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Rio +20 logotipo 29 jun

A apoteose da retórica

Por: Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial e membro do conselho editorial da DVS Editora.

Caro leitor, se o objetivo da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio +20) era o de servir como um encontro que garantisse espaço e eco para a melhor expressão da diversidade terrestre, tanto no campo cultural, como no ideológico, ou mesmo para a revisão de antigos ou novos posicionamentos do universo politicamente correto, então, seguramente podemos afirmar que foi mesmo um sucesso.

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Um grande workshop multicultural, multiideológico. Uma verdadeira festa das multicausas. (O discurso do líder iraniano – o mesmo que pregou a necessidade da extinção do estado de Israel – sobre paz, harmonia, e renovação espiritual dos povos foi imperdível). A todo o tempo, e para qualquer circunstância as respostas parafraseavam a campanha de Obama em 2008: “Sim nós podemos”.

Em meio a um ou outro protesto paralelo, ou a uma ou outra manifestação mais ácida sobre posições não integralmente respeitadas nos textos oficiais, a reação dos organizadores era a contemporização empática, tolerante, e em muitos casos o recuo em atendimento. (Dizem as boas e as más línguas que a melhor maneira de se esquivar de uma “saia justa” é sempre dizer a palavra mágica, Sim). E desta forma se desenvolveu o evento, em banho maria.

Sem decisões, sem uma agenda futura com o mínimo de concretude, mas com muitos, muitos discursos, e muitas, muitas encenações.

O leitor me perdoe pelo tom ácido e um tanto irônico. Mas saiba que não faço isso por desdenhar da causa ambiental ou da importância da sustentabilidade, muito pelo contrário. Acho o tema relevante, sério e merecedor sim de atenção e preocupação. Mas é importante também entendermos que o fraco engajamento da sociedade não existe por acaso. Ele é fruto dos exageros da narrativa que envolvem o assunto, da patrulha ideológica que não admite uma discussão séria e crítica, e nem sequer qualquer questionamento, operando na verdade como uma norma comportamental. (Experimente dizer em uma entrevista de emprego que você não perde o sono quando pensa na questão ambiental).

Alguns críticos afirmam que a reunião do G20 prejudicou a efetividade do evento carioca, por conta da urgência da problemática econômica que ali seria tratada, absorvendo a atenção total dos chefes de estado. De fato em algum aspecto isso pode ter acontecido, mas na minha modesta opinião a questão é mais profunda.
A sociedade de forma geral, seus cidadãos comuns assim como muitos de seus líderes, simplesmente não suportam mais o festival retórico no qual foram mergulhados (pulando de cabeça). Ao mesmo tempo sentem-se massacrados pela Patrulha Politicamente Correta que lhes cobra posições estáticas comumente aceitáveis, sem espaço para o contraditório e nem para críticas mais estruturadas.

O fato é que nesse ritmo, sem uma abordagem clara, científica, econômica, direta e focada, em pouco ou nada avançaremos além de performances.
Um cenário onde as respostas serão sempre superficiais, pasteurizadas e encenadas para mascarar ceticismo e cansaço, quando não para o palco político e sua frenética busca por popularidade e votos. E no meio do caos, brincando na corda bamba, um joguinho divertido (mas perigoso) de empurrar a batata quente, pelo único, óbvio e simples motivo: Ninguém quer pagar a conta da sustentabilidade, sem compensações efetivas.

Até o próximo,

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