdade, de se arriscar, de não lhe agradar. Esses odeiam enrolar, são mais maduros, honestos, e sabem realizar.

 

Liderar com Maturidade, Bom Senso e Franqueza, Sempre

Poucas coisas são mais chatas e desestimulantes do que um chefe doutrinador, louco para colocar em prática o último clichê sobre liderança pessoal, e ao mesmo tempo excessivamente atento para apontar (e punir) minúsculos errinhos da sua equipe. Mas também não ajuda nada, se anular e não dizer a verdade quando essa é fundamental e necessária. Pessoas competentes sabem lidar com ela e trabalham para corrigir as falhas, mas ao mesmo tempo, fogem na primeira oportunidade ao se deparar com lideranças sufocantes. O risco está naqueles que ficam, não se incomodam com isso e nem tentam cair fora. Esses já ligaram o piloto automático. Vão dizer somente o que o chefe vaidoso quer escutar e fazer apenas aquilo que é cômodo e não traz risco algum. Em resumo, vão enrolar.

A Estabilidade Também Constrói

Um ambiente de trabalho em permanente (doentia) mutação, onde a estratégia que é definida na sexta-feira, nunca consegue sobreviver ao final de semana, onde os colaboradores vivem em permanente tensão, com medo de perder os seus empregos por qualquer coisa, não pode resultar em nada muito sólido. A crença de que a instabilidade pela instabilidade ajuda a criar equipes mais fortes e determinadas, e que a pressão por metas irreais colaboram para resultados mais robustos, tem se revelado um grande tiro no pé. Na vida como ela é (grande Nelson Rodriguês), o medo da demissão neutraliza a coragem realizadora; metas impossíveis criam uma cultura mentirosa, e o resultado é uma equipe com grande rotatividade, subtraindo a empresa do acervo de experiência e aprendizado comum, tão caros para a sua sobrevivência.

Por fim, precisamos compreender que negar a importância dos inevitáveis erros e fracassos de qualquer história empresarial, traz o risco de não usufruirmos de seus efeitos pedagógicos, e quem não erra jamais acerta.

 

Sobre o autor

 

 

Gustavo Chierighini, atento observador do universo corporativo, é fundador da Plataforma Brasil e membro do conselho editorial da DVS Editora.

 

E se tudo o que te disseram sobre mudanças no clima for mentira?

Mudanças climáticas

Harbin International Ice and Snow Sculpture Festival - Festival do gelo em Harbin, China. (Foto: Lukas Hlavac)

Por Václav Klaus, presidente da Rep. Tcheca

Vale a pena começar este capítulo com alguns dados ilustrativos. Entrei em contato com o Instituto Hidrometeorológico da República Tcheca, que havia recentemente publicado um “Atlas Climático da República Tcheca” (Tolasz, 2007) bastante convincente, e pedi a seus pesquisadores que me fornecessem uma série temporal aleatória de uma estação meteorológica com dados de longo prazo sobre temperatura. Recomendaram-me que não escolhesse Praga, e sugeriram, em vez disso, a estação meteorológica de Opava.

Aquecimento-global

À primeira vista, não há nenhuma tendência evidente relativa ao tempo. A temperatura média de Opava durante os últimos 86 anos foi de 8,3°C. Se fizermos uma simples análise de regressão, obtemos um componente tendencial de 0,0028°C por ano. Para os leigos, isto representa um aumento de temperatura de 0,028°C por década e 0,28°C por século. É evidente que a estimativa deste parâmetro não é estatisticamente significativa, e eu gostaria de ressaltar que meu objetivo certamente não era encontrar uma linha ou uma curva que expressasse de maneira representativa os 86 valores desta série temporal. Também estou plenamente consciente de que, quando consideramos um período de tempo relativamente curto, muito do resultado depende da escolha de um começo e de um fim – datas, neste caso, que foram determinadas não por mim, mas pelo Instituto Meteorológico Tcheco. Obviamente, a escolha de um ponto de partida diferente poderia ter levado a resultados diferentes.

É possível “brincar” com o começo – assim como com o final – desta série temporal. Tais mudanças são bastante significativas. É possível obter várias médias móveis. Os meteorologistas usaram a média móvel padrão de 11 anos, pois seu cálculo corresponde ao período da atividade solar. Eu mesmo calculei várias outras, mesmo médias móveis de 30 anos, sem observar mudanças fundamentais nos resultados. A média móvel de 30 anos demonstra temperaturas elevadas a princípio, uma diminuição posterior da temperatura (até os anos 1970), e um pequeno aumento no período final. Para o leitor leigo, provavelmente será mais fácil observar as médias de cada década. Com uma média geral de 8,3°C, a média das décadas 1921-1930 e 1931-1940 é de 8.5°C, nível que foi alcançado novamente em 1991-2000. O único período mais quente que os 20 anos entre 1921 e 1940 é a década incompleta de 2001-2006. Não é minha intenção extrair conclusões gerais destes dados e nem superestimar de modo algum sua importância; eu os apresento apenas como um ponto de partida para ilustrar o problema.

“Quanto mais ‘imprevisível’ parece ser o desastre, mais dinheiro estará à disposição dos cientistas.”

Os resultados de uma análise empírica de mudanças climáticas levada a sério (e também do aquecimento global), a credibilidade dessas análises e – para adicionar mais uma dimensão – a credibilidade da apresentação dessas análises pelos meios de comunicação são completamente diferentes das considerações econômicas ou sociológicas aqui apresentadas. Embora possa ser difícil de acreditar, essas considerações são duas coisas mais ou menos diferentes.

Patrick J. Michaels, ex-presidente da American Association of State Climatologists (Associação Americana de Climatologistas), desafia – em minha opinião, de forma bastante convincente – o fenômeno do aquecimento global em seu livro Meltdown: The Predictable Distortion of Global Warming by Scientists, Politicians, and the Media – 2004 (Colapso: A Previsível Distorção do Aquecimento Global por Cientistas, Políticos, e a Mídia, na tradução livre). Ele apresenta três perguntas elementares que dão uma estrutura racional a todo o problema:

• Há um aquecimento global?
• Em caso afirmativo, ele foi causado por seres humanos?
• Em caso afirmativo, podemos fazer algo a respeito?
Poderíamos acrescentar uma quarta pergunta: um aumento moderado de temperatura no futuro faria diferença?

Um renomado cientista americano, S. Fred Singer (2006), levanta questões bastante semelhantes em seu ensaio The ‘Climate Change’ Debate (O Debate sobre a Mudança Climática, na tradução livre):

• Há indícios – pró ou contra – de significativa contribuição humana para o aquecimento global atual?
• Um clima mais quente seria melhor ou pior que o clima atual?
• Podemos de fato fazer algo quanto ao clima?

Esse e muitos outros autores chegam a conclusões diametralmente opostas às que são politicamente corretas ou estão na moda hoje. Tais autores também tentam apurar o que está por trás das diferenças existentes. Eles não acreditam que grande parte da disputa tenha a ver com a ciência propriamente dita. Em seu último estudo, Michaels (2006, 1) examina cuidadosamente “tanto os recentes relatórios científicos sobre mudanças climáticas quanto a comunicação desses relatórios” ao público. Acrescento que este artigo foi publicado antes do relatório Stern (2006) completo, mas entre a publicação de seu resumo político e a publicação do resumo político do quarto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (Intergovernmental Panel for Climate Change, ou IPCC) (IPCC, 2007).

O problema fundamental, segundo Michaels, reside na grande discrepância entre os relatórios científicos originais e a apresentação pública destes resultados pelos meios de comunicação. O resultado é a disseminação em massa, aparentemente deliberada, de meias-verdades (ou mesmo mera desinformação) por parte dos meios de comunicação, muitas vezes com o propósito primordial de aumentar ao máximo o generoso financiamento público para pesquisas sobre desastres em potencial. Quanto mais “imprevisível” parece ser o desastre, mais dinheiro estará à disposição dos cientistas.

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Aquecimento global

The New York Times – Uma história de valores em meio à crise europeia

Por Thomas Friedman, colunista do The New York Times

Katerina Sokou, 37 anos, uma jornalista grega que escreve para o caderno de economia do Kathimerini, um jornal diário grego, me contou essa história: um grupo de membros do parlamento alemão veio à Atenas, pouco tempo depois da crise econômica eclodir no país, e se encontraram com alguns políticos gregos, acadêmicos, jornalistas, advogados de modo a avaliar a evolução da economia grega. Sokou disse que sua impressão foi de que os alemães estavam tentando descobrir se deveriam emprestar dinheiro para a Grécia para uma operação de salvamento. Era como uma nação entrevistar outra para um empréstimo. “Eles não estavam aqui como turistas, fomos obrigados a dar dados sobre quantas horas de trabalho”, lembrou Sokou. “É realmente senti que nós tivemos que convencê-los sobre os nossos valores.”

A observação de Sokou me lembrou uma obsevação que me foi feita por Dov Seidman, autor do livro “Como” e CEO da LRN, uma empresa que ajuda companhias a construírem uma cultura de valores éticos nos negócios.

A globalização de mercados e pessoas tem se intensificado em um novo grau nos últimos cinco anos, com o surgimento das redes sociais, Skype, derivados, conexão de banda larga sem fio barata, smartphones e computação em nuvem. “Quando o mundo está interconectado desta forma”, argumentou Seidman, “… Mais do que nunca, os valores das pessoas importam assim como o comportamento, por isto impacta mais pessoas, do que nunca. Nós vivemos um mundo interconectado e interdependente eticamente.”

“E se torna cada vez mais difícil se proteger do comportamento irresponsável das outras pessoas”, acrescentou Seidman, ambos irão sofrer as consequências, quer você tenha feito alguma coisa errada ou não. Isto é duplamente verdadeiro quando dois países diferentes partilham a mesma moeda, mas não o mesmo governo. É por isso que esta história não é apenas sobre as taxas de juros. É sobre valores. Os alemães estão dizendo para os gregos: “Vamos emprestar-lhe mais dinheiro, desde que você se comporte como os alemães em como economizar, quantas horas por semana você trabalha, quanto tempo de férias que você toma, e como sempre você paga seus impostos.”


Infelizmente, porém, estes dois países são culturalmente muito diferentes. Eles lembram um casal de quem você pergunta após o divórcio: “Como é que os dois um dia pensaram que poderiam se casar?”

A Alemanha é o exemplo de um país que se fez rico fazendo coisas. Grécia, infelizmente, depois que aderiu à União Europeia em 1981, realmente se tornou apenas mais um petro-Estado tipo Oriente Médio – só que ao invés de um de petróleo, tinha Bruxelas, que constantemente bombeava subsídios, ajuda e euros com juros baixos para Atenas.

Recursos naturais criam corrupção, e grupos competem por quem controlará a torneira.  É exatamente o que aconteceu na Grécia, quando teve acesso a enormes Euro-empréstimos e subsídios. O empreendedorismo natural dos gregos foi canalizado na direção errada – em uma competição por fundos do governo e contratos.  A Grécia teve um surto de modernização real na década de 1990. Mas depois de 2002, ela colocou seus pés para cima, pensando que tinha chegado, e muito “Euro-óleo” da União Europeia foi usado para financiar um sistema corrupto e patrimonial pelo qual os políticos criaram empregos no governo e formularam projetos para localidades em troca de votos. Isso reforçou um Estado de bem-estar enorme, onde os jovens sonhavam com um emprego no governo confortável.

Tornar-se um membro da União Europeia “foi uma grande oportunidade para obter um desenvolvimento e nos desperdiçamos isso”, explica Dimitris Bourantas, professor de administração na Universidade de Atenas.

“A adesão à União Europeia foi uma grande oportunidade para o desenvolvimento, e nós desperdiçamos”, explicou Dimitris Bourantas, um professor de administração da Universidade de Atenas. “Nós também não aproveitamos os mercados do [ex-] países socialistas ao redor da Grécia, e nem o crescimento da economia global. Perdemos todos eles porque o sistema político ficou focado no crescimento da administração pública – e não em promover o empreendedorismo, a concorrência ou a estratégia industrial ou vantagens competitivas. Criamos um estado com grande ineficiência, corrupção e uma burocracia muito grande. Fomos o último país soviético na Europa.

É por isso, acrescentou, que os gregos, quando vão para os EUA, libertam as suas competências e seu empreendedorismo” de modo a capacitá-los para prosperar no comércio. Mas aqui na Grécia, o sistema incentiva justamente o oposto. Os investidores aqui dizem que a burocracia envolvida para montar um novo negócio é esmagadora. É uma loucura, a Grécia é o único país no mundo onde os gregos não se comportam como os gregos.

Com o declínio de Beirute e Dubai, Atenas deveria ter se tornado o centro de serviço do Mediterrâneo Oriental. Em vez disso, Chipre e Istambul aproveitaram esse papel. A Grécia não deve desperdiçar esta crise. Embora tenha algumas reformas instituídas no ano passado, o primeiro-ministro George Papandreou, me disse: “O que é mais frustrante é a resistência do sistema. Como produzir uma mudança cultural?”

Isso vai levar a uma revolução cultural. E isso só pode acontecer se dois principais partidos da Grécia se unirem, derem as mãos juntarem forças para uma mudança radical na cultura que rege de cima para baixo. Sem isso, a Grécia nunca será capaz de pagar seus empréstimos.

 

 

 

 

Aeroporto é arma para competir, diz autor de ‘Aerotropolis’

Ao negligenciar os investimentos em aeroportos, o Brasil corre o risco de ficar para trás na competição global com outros emergentes.

Por MARIANA BARBOSA, publicado originalmente na Folha Online.

Essa é a opinião do professor da Universidade da Carolina do Norte John Kasarda. O autor de “Aerotropolis“, lançado em março nos EUA –e com previsão de sair no Brasil, pela DVS Editora, em novembro,– concedeu entrevista à Folha por telefone.

*”INTERNET FÍSICA”

A cidade construída no entorno do aeroporto permite maior e mais rápida conectividade e a formação de redes de negócios globais. Os aeroportos formam uma internet física que movimenta produtos e pessoas. Um terço do comércio mundial viaja de avião –embora a carga aérea represente só 1% do volume. Você só pode competir como economia global se tiver infraestrutura aeroportuária.

VANTAGENS

Uma “aerotrópolis” oferece serviços para apoiar negócios que são de alguma forma ligados à aviação, mas também a milhares de passageiros. O conceito atrai empresas com cadeias de suprimento globais, com componentes produzidos em meia dúzia de países e que são montadas num sétimo país.

BRASIL

O aeroporto é a primeira, e a última, impressão que se tem de um país. Hoje o Brasil não tem a mais atraente porta de entrada. Quando você sai do Galeão até chegar a Copacabana, o que se vê pelo caminho tampouco é atraente.Apresentei o conceito da aerotrópolis à Infraero, mas nada aconteceu. A exceção foi Belo Horizonte [Confins], que é um aeroporto pequeno.

BRICS

A China e a Índia estão andando muito mais rápido e o Brasil está ficando para trás. É uma pena. O país tem muito potencial para ser líder. O problema é a burocracia governamental. O governo não opera no ritmo dos negócios.

PRIVATIZAÇÃO

Só vi o anúncio preliminar, mas achei muito bom. É preciso agir rápido por conta da Copa. A exploração de terrenos no entorno dos aeroportos, sobretudo nos mais importantes, tem de ser feita de forma eficiente, atraindo empresas que dependem dessa proximidade. Os que não dependem só contribuem para piorar o trânsito.

 

FATOR SOCIAL

O planejamento do entorno de Guarulhos pode afetar as pessoas que vivem em ali [5.000 famílias]. É preciso levar em conta o fator social, mas muitas vezes é preciso também tomar decisões difíceis, em nome da prosperidade do país. O fato dessas famílias morarem perto do aeroporto não as beneficia.

TRANSTORNO

Na China e no Oriente Médio, os aeroportos são vistos como a infraestrutura-chave para competir no século 21. No Brasil, são tidos como transtorno ou ameaça ambiental. As pessoas não entendem a importância deles para a prosperidade, que determina a qualidade de vida.

COISA DE RICO

Os mais prejudicados quando a aviação entra em crise são os produtores rurais da África, de rosas da Colômbia, que ficam sem vender para a Europa. E também os taxistas, as camareiras de hotel. Os ricos viajantes são o lado visível, mas eles sofrem apenas com a inconveniência. Os pobres são os que têm o seu sustento afetado.