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01 jul

Conseguimos!!

Por: Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial e membro do conselho editorial da DVS Editora.

Caros leitores, não faltaram sinais e sólidas evidências anunciando a deterioração do quadro político e econômico. O social se equilibra na corda bamba, pois ainda está ancorado nos resquícios de alguma (mas decrescente) capacidade de endividamento das famílias e por hora na elevada (mas também decrescente) taxa de emprego – em risco por conta da conjuntura que se anuncia.

Antes dos sinais objetivos da deterioração, os indícios psico-comportamentais que ao contrário do que sugerem algumas análises ortodoxas, forte relação estabelecem com a dinâmica econômica (e política), pulavam diante da tela. Eles foram claríssimos e explícitos. Euforia generalizada, a certeza míope em um médio ou longo prazo econômico a prova de percalços, a crença nas garantias do nosso potencial extrativista-energético como força motriz para todo o resto. A aposta irreal na concepção de um cenário onde os investimentos – bem como a execução – em linha com as tão antigas demandas de infraestrutura seriam cartas certas em um jogo que aparentemente não era de azar.

Neste contexto junta-se uma grande parcela do empresariado (sim, existem e existiram exceções – escolha e coloque aqui a sua carapuça) e de pensadores econômicos, influenciados pelos desastres econômicos nos EUA e na zona do euro, questionando a eficiência do universo executivo privado frente ao seu similar público quanto à capacidade de condução eficiente da economia. Ali parecia que aos poucos uma negação do modelo liberal que tanto progresso (sempre que os excessos foram contidos por eficiente, porém não excessiva, regulamentação) trouxe ao mundo livre fortalecia-se rumo ao status de quase “verdade absoluta”.

Não adiantaram os alertas dos dissidentes (eram imediatamente rotulados de derrotistas – e recentemente de terroristas econômicos), e nem mesmo as análises em prognóstico dos fundamentos que gradualmente se deterioravam. Diante do precipício brincaram escorados nos altos índices da popularidade governamental e no noticiário internacional.

Junta-se a isso a apatia política, que é típica da classe média, mas que atingindo níveis alarmantes (com ou sem redes sociais plenamente ativas), conferiu ao cenário geral o espaço perfeito para a sustentação de uma rota de colisão movida pelo combustível do excesso ideológico misturado com inação e a falência do espírito crítico.

O resultado? Um estado ineficiente (por vezes delinquente), excessivamente presente onde não precisaria estar (atrapalhando), mas totalmente ausente onde deveria efetivamente atuar, prejudicando o panorama geral, assustando investidores, fragilizando a competitividade, e proporcionando uma longa fase de perda de oportunidades caríssimas, sem precedentes (sim, sim, existem exceções – novamente, por favor, escolham a carapuça mais adequada).

A consequência? Um caldo que reúne ebulição social em manifestações de legitimidade inquestionável (excetuando-se ações violentas, depredatórias e excessos), com fuga de investidores (que provavelmente aplaudem os protestos de rua, mas torcem o nariz para a equipe econômica), apreciação internacional em queda e câmbio repentinamente desvalorizado beirando o descontrole.

Em meio a isso, uma classe política lutando para entender o clamor popular das ruas, ensaiando aqui e ali declarações que tentam convergir com a opinião pública, numa vã tentativa de pegar carona no embalo. (Realmente não faltam apenas engenheiros no Brasil, faltam também bons estrategistas políticos.)

Pra encerrar, fico com a costumeira afirmação de que diante da força inexorável da realidade, surgem os “pontos de inflexão”. Já estava na hora. Veremos.

Até o próximo.

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