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7 lições que podemos tirar da realidade brasileira dos últimos anos

Por: Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial e membro do conselho editorial da DVS Editora.

Caros leitores, determina um dos mais clássicos ditados populares, para que não fiquemos chorando pelo leite derramado. Quem pode discordar da sabedoria embarcada em uma sentença tão simples? É isso. O fato é que empenadas econômicas como esta que estamos vivendo não se resolvem com choramingos, (muito menos com a sustentação das mesmas políticas que as trouxeram, é verdade).

“Não custa lembrar que o futuro se faz agora, e este depende das lições assimiladas no presente.”

Podem sim, ser evitadas com uma boa, antecipada e articulada dose de senso crítico, ou ainda atenuadas durante o curso de sua construção, envolvendo a admissão de erros e a revisão de conceitos e valores equivocados. Mas quando o bom senso some, sendo substituído pela bruma das ilusões, quem sofre são os bolsos, a expansão que não chega, os sonhos econômicos que não se realizam – mas que poderiam muito bem ter se tornado realidade.

Sim meus caros, a fatura chega, pode tardar mas sempre chegará. Contudo, depois de apresentada, enquanto nos preparamos para a sua liquidação (para os que podem liquidar), não custa lembrar que o futuro se faz agora, e este depende das lições assimiladas no presente. E foi assim, com esse espírito, que reuni uma lista para estimular a nossa análise sobre o passado político-econômico dos últimos anos, período no qual edificamos a nossa mais recente (mas totalmente evitável e desnecessária) empenada econômica.

E caso você se espante com o tom de epílogo deste texto, julgando que nele há algum exagero, peço apenas que nos lembremos de algo que não é auditado, não surge listado nos relatórios oficiais, e quando muito aparece em leves linhas em análises independentes, mas mesmo assim com mínima ressonância. Tratam-se das oportunidades perdidas. Esta sim, a filha pródiga de todas as empenadas.

Vamos lá:

Lição I: O populismo governamental, empenhado por qualquer partido ou grupo político, raramente consegue trazer melhorias sociais concretas e sustentáveis ao longo do tempo, no lugar disso, via de regra, substitui os fracassos por mais populismo;

Lição II: A insistente não participação do empresariado diante do processo político sempre acaba sendo onerosa. Patriotas ou não, nacionalista ou não (que fique claro que são tipos distintos) ou indiferentes, em última análise, acabam sofrendo o impacto do seu não ativismo no próprio bolso;

Lição III: A unanimidade não é inteligente, (já nos alertava o escritor Nelson Rodrigues). Então, quando observar uma maioria majoritária exageradamente otimista e entusiasmada, mesmo diante da ausência dos fundamentos econômicos essenciais para a prosperidade, desconfie;

Lição IV: O Estado por mais necessário que seja, jamais apresentará a mesma eficiência de gestão que o universo privado. Isto é atávico de sua natureza e trata-se de uma máxima quase universal – não sendo privilégio de nenhuma nação. Então, que fique claro, que o intervencionismo estatal invariavelmente acaba sempre prejudicando;

Lição V: O capital é um bicho amoral, desprovido de sentimentos, imune a ideologias, mas com uma psique absolutamente sofisticada. O seu olfato fareja encrencas a quilómetros de distância e foge rapidamente quando identifica a instabilidade econômica, a não transparência, ou a atuação de um modelo governamental excessivamente atuante e que sutilmente o demonize;

Lição  VI: Não se brinca com o processo inflacionário e a responsabilidade fiscal;

Lição VII: Por último, é bom lembrar que exemplos aparentemente inspiradores de opulência empresarial, construídos por atos midiáticos e grandes promessas, muitas vezes realizam menos que a discrição, a disciplina e a silenciosa mão na massa.

Boa sorte e que venham novos tempos.

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