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08 mar

Perguntas estimulantes para qualquer empreendedor

Nas grandes e pequenas empresas, as perguntas devem circular por todos os níveis hierárquicos, começando do alto escalão e de reuniões formais na empresa a bate-papos no corredor e fóruns on-line. A franqueza das respostas dos executivos estabelece um tom para a organização como um todo. Formular as perguntas certas ao conversar com clientes, fornecedores e sócios ajuda a identificar necessidades e a trazer à tona possíveis problemas. Os ambientes de inovação amistosos ensejam perguntas desafiadoras e, ao mesmo tempo, desencorajam a combatividade e atitudes defensivas que podem bloquear ideias promissoras antes mesmo de elas terem oportunidade de provar seu valor. “É preciso ter uma cultura em que as ideias estapafúrdias sejam explicitamente toleradas, apreciadas e, em seguida, retomadas”, diz Eric Schmidt, da Google.

Por Judy Estrin

Ter um ambiente aberto não significa adotar a política de manter as portas abertas. Na verdade, tem a ver com estimular as pessoas a compartilhar e a ter objetividade em sua autoavaliação. Novas ferramentas, como comunicadores instantâneos, wikis, blogs, software de redes de relacionamento e mesmo os mundos virtuais podem ajudar empresas e organizações a facilitar esse compartilhamento de informações fundamentais, possibilitando, ao mesmo tempo, que as pessoas revelem recursos internos que viabilizam a colaboração e a sinergia.

Essa abertura precisa igualmente transcender a organização. Um foco extremamente interiorizado pode conduzir as empresas a suposições errôneas no processo de definição de seus produtos. Quando a eBay desenvolveu um novo serviço, o eBay Express, que permitia que os clientes comprassem produtos mais rapidamente sem ter de participar de um leilão on-line, ela comparou o desempenho do serviço com outras áreas do próprio eBay, e não com outros sites de compra. “Pensei que o eBay Express seria um tremendo gol de placa, mas não foi”, diz Meg Whitman. “Se quiser ter uma experiência mais parecida com a do varejo, é ideal não ser apenas melhor do que o que há no eBay, mas melhor do que o que há além do eBay. Essa experiência nos estimulou a orientar o nosso foco mais para o externo. Se outra pessoa tiver uma ideia melhor, não devemos fazer cerimônia — em vez disso, devemos adotá-la imediatamente, como se fosse nossa”, indica Meg Whitman.

Incentivar os funcionários a olhar para os problemas com outro olhar é um desafio constante, mesmo em empresas extremamente inovadoras. O foco da empresa pode prejudicar sua capacidade de ver novas oportunidades. Hoje, quando se fala de contribuição do usuário na geração de conteúdo, poucas pessoas pensam na Disney. Todavia, ela foi a primeira a conceber essa ideia em 1989, ao perceber uma tendência no uso de videocâmaras portáteis para gravação de eventos familiares não apenas valiosos enquanto lembrança para a posteridade, mas com frequência engraçados. Daí nasceu o America’s Funniest Home Videos, lançado há quase duas décadas. “Por que cinco anos atrás não conseguimos ver que poderíamos coletar vídeos na Web e criar um site que espelhasse o programa, com algumas mudanças repentinas? Mas ninguém pensou nisso”, admite Bob Iger. Foi necessário uma start-up como o YouTube para pensar ortogonalmente e aplicar o conceito de vídeo caseiro na Web.

A capacidade de pensar abertamente é fundamental para a inovação. “É comum as pessoas não conseguirem enxergar além de sua área específica”, afirma o empreendedor Jeff Hawkins. “As pessoas que estão escrevendo um software não pensam o suficiente sobre a possibilidade de uma mudança no hardware conseguir solucionar um problema. Os engenheiros de manufatura não ponderam a respeito das implicações que a estética pode ter sobre o projeto”, alerta Jeff Hawkins. Uma maneira de ampliar a perspectiva sobre um projeto é estimular a multiplicidade de formação educacional e especialização nas equipes de projeto. Rick Rashid, vice-presidente sênior de pesquisa da Microsoft, enfatiza a importância “não apenas de conhecimentos distintos, mas igualmente de perspectivas diferentes”. Ele tenta incluir pontos de vista de antropólogos, psicólogos, sociólogos, médicos, físicos, químicos e cientistas da computação do mundo inteiro quando está enfrentando um problema difícil. Misturar as coisas pode ajudar as pessoas a ganhar perspectiva.

As start-ups não raro são aconselhadas a enfocar seus recursos. Porém, de acordo com minha experiência com tecnologias e mercados ainda incipientes, que se encontram em na fase inicial, é indispensável primeiro fazer algumas experiências para identificar em que ponto devemos nos concentrar. Precisamos fixar intensamente a atenção no aspecto técnico para obter a primeira versão do produto para uso imediato, mas em seguida devemos dispersar e conversar com clientes em diferentes segmentos de mercado, identificando os problemas que já estão maduros para serem resolvidos e os mercados que estão preparados. É indispensável que as start-ups saibam quando devem estreitar o foco e quando devem alargá-lo.

Quando as grandes empresas estreitam muito o foco, correm o risco de perder oportunidades. Hoje em dia, visto que os investidores esperam retornos rápidos, vários projetos são prematuramente descontinuados, antes mesmo que se tenha uma visão clara de seu possível valor ou capacidade de se adaptar. Quando as empresas forem forçadas a avaliar sua linha de negócios enquanto entidades autônomas, não devem se esquecer da importância latente da interpolinização e da sinergia.

Estar aberto a novas ideias também significa estar disposto a canibalizar seu próprio produto ou modelo de negócio antes que alguém mais o faça. A indústria fonográfica podia ter se beneficiado grandemente se tivesse aberto os olhos e mudado seus modelos de distribuição antes da Napster. O ramo de jornais atualmente está pronto para uma mudança dessa magnitude, afirma Roger McNamee, investidor de participações privadas. “O temor ao autoimpacto está destruindo os jornais. Eles estão tão preocupados em proteger seu atual modelo que não farão o que seu público deseja que eles façam, que em última análise é bem mais valioso do que o que eles estão fazendo no momento. A única maneira de combater o dilema do inovador é reconhecer que é melhor obsolescer nossos próprios bens a ver outra pessoa fazê-lo por nós”, ensina Roger McNamee.

Em 1961, a IBM deu um passo corajoso para tornar quase todos os produtos de seu catálogo obsoletos criando um novo sistema operacional capaz de funcionar para qualquer pessoa. “Foi um empreendimento arriscado de 10 anos e 2 bilhões de dólares do qual a IBM saiu vencedora, e ela dominou o setor de computadores durante 25 anos por causa disso”, afirma o empreendedor Len Shustek, fundador do Museu da História do Computador.

Hoje, a FedEx é o que é porque foi capaz de rever e ampliar continuamente a visão de sua missão fundamental. De uma pequena empresa de serviços de entrega em 24h de cartas comerciais e encomendas leves, transformou-se em uma empresa de serviços de entregas urgentes de encomendas de todas as formas e tamanhos por via aérea ou terrestre.

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