Quem se habilitará?

Por: Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial e membro do conselho editorial da DVS Editora.

Caros leitores, não estão sendo tranquilos os dias de nossa equipe governamental. Como se não bastasse a teimosia de nossa economia em se recusar a decolar diante das políticas “desenvolvimentistas” e de indução estatal, um universo de fios desencapados surgem aqui e ali em profusão. Eles representam desde a classe médica em pé de guerra diante das proposituras bolivarianas mais recentes, passando pela força caleidoscópica imprevisível das “ruas” que sem liderança vertical ficam blindadas de acordos políticos de ocasião (com quem agendar uma reunião ?), até a insistente e indócil (mas por muitos aplaudida) insubordinação da base aliada parlamentar.

Trata-se de uma típica navegação em mar revolto, sem radar, com a visão do horizonte cada vez mais turva, mas com o alto almirantado ciente de que o porto mais próximo se encontra a exatos 17 meses de navegação. Conseguirão atracar com sucesso? Não se sabe.

Em resumo, um quadro de instabilidade política sem maiores consequências, típicas de uma democracia que ainda não adoeceu, onde o processo político opera como uma força natural, com vida e alimentação próprias, provocando mudanças, sepultando mitos, instigando a natural sucessão de lideranças, comportamentos e padrões. Nada mais saudável e esperado em uma sociedade livre e dona do seu destino. Mas se os ventos sopram em direção a alternância e renovação, qual seria o modelo sucessor? Ou melhor, quem o encabeçaria?

A nítida sensação é a de que esta figura ainda não existe. Ou seja, não se destaca, não aglutina opiniões, não propõe alternativas, não exerce liderança substancial e muito menos causa inspiração. Trocando em miúdos, não existe democracia verdadeiramente sã e economicamente próspera sem a perspectiva de uma oposição preparada e energizada para os processos sucessórios (em todos os níveis e acometendo todos os grupos políticos).

No lugar deste hiato, o que sobressai é o marasmo e a inação, e estes atores podem assustar muito mais do que persistentes índices econômicos de ocasião.

Até o próximo.

 

7 lições que podemos tirar da realidade brasileira dos últimos anos

Por: Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial e membro do conselho editorial da DVS Editora.

Caros leitores, determina um dos mais clássicos ditados populares, para que não fiquemos chorando pelo leite derramado. Quem pode discordar da sabedoria embarcada em uma sentença tão simples? É isso. O fato é que empenadas econômicas como esta que estamos vivendo não se resolvem com choramingos, (muito menos com a sustentação das mesmas políticas que as trouxeram, é verdade).

“Não custa lembrar que o futuro se faz agora, e este depende das lições assimiladas no presente.”

Podem sim, ser evitadas com uma boa, antecipada e articulada dose de senso crítico, ou ainda atenuadas durante o curso de sua construção, envolvendo a admissão de erros e a revisão de conceitos e valores equivocados. Mas quando o bom senso some, sendo substituído pela bruma das ilusões, quem sofre são os bolsos, a expansão que não chega, os sonhos econômicos que não se realizam – mas que poderiam muito bem ter se tornado realidade.

Sim meus caros, a fatura chega, pode tardar mas sempre chegará. Contudo, depois de apresentada, enquanto nos preparamos para a sua liquidação (para os que podem liquidar), não custa lembrar que o futuro se faz agora, e este depende das lições assimiladas no presente. E foi assim, com esse espírito, que reuni uma lista para estimular a nossa análise sobre o passado político-econômico dos últimos anos, período no qual edificamos a nossa mais recente (mas totalmente evitável e desnecessária) empenada econômica.

E caso você se espante com o tom de epílogo deste texto, julgando que nele há algum exagero, peço apenas que nos lembremos de algo que não é auditado, não surge listado nos relatórios oficiais, e quando muito aparece em leves linhas em análises independentes, mas mesmo assim com mínima ressonância. Tratam-se das oportunidades perdidas. Esta sim, a filha pródiga de todas as empenadas.

Vamos lá:

Lição I: O populismo governamental, empenhado por qualquer partido ou grupo político, raramente consegue trazer melhorias sociais concretas e sustentáveis ao longo do tempo, no lugar disso, via de regra, substitui os fracassos por mais populismo;

Lição II: A insistente não participação do empresariado diante do processo político sempre acaba sendo onerosa. Patriotas ou não, nacionalista ou não (que fique claro que são tipos distintos) ou indiferentes, em última análise, acabam sofrendo o impacto do seu não ativismo no próprio bolso;

Lição III: A unanimidade não é inteligente, (já nos alertava o escritor Nelson Rodrigues). Então, quando observar uma maioria majoritária exageradamente otimista e entusiasmada, mesmo diante da ausência dos fundamentos econômicos essenciais para a prosperidade, desconfie;

Lição IV: O Estado por mais necessário que seja, jamais apresentará a mesma eficiência de gestão que o universo privado. Isto é atávico de sua natureza e trata-se de uma máxima quase universal – não sendo privilégio de nenhuma nação. Então, que fique claro, que o intervencionismo estatal invariavelmente acaba sempre prejudicando;

Lição V: O capital é um bicho amoral, desprovido de sentimentos, imune a ideologias, mas com uma psique absolutamente sofisticada. O seu olfato fareja encrencas a quilómetros de distância e foge rapidamente quando identifica a instabilidade econômica, a não transparência, ou a atuação de um modelo governamental excessivamente atuante e que sutilmente o demonize;

Lição  VI: Não se brinca com o processo inflacionário e a responsabilidade fiscal;

Lição VII: Por último, é bom lembrar que exemplos aparentemente inspiradores de opulência empresarial, construídos por atos midiáticos e grandes promessas, muitas vezes realizam menos que a discrição, a disciplina e a silenciosa mão na massa.

Boa sorte e que venham novos tempos.

Conseguimos!!

Por: Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial e membro do conselho editorial da DVS Editora.

Caros leitores, não faltaram sinais e sólidas evidências anunciando a deterioração do quadro político e econômico. O social se equilibra na corda bamba, pois ainda está ancorado nos resquícios de alguma (mas decrescente) capacidade de endividamento das famílias e por hora na elevada (mas também decrescente) taxa de emprego – em risco por conta da conjuntura que se anuncia.

Antes dos sinais objetivos da deterioração, os indícios psico-comportamentais que ao contrário do que sugerem algumas análises ortodoxas, forte relação estabelecem com a dinâmica econômica (e política), pulavam diante da tela. Eles foram claríssimos e explícitos. Euforia generalizada, a certeza míope em um médio ou longo prazo econômico a prova de percalços, a crença nas garantias do nosso potencial extrativista-energético como força motriz para todo o resto. A aposta irreal na concepção de um cenário onde os investimentos – bem como a execução – em linha com as tão antigas demandas de infraestrutura seriam cartas certas em um jogo que aparentemente não era de azar.

Neste contexto junta-se uma grande parcela do empresariado (sim, existem e existiram exceções – escolha e coloque aqui a sua carapuça) e de pensadores econômicos, influenciados pelos desastres econômicos nos EUA e na zona do euro, questionando a eficiência do universo executivo privado frente ao seu similar público quanto à capacidade de condução eficiente da economia. Ali parecia que aos poucos uma negação do modelo liberal que tanto progresso (sempre que os excessos foram contidos por eficiente, porém não excessiva, regulamentação) trouxe ao mundo livre fortalecia-se rumo ao status de quase “verdade absoluta”.

Não adiantaram os alertas dos dissidentes (eram imediatamente rotulados de derrotistas – e recentemente de terroristas econômicos), e nem mesmo as análises em prognóstico dos fundamentos que gradualmente se deterioravam. Diante do precipício brincaram escorados nos altos índices da popularidade governamental e no noticiário internacional.

Junta-se a isso a apatia política, que é típica da classe média, mas que atingindo níveis alarmantes (com ou sem redes sociais plenamente ativas), conferiu ao cenário geral o espaço perfeito para a sustentação de uma rota de colisão movida pelo combustível do excesso ideológico misturado com inação e a falência do espírito crítico.

O resultado? Um estado ineficiente (por vezes delinquente), excessivamente presente onde não precisaria estar (atrapalhando), mas totalmente ausente onde deveria efetivamente atuar, prejudicando o panorama geral, assustando investidores, fragilizando a competitividade, e proporcionando uma longa fase de perda de oportunidades caríssimas, sem precedentes (sim, sim, existem exceções – novamente, por favor, escolham a carapuça mais adequada).

A consequência? Um caldo que reúne ebulição social em manifestações de legitimidade inquestionável (excetuando-se ações violentas, depredatórias e excessos), com fuga de investidores (que provavelmente aplaudem os protestos de rua, mas torcem o nariz para a equipe econômica), apreciação internacional em queda e câmbio repentinamente desvalorizado beirando o descontrole.

Em meio a isso, uma classe política lutando para entender o clamor popular das ruas, ensaiando aqui e ali declarações que tentam convergir com a opinião pública, numa vã tentativa de pegar carona no embalo. (Realmente não faltam apenas engenheiros no Brasil, faltam também bons estrategistas políticos.)

Pra encerrar, fico com a costumeira afirmação de que diante da força inexorável da realidade, surgem os “pontos de inflexão”. Já estava na hora. Veremos.

Até o próximo.

Sociedade civil desorganizada, economia frágil

Por: Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial e membro do conselho editorial da DVS Editora.

Caros leitores, é bem possível e plausível que estejam se questionando ao ler estas primeiras linhas, sobre se devem prosseguir, afinal de contas o título pode, aparentemente, sugerir uma certa confusão, mas tenham certeza ela não existe. Então, convido a me acompanharem por estas linhas, onde abordarei os reflexos econômicos originados a partir dos arrepiantes sinais de um estado cada vez mais arbitrário e, para fazer justiça, entoado por diversas siglas políticas, de esquerda, de direita e de centro (salvo honrosas exceções, de centro, esquerda e direita). Vamos lá.

Imagine uma situação ficcional onde você ao estacionar o carro em uma rua qualquer, seja interpelado pelo flanelinha de que ali o “preço” é de R$50,00, sendo que o habitual seria uma gorjeta de valores que variam entre R$2,00 e R$5,00 dependendo de sua generosidade para esta prática já absorvida pelos motoristas de grandes centros urbanos. Você então questiona se ao menos ele, o flanelinha, se responsabilizaria pela integridade física do seu carro, ficando ali até o seu retorno. Em resposta, ele deixa claro que sairá dali em questão de poucos minutos, e que é bom tomar cuidado no retorno pois a região é perigosa. Diante do cenário, em uma fração de segundos diante de um olhar inquisidor, você precisa tomar uma decisão e então pensa em diferentes alternativas. Pensa em chamar a polícia, afinal trata-se de um logradouro público onde não cabe este tipo de exploração. Ela não está por perto. Pensa em argumentar com o flanelinha sobre os seus direitos de cidadão, destacando os impostos pagos regularmente e tantas e tantas obrigações com as quais honra pontualmente. Inútil, o olhar inquisidor “e ai, vai ou não vai?” permanece. Sem saída, com o tempo escasso para mais argumentações e necessitando deixar o carro ali, pois tem algo urgente a resolver, você se resigna, paga antecipadamente os R$50,00, e reza para nada acontecer ao seu carro e muito menos a você no momento do retorno.

Sim, uma história absurda, pouco provável de acontecer, mas que lamentavelmente ilustra algo muito mais recorrente e possível, que é justamente a relação de nossa sociedade civil com o aparelho do estado, que em princípio existe para nos prover serviços e uma existência razoável no que diz respeito a sua alçada de atuação, em troca dos impostos que pagamos, com especial atenção aos cidadãos que apresentam condições econômico-sociais mais debilitadas.

Uma realidade pautada por massacrantes pagamentos e obrigações civis (impostos, regras, proibições e restrições), que no entanto não retornam em serviços como segurança, saúde e transporte público de qualidade, nem mesmo em infraestrutura à altura dos desafios que continuamente se apresentam cada vez mais robustos e complexos.

Neste ano de 2013, o Brasil estará bem próximo de vencer a disputa pelo ranking internacional de arrecadação tributária, mas solenemente ocupa sem arredar o pé, o último lugar no retorno que oferece aos seus cidadão pelos impostos pagos, em uma pesquisa realizada com os trinta países que mais arrecadam no mundo. Mas a opressão e o arbítrio sempre estão compostos por várias facetas, e estas se multiplicam fertilmente diante de uma sociedade civil desorganizada e desatenta que não sabe impor seus direitos.

A consequência econômica disso? A escala envolvida. Impactando em desembolsos duplicados pois além de pagar os impostos,  precisamos adquirir privadamente os serviços que o estado deveria ter disponibilizado em troca; a competitividade das empresas, a falta de infraestrutura para o crescimento.

Mas como cidadão não posso parar por aqui e constato que agora, além de ser reconhecidamente caro e ineficiente (é claro que existem exceções! “Sim, eu tenho medo do estado no Brasil”), o aparelho estatal resolveu ser chato também.

A alteração na legislação de trânsito que borda a chamada “lei seca” com tolerância zero ao consumo de álcool para motoristas (a lei anterior já era bem rigorosa e um pouco exagerada na minha modesta opinião) ao ponto de um bombom de licor ou o uso de um enxaguante bucal colocarem a sua liberdade em risco, em caso de falta absoluta de bom senso do agente do estado de plantão, comprovam uma chatice arbitrária sem fim.

De forma alguma advogo uma vida civil sem regras, leis e regulamentações. Seria simplesmente impossível de se viver e absolutamente anticivilizatório. Contudo, o que me chama a atenção neste tipo de iniciativa, e que compartilho aqui com o leitor, é a existência de um rolo compressor estatal pesado e interventor, que importuna o cidadão sem oferecer uma troca compatível, avançando na sua sanha de chateações sem encontrar pela frente um bloqueio cidadão, que traria calibragem e bom senso para as suas ações.

Qual será a próxima restrição?

Até o próximo.

Brasil: a evaporação da iniciativa privada

Por: Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial e membro do conselho editorial da DVS Editora.

Caro leitor, hoje começarei o texto me desculpando pelo eventual alarmismo que o título provoca. Entendo se decidir parar a leitura por aqui, levar susto realmente não é nada agradável. Compreendo isso. Porém, caso deseje entender o motivo pelo qual adotei, propositadamente, expressão tão impactante, faço um convite para que me acompanhe até o final, e depois fique a vontade para julgar o conteúdo com todo rigor.

Da mesma forma, devo confessar que foi justamente por conta de um susto assim, mas neste caso baseado em fato concreto, que decidi abordar o tema desta maneira.

Na verdade, tratou-se daquilo que denomino como susto econômico. E não se engane, não abordarei por enquanto o recente processo de IPO do Facebook, considerado por um jornalista do The New York Times, como a mais confusa, conturbada e decepcionante oferta pública inicial de ações dos últimos 30 anos. Não leitor, o arrepio que senti veio de terras pátrias, precisamente de um estudo divulgado por uma instituição séria e respeitada, o IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário). Nele consta-se que apenas ao final de maio deste ano ocorrerá a nossa libertação tributária anual, ou seja, será apenas a partir deste momento que passaremos a trabalhar exclusivamente em prol de nosso legítimo benefício.

O fato, caro leitor, é que ao longo dos últimos cinco meses inteiros – aproximadamente 42% do ano – trabalhamos apenas para honrar os nossos compromissos com a sanha arrecadadora federal, estadual e municipal. Uma alegria sem fim.

Neste contexto, vale uma comparação com outros povos: Os suecos estão na liderança (nós só perdemos para eles), estes trabalham por mais de 6 meses para honrar suas obrigações fiscais. Os franceses estão praticamente empatados conosco trabalhando o mesmo período para dar conta de seus tributos. Os americanos, chilenos e mexicanos trabalham pouco mais que três meses, os espanhóis quatro meses e meio, enquanto que os argentinos atingem três meses e meio trabalhando para bancar sua estrutura estatal.

Mas a questão que surge, é justamente sobre a qualidade do retorno da nossa máquina pública, com os 150 dias que trabalhamos para “investir” R$600 bilhões, a partir de setores de sua responsabilidade, tais como: segurança (onde detém monopólio absoluto), educação, saúde, saneamento básico e infraestrutura de uma maneira geral. Bem, a resposta é conhecida, tal qual sua resultante.

O assustador é que pelo andar da carruagem, no próximo ano, teremos que trabalhar por mais tempo ainda para honrar com nossos impostos. Em 1970 foram aproximadamente dois meses e meio, e desde então a carga não para de crescer. Com essa escalada e gastando em dobro para obtermos aquilo que deveria retornar com o que já foi investido, não seria tão exagerado assim imaginar que sem um basta nacional, nos transformaremos no futuro em uma economia semi-estatal, onde o privado pouco a pouco se dilui e vai ficando apenas de mentirinha.

Imposto

Evidentemente reconheço o desenvolvimento dos últimos anos – se bem que muito impulsionado por um forte conceito de capitalismo de estado – mas o ponto que não pode sumir do nosso radar, é o custo das oportunidades perdidas, do tempo que passou. O ônus permanente de um progresso que custa a chegar, de verdade, e que quando chega, gera imediatamente uma série de efeitos colaterais, tais como a ameaça inflacionária que sempre ressurge quando o PIB ultrapassa a marca dos 4% ou 5%.

A minha grande esperança ou utopia é de a partir daqui quando começa a nossa alforria fiscal, dados espantosos como estes (considerando nosso contexto em particular) sirvam para abrir os olhos da imensa e corajosa classe de empreendedores e geradores de riqueza desse país varonil, resultando quem sabe em um mínimo de engajamento, que não seja nos eternos lugares comuns sempre nos instigando a resolver todas as mazelas sociais independentemente de tudo o que já pagamos obrigatoriamente, mas mobilizados para construirmos um futuro de sociedade próspera, economicamente sustentável, efetivamente livre, credora de seus direitos e forte o suficiente para competir.

E por falar em alforria, encerro o texto com a frase de um herói brasileiro na luta pelo fim da escravidão, Joaquim Nabuco “Há máquinas de felicidade dispendiosas, que funcionam com enorme desperdício, e há outras econômicas que, com as migalhas da sorte, criam alegria para uma existência inteira”.
Boa sorte a todos nós.