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07 fev

O que editores e agentes literários esperam de UM MANUSCRITO?

Começo essa série de artigos reprisando parte de um capítulo do meu livro ‘5 Lições de Storytelling: o best-seller’, publicado pela DVS Editora, em que trato de uma pergunta um tanto traiçoeira: O que editores e agentes esperam de um manuscrito? Ou seja, do texto que você escreveu e que espera ver publicado.

Consigo ver o nosso querido autor desavisado levantar a mão e dizer:

“Fácil! Eu já terminei o meu livro, a ideia está super em alta, os personagens são os que estão vendendo, mas a minha abordagem é diferente, a trama é de lascar, vai deixar todo mundo à borda da cadeira. Isso é o que os editores e os agentes querem. Correto?”

Vamos ver…

Claro que queremos, quer como editoras ou agentes, ideias criativas, bons personagens, enredos arrebatadores e ideias atuais. Você não precisaria de mim para dizer isso. Mas será que é somente criatividade a única coisa que buscamos? O que adianta criatividade se eu não entendo o seu livro? Se ele não está estruturado? Se tem personagens interessantes, mas estão mal desenvolvidos? Aliás, o que para o autor desavisado é uma abordagem diferente? Uma ideia que vende?

Grande erro do autor aspirante: recebo muitos manuscritos considerados PRONTOS, mas que não podem ser comercializados de maneira alguma. Eles não estão organizados, possuem erros gramaticais crassos, além disso, posso ler cinquenta páginas que não saberei do que se trata o manuscrito. Pode até conter tudo que o autor diz que contém, só que parece não ter história e, se tiver, a tal história não me pega, não me arrebata.

O que é ter um manuscrito PRONTO?

Vou repetir algo que sempre digo em palestras e cursos:

A PRIMEIRA VERSÃO DE QUALQUER MANUSCRITO É UMA DROGA.

Sim, você vai ter de revisá-lo e só poderá fazer isso quando terminar a primeira versão. Esta estará PRONTA, mas será a primeira de muitíssimas outras. Também poderá contar com profissionais para ajudá-lo nesse processo: coaches, editores e revisores. Entretanto, não vou me estender nesse aspecto já que o assunto é extenso e você poderá obter mais informações no volume da série ‘5 Lições’ a que me referi no começo.

Então, o que queremos é fácil. Tanto o editor, quanto o agente quer um livro PRONTO MESMO para comercializar. Neste artigo, dou mais uma vez todas as diretrizes para que um manuscrito seja aceito. Nunca me canso de insistir neste ponto, pois, depois de dezenas de anos nesta minha profissão de consultor literário e editorial continuo a receber obras que não podem ser publicadas. Na verdade 99% são rejeitadas.

E isso não significa que somos muito rígidos. Na verdade, nosso catálogo ainda pode e precisa receber muitas obras. O que acontece é que o autor não consegue distinguir um livro PRONTO de outro que ainda vai requerer MUITO trabalho.

Quando conversamos com os editores, isso é o que mais os aflige. Eles preferem comprar obras internacionais a lapidar manuscritos de ‘autores desavisados’. Imagina o trabalho! No exterior, além de poderem comprar o livro pronto, estes já vêm com dados de venda e o editor pode ter uma ideia de onde está pisando. Você faria diferente se estivesse no lugar dele, se publicar fosse o seu negócio? Duvido.

Que tal, então, caprichar?

Ok! Ok! Você está se perguntando por onde começar, quais pontos os agentes e editores atentam num manuscrito. Quer entender como saber se sua obra está pronta. Abaixo, vou apresentar uma visão geral do MÍNIMO que se espera de uma obra de ficção, como romances de todos os gêneros, inclusive aos de autoajuda romanceados e correlatos (e, dependendo do caso, até mesmo de uma biografia). Se essas questões não forem respondidas de forma que perfeitamente convençam o editor e o agente, não se iluda, você ainda tem um caminho a percorrer.

Então, responda com honestidade as questões a seguir, pois o primeiro passo começa aqui!

PERSONAGEM PRINCIPAL

Ele dará vida a sua obra. Será responsável por cativar o leitor.

  • vale a pena para o meu leitor acompanhar o meu personagem até o fim do livro?
  • como posso fazer o meu personagem principal ganhar vida e “saltar da página”? ele tem um conflito interno instigante e um conflito externo que venha a arrebatar emocionalmente o leitor?
  • ele é suficientemente interessante? Tens pontos fortes? Fracos? Por quê?
  • quais características farão o meu leitor ficar vidrado no meu personagem principal?

VILÃO

Boa parte dos livros tem um vilão que é tão complexo quanto o personagem principal. Então:

  • ele está cumprindo bem o papel?
  • o seu comportamento está claro e justificado para o leitor?
  • ele é tão forte quanto (ou preferencialmente mais forte) do que o personagem principal e tem chances de ganhar? Oferece um desafio real?
  • o vilão não precisa ser necessariamente um personagem, mas deverá também ser bem fundamentado.

PLOT / ENREDO

  • existe algum ponto fraco na obra? Existe a chance de o leitor interromper a leitura e colocar o livro de lado?
  • o plot parece forçado ou pouco natural?
  • tem muita ação? Reação? Está equilibrado dentro do gênero a que me proponho escrever?

INÍCIO DO LIVRO

  • eu começo o livro quando a história começa ou tem muita preliminar e “aquecimento”?
  • as primeiras páginas conseguem mostrar o universo do livro que estou apresentando? O leitor consegue entender “de cara” em qual história está mergulhando?
  • qual o tom do meu livro? As descrições são consistentes?
  • o que acontece no início que fará meu leitor continuar virando as páginas? Qual o conflito? O perigo que o personagem principal enfrenta?

FINAL DO LIVRO

  • alguma ponta ficou solta? Consegui resolver tudo o que foi apresentado no livro?
  • consegui fazer o leitor se sentir da forma como eu queria?
  • dei aquela sensação de que a história vai além do que o leitor pensava a princípio? (Esses são os melhores fins).

AS CENAS

  • têm conflito ou tensão explícitos?
  • estão bem delimitadas? Todos os elementos de que uma cena se compõe podem ser identificados?
  • eu estabeleci o ponto de vista do personagem?
  • se a cena é de ação, o objetivo está claro? Se é de reação, a emoção está clara?

 

Claro que poderíamos acrescentar voz, estilo, muito mais sobre ponto de vista, descrição, dentre outras coisinhas, mas a partir dos questionamentos acima, você já terá uma ideia se o seu manuscrito está pronto ou se falta trabalho. Além disso, consulte as especificações das agências e editoras e faça seu próprio check-list.

Também não desanime, não por que ter medo, saiba que esse é o processo natural de todo escritor, a não ser que você seja um gênio. Fazendo o check-list você aprenderá a enxergar o manuscrito da mesma forma que o editor. E não é isso que todo escritor quer? Saber o que se passa na mente do editor?

Praticando a autoedição e a revisão de seu trabalho, você aumentará exponencialmente as chances de ser publicado e, além disso, o processo se tornará cada vez mais fácil.

Acredite quando digo que essa é a única maneira de se tornar um escritor profissional, ou seja, adquirindo controle sobre o próprio texto: cortando, encaixando, adicionando, trabalhando e tantos outros “andos”. Dessa forma é que autores não-publicados se tornam escritores publicados, com o livro na prateleira e a tão sonhada noite de autógrafos.

James McSill – Em um mercado em que menos que 5% dos bons textos conseguem sequer ser autopublicados, mais de 75% dos autores que procedem das consultorias de James McSill atingem a tão almejada publicação comercial. James trabalha em vários países com textos para literatura, teatro, cinema, TV e Storytelling Corporativo. | ©mcsill |  james@mcsill.com
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