Devemos evitar a política?

Sempre observei um persistente desinteresse de empresários e dirigentes empresariais sobre os assuntos políticos. Refiro-me a política tradicional. Aquela mesma, a de Brasília, dos Estados e municípios. Os argumentos para o distanciamento são sempre os mesmos, que em sua maioria remetem à insistente corrupção, ao rocambolesco repertório, à eterna lenga lenga sem resultados concretos.

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Por Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial e membro do conselho editorial da DVS Editora.

Sem dúvida alguma, são argumentos críticos mais do que legítimos:

Existe sim, engajamento nas questões socioambientais, ora por genuíno interesse e preocupação, ora por conta dos posicionamentos de marca e cuidados com a imagem.

Existem também as legítimas contribuições para campanhas políticas.

Mas confesso que nesse aspecto nado contra a corrente, e defendo o envolvimento político como caminho de sobrevivência e alguma preservação.

Preservação das mínimas condições para uma sociedade livre; preservação e resgate de valores caros que não desejamos que sejam esquecidos (considerando que muitos deles já foram liquidados); preservação (e talvez conquista) do mínimo de espaço e voz ativa nos destinos desse país enorme que mantemos com o nosso trabalho, sacrifício e disposição ao risco.


A ciência política e a história (que sempre se repete) ensinam que a omissão pavimenta o caminho do absurdo, da barbárie e dos descaminhos.

Ensinam ainda que o conforto fútil e a falsa sensação de inabalável prosperidade podem anestesiar e inibir os necessários enfrentamentos e conflitos tão ricos ao amadurecimento. Acomodados, anestesiados e infantilizados pela falta de conflitos, nos tornamos em massa fácil de ser conduzida e controlada.

Não defendo ânimos acirrados nem a desconfiança (Juscelino Kubitschek dizia que uma sociedade desconfiada é facilmente manejada), mas anseio por maior participação, vigilância, senso crítico e combate à omissão.

Mas se com tudo isso, você ainda não se convenceu da importância de participarmos da vida política do nosso próprio país, sugiro que leia a lista que publico abaixo com alguns bons motivos.

Vamos lá:

1) A arrasadora e crescente carga tributária, acompanhada de total falta de contrapartida em benefícios públicos;

2) A antiquada legislação trabalhista;

3) O ambiente jurídico de absoluta insegurança;

4) A falta de incentivos para pesquisa e desenvolvimento;

5) A brutal desqualificação da mão-de-obra, resultando nos robustos (mas muitas vezes insuficientes) investimentos empresariais em capacitação e treinamento;

6) O crescente predomínio de alguns grupos e sociedades de classe (com ativa participação política) que preconceituosamente observam os empresários como inimigos a serem suportados e eventualmente combatidos;

7) A forte e resistente burocracia cartorial;

8) A instabilidade das regras institucionais;

9) Os investimentos em infraestrutura muito mais presentes em peças de marketing, do que na vida real;

10) As reformar estruturais (Política, previdenciária e tributária) que aguardamos desde o início dos anos 90;

11) O alardeado mas inexistente combate à crescente corrupção;

12) O combate efetivo à criminalidade pouco observado no cotidiano comum, mas muito presente nos roteiros cinematográficos e em ações com forte objetivo midiático.

Esses são apenas alguns, mas antes de tomar a sua decisão, pense na frase de Martin Luther king “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”.

Até o próximo.

Plataforma Brasil Editorial atua como uma agência independente na produção de conteúdo e informação.

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