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O QUE POSSIBILITA A LONGEVIDADE CORPORATIVA?

Quem dá uma excelente resposta para essa pergunta é Arie de Geus, que foi executivo do Grupo Royal Dutch Shell por 38 anos em 3 continentes, até no Brasil, chegando a assumir a presidência em algumas dessas regiões. Atualmente é professor convidado da London Business School e membro do Conselho do Centro de Aprendizado Organizacional do Massachusetts Institute of Technology (MIT). É também autor do livro A Empresa Viva: Como as Organizações podem Aprender a Prosperar e se Perpetuar, que recebeu aceitação no mundo todo, levando inclusive Peter Senge a considerá-lo como o verdadeiro criador do conceito de learning organization (aprendizado organizacional).

Arie de Geus acha que o que permitiu a longevidade coorporativa das empresas com as quais trabalhou (ou observou) foram quatro fatores principais, a saber:

1) As empresas longevas eram sensíveis ao seu ambiente.

Quer tivessem construído suas fortunas com base no conhecimento (como as constantes inovações tecnológicas da DuPont) ou em recursos naturais (como o acesso da Hudson Bay Company às peles nas florestas canadenses), elas permaneceram em harmonia com o mundo à sua volta.

Mesmo em meio às marés de guerras, depressão, novas tecnologias e mudanças políticas, elas pareciam sempre primar por manter seus sensores ligados e sintonizados com o que fosse que estivesse acontecendo em torno delas.

2) Empresas longevas eram coesas e dotadas de um forte senso de identidade.
Não importava a extensão de sua diversificação: seus funcionários (e, por vezes, até mesmo seus fornecedores) sentiam que eram todos parte de uma só entidade.

3) Empresas longevas eram tolerantes.
Geralmente evitavam exercer qualquer controle centralizado sobre tentativas de diversificar a empresa, sendo particularmente tolerantes com atividades que se desenrolavam à margem: experimentos, atividades paralelas e excentricidades dentro dos limites da empresa coesa.

4)
Empresas longevas eram conservadoras nas finanças, eram frugais e não arriscavam gratuitamente seu capital.
Elas entendiam o significado do dinheiro à moda antiga; sabiam a utilidade de se ter alguma reserva em caixa. O fato de ter dinheiro na mão dava-lhes flexibilidade e independência de ação. Elas podiam buscar opções que as empresas concorrentes não seriam capazes de tentar obter. Assim, as empresas longevas tinham sempre recursos para agarrar as oportunidades sem ter primeiro de convencer financiadores externos da atratividade daquelas oportunidades. No seu livro, Arie de Geus reforçou: “As quatro características: sensibilidade ao meio ambiente, coesão e identidade, tolerância e descentralização, e conservadorismo financeiro são as características recorrentes em empresas que conseguiram sobreviver às outras.

Muitas pessoas pensam e falam naturalmente de empresas como se estivessem falando de uma criatura orgânica, viva, com mente e personalidade próprias.

Todas as empresas de fato exibem comportamentos e certas características de entidades vivas.

Todas as empresas aprendem.

Todas as empresas, explicitamente ou não, têm uma identidade que determina sua coerência.

Todas as empresas crescem e se desenvolvem até o momento em que morrem. A idéia de empresa viva traz em si imensas implicações práticas, cotidianas para os gerentes.

Ela significa que em um mundo que se modifica de forma substancial, muitas vezes durante o curso de sua carreira profissional você precisa envolver as pessoas no desenvolvimento continuado da empresa.

Como todos os organismos, a empresa viva existe primeiramente para buscar sua própria sobrevivência e desenvolvimento, ou seja, para realizar seu potencial e crescer o máximo possível.

Ela não existe unicamente para fornecer produtos aos clientes ou para dar retorno de investimento aos acionistas, da mesma forma como qualquer pessoa não existe unicamente em função de seu emprego ou de sua carreira. Afinal, todo indivíduo é uma identidade viva.

Obviamente, cada ser humano existe para sobreviver e prosperar: trabalhar em seu emprego é, portanto, um meio para cada pessoa chegar a esse fim.

Da mesma forma, dar aos acionistas retorno sobre seu investimento e servir aos clientes são meios para se chegar a um fim semelhante à IBM, à Royal Dutch/Shell, à Exxon, à Procter & Gamble, à General Electric, à General Motors e a todas as outras empresas.”

Longevidade Corporativa


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