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Petróleo 05 nov

Petróleo: acomodação e maldição

Por: Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial e membro do conselho editorial da DVS Editora.

Caros leitores, antes de tudo recomendo que não sofram por antecipação. Este título forte, não será refletido aqui em mais uma ladainha em prol das questões ambientais, propalando nas próximas linhas o cansativo senso comum, tentando convencê-lo a abandonar o conforto do seu carro e aderir a uma bicicleta, ou quem sabe um par de patins (você sabe, patins usam rodas menores, e portanto dependem de menos borracha produzida a partir do petróleo) bem, eu sei, ninguém aguenta mais isso.

Mas por favor ambientalistas, peço que não me joguem pedras (e nem percam o senso de humor), e antes de me condenarem à fogueira no tribunal da inquisição politicamente correta, saibam que não milito contra a militância ambiental, e muito pelo contrário, a considero, quando moderada, inteligente e portanto provida de senso crítico e de realidade necessária.

Petróleo

Este texto não fará a apologia (e nem tão pouco atacará) das energias limpas e renováveis, mas abordará a temática da acomodação.

Sim, ela mesmo, sempre fruto da reação atávica do ser humano e, portanto, de suas sociedades, quando adversidades e complicações cedem lugar ao apogeu, ao remanso, às certezas da prosperidade.

Observamos legiões defendendo a substituição da energia fóssil pelas fontes renováveis, mas pouco se aborda sobre as consequências que um excedente em reservas petrolíferas podem trazer a um país extrativista por natureza, desprovido de incentivos e repleto de obstáculos aos processos do desenvolvimento tecnológico sensível e de inovação.

Aos nacionalistas do pré sal e aos saudosistas da campanha do “O petróleo é nosso”, solicito que compreendam o contexto deste enfoque crítico, que não lamenta a existência de nossas gigantescas reservas e nem tão pouco é insensível ao componente estratégico que representam. Sob essa ótica objetiva, um oceano de vantagens e benefícios, inquestionavelmente.

Mas o fato é que com tantas certezas, uma insensibilidade pode ganhar força e ela está diretamente relacionada a tudo o que temos a fazer pela frente para nos tornarmos uma nação verdadeiramente moderna, admirável, respeitada, economicamente sustentável e competitiva.

As certezas de nossa força petrolífera, sem a devida calibragem em termos de senso autocrítico, podem nos levar de encontro ao encadeamento do atraso, respectivamente: imensas certezas econômicas, insensibilidade aos riscos e enfraquecimento dos estímulos científicos intelectuais, dependência extrativista, tolerância e baixa consciência tributária, baixa competitividade, fragilidade econômica, contenção de oportunidades de desenvolvimento social, subdesenvolvimento político, baixa capacitação, miséria.

Quem viver verá.

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