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O otimismo pode espantar investidores

Já presenciei inúmeras apresentações, onde startups e negócios já estabelecidos mais que desejavam atrair investimentos, simplesmente não consideravam nenhuma possibilidade de fracasso. Para eles, nada iria sair errado e pela primeira vez na história um planejamento seria concretizado sem nenhum atraso ou furo.

por Gustavo Chierighini

Nessas situações, quem realiza a apresentação faz malabarismos para irradiar um otimismo contagiante, muita confiança e uma energia de impacto, mas simplesmente não considera o pavor que gera na plateia cética, fria e experiente, composta por analistas treinados a encarar o “não” como algo tão importante e lucrativo como o “sim”.

O fato é que se trata de um momento muito importante para ser desperdiçado.

Então, reunimos aqui algumas dicas:

 

Otimismo e confiança são coisas diferentes

Analistas de investimentos não querem tratar com otimistas ou pessimistas irremediáveis. A experiência dessa gente ensina que onde existe uma mínima possibilidade de algo dar errado, é justamente o que vai acontecer.

empreendedores confiantes, transmitem a ponderada ideia de que, muito embora sejam cientes do enorme desafio e dos prováveis imprevistos, possuem a capacidade necessária para navegar em segurança.

Mas não se esqueça, essa confiança tem que ter o pé na realidade.

Uma postura transmite cegueira, a outra lucidez.

Não esconda os problemas e as suas próprias dúvidas

Nada confere maior credibilidade, do que a verdade nua e crua exposta sem maquiagens, aliada a uma postura conscientemente crítica, sobre o projeto que se pretende desenvolver.

Clareza, objetividade e profundidade

Fuja do “bobajal” corporativo. Analistas detestam essas inutilidades. No lugar disso, apresente um material que reflita sobre a organização, com muita objetividade e profundidade nos números tanto quanto nos conceitos aplicados ao negócio.

Coloque-se no lugar do seu interlocutor

Investidores sentem falta de diálogos e interlocuções, onde sejam compreendidos em suas responsabilidades como gestores de recursos de terceiros.

Eles precisam prestar contas por suas decisões e vão responder pelos fracassos associados. Portanto, analisar um empreendimento que carrega transparência nas informações, e que considera a necessidade disso após a realização dos investimentos, sem dúvida alguma causará grande conforto.

Lembre-se, apresentar uma possibilidade de investimentos não se trata de um exercício de convencimento, é antes de tudo um exercício de análise e julgamento.

Em profundidade.

 

 

Sobre o autor

 

 

Gustavo Chierighini, atento observador do universo corporativo, é fundador da Plataforma Brasil e membro do conselho editorial da DVS Editora.

 

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